27 mai 2021 | 10 min de leitura

 

Na hora de decidir o futuro, há sempre uma pergunta presente: que profissão me vai fazer ganhar mais?

 

Mas não é só de salários que os trabalhadores querem ouvir falar. Que benefícios posso ter nesta carreira? Vou estar satisfeito com o trabalho que faço? E com o sítio onde trabalho?

 

De tudo isto se fazem as profissões com melhor futuro para os próximos anos. Dos empregos do mundo “físico” às profissões digitais, este é o cenário do trabalho no mundo pós-COVID, em que as máquinas se aproximam cada vez mais de nós.

 

Descubra as profissões de futuro para 2021 e para os próximos anos:

  • engenheiros, analistas e cientistas de dados
  • técnicos de cibersegurança e especialistas em segurança de dados
  • especialistas em machine learning, inteligência artificial e automação
  • operacionais de e-commerce: distribuição e abastecimento
  • especialistas em desenvolvimento de software
  • UX designers
  • especialistas em marketing digital e criadores de conteúdo
  • médicos, enfermeiros, auxiliares e especialistas em saúde mental
  • dentistas
  • comerciais e vendas

O maravilhoso mundo novo dos dados

Vai ser a área de trabalho mais procurada até 2025, segundo o Fórum Económico Mundial: a ciência dos dados veio dar sentido a toda a informação que existe sobre o mundo e como nos comportamos nele.

 

Existe um volume de dados recolhidos que é impossível de quantificar. A data science extrai daí padrões e conclusões. Aplicada aos negócios, tornou-se algo muito apetecível para várias indústrias.

 

Quem domina esta ciência tem, por isso, uma espécie de superpoder.

 

Os data engineers, responsáveis pela recolha e processamento de dados, são alguns dos profissionais no universo da big data.

 

Existem também os data scientists, especialistas em dados, que trabalham com data analysts, que definem estratégias a partir do que a informação tratada lhes diz.

 

A plataforma Universia explica que é preciso competências analíticas e sociais para a interpretação dos dados e que as profissões desta área têm um futuro promissor.

 

Para a Comissão Europeia, os especialistas em dados combinam competências matemáticas, de computer science e sociológicas, de identificação de tendências.

 

Como entrar no mundo dos dados? A resposta está o crescimento da oferta formativa. A escola tecnológica Iron Hack lançou um curso de data analytics para quem quer estar na “vanguarda da inovação” e ajudar a resolver problemas do mundo real. E dá exemplos de sítios onde esta capacidade é valiosa: nas empresas, nas ciências e até nas decisões governamentais. Do curso fazem parte competências de programação, estatística e machine learning.

 

Os polícias dos dados

 

A hegemonia dos dados é tão apetecível que deu origem a novas formas de cibercrime, que a pandemia tratou de acelerar ao levar mais empresas e consumidores para o comércio online e o trabalho digital.

 

Quase 54% dos utilizadores diz-se preocupado com a forma como as empresas tratam os seus dados pessoais, de acordo com o estudo Digital 2021 sobre os comportamentos digitais dos portugueses. Não são raras as notícias que dão conta de fuga ou roubo de bases de dados.

 

Além das técnicas mais sofisticadas de cibercrime, há mais pessoas no ambiente digital e, por isso, expostas a ataques.

 

Novas formas de cibercrime exigem especialistas e especialistas em segurança de dados.

A famosa inteligência artificial

Machine learning é a utilização de informação para ensinar uma máquina a agir numa dada situação – sem intervenção humana.

 

Se lhe soa a inteligência artificial, é porque é. Sim, parece tirada da ficção científica, mas lembre-se que é muito provável que o seu smartphone tenha um assistente de voz capaz de lhe responder às perguntas que faz em apenas segundos.

 

Os especialistas em machine learning e inteligência artificial vão ser os segundos profissionais mais procurados pelo mercado de trabalho até 2025, segundo o Fórum Económico Mundial.

 

Muito perto destes profissionais estão os especialistas em automação de processos e os peritos em transformação digital, essa expressão de que tanto ouvimos falar.

 

A verdade é que o digital mudou mesmo o mercado de trabalho e a forma como trabalhamos. A transformação digital é a integração de tecnologia em todas as fases dos negócios para alterar os processos de trabalho e criar mais valor para os clientes.

O e-commerce e a experiência dos clientes

Mais de 35% das pessoas em Portugal já faz compras ou paga contas online, aponta o Digital 2021.

A realidade de muitas empresas transformou-se do dia para a noite, a partir do momento em que a pandemia obrigou a fechar portas.

 

O LinkedIn põe no n.º 1 do seu ranking de profissões a crescer aquelas que estão ligadas ao comércio online, mas na sua vertente física. Ou seja, há mais procura por cargos relacionados com a distribuição de encomendas e a gestão da cadeia de abastecimento.

 

O retrato do LinkedIn é da realidade americana mas a verdade é que muitos de nós receberam mais encomendas em casa desde 2020.

 

Mas estas são as pessoas no terreno e a venda não se faz sem uma estrutura montada. Algumas das profissões mais procuradas para os próximos anos passam pela engenharia e desenvolvimento de software.

 

Entre as melhores profissões, estão as de programação e desenvolvimento: front-end developer, back-end developer, web developer... Dominar linguagens de programação é uma mais-valia, do HTML ao Java e JavaScript, passando por CSS.

 

A atenção à experiência do cliente continua a ser uma preocupação para as empresas, o que garante um lugar aos UX designers entre os profissionais com mais futuro para a Glassdoor (plataforma que divulga oportunidades de emprego).

 

Já o LinkedIn regista muitas ofertas de emprego para UX e UI designers, designers de produto e UX researchers (janeiro de 2021).

Especialistas em marketing digital não são esquecidos

Sim, os profissionais de marketing digital estão entre os mais procurados. O LinkedIn promete que as oportunidades de trabalho nesta área não estão a desaparecer e, pelo contrário, aumentaram 33% de 2020 para 2021.

 

Podem, por isso, ter esperança os especialistas em marketing digital e os gestores de redes sociais.

 

Continuam a ser valorizados os conhecimentos de Search Engine Optimization (SEO), ou seja, quem domina a magia dos motores de busca e sabe como ligar produtos/serviços a consumidores.

 

Os criadores de conteúdos profissionais

 

Publicou uma fotografia de um jantar no seu Instagram? Parabéns, é um criador de conteúdo.

 

Na verdade, todos somos criadores de conteúdo no mundo moderno, as câmaras de fotografar e filmar dos nossos telemóveis convidam a isso mesmo.

 

Não falamos só dos chamados influenciadores, mas das profissões que orbitam em torno do conteúdo: desde os especialistas em estratégia digital aos consultores em escrita ou imagem.

 

São valorizadas nesta área competências de edição de vídeo, imagem e som e o mais provável é que, se enveredar por esta área, lhe seja pedido para dominar um pouco de cada uma delas.

 

Não se esqueça: o vídeo é o formato de conteúdo mais consumido e o áudio está a crescer em força com o despertar dos podcasts.

 

Os criadores de conteúdo digitais estão no 9.º lugar das profissões a crescer do LinkedIn.

Profissionais de saúde valorizados no pós-pandemia

Lembra-se dos aplausos à janela em homenagem aos profissionais de saúde, durante o primeiro confinamento? Os últimos anos fizeram-nos olhar para os médicos, enfermeiros e auxiliares com admiração renovada. Cá dentro e em todo o mundo.

 

No ranking da Glassdoor para os Estados Unidos da América, de janeiro de 2021, os cargos de gestor clínico, médico, auxiliar e enfermeiro subiram várias posições.

 

Por cá, o Governo português anunciou a intenção de contratar quase mais 2 500 profissionais de saúde, entre os quais perto de 1 400 são enfermeiros mas também assistentes técnicos e operacionais, técnicos de diagnóstico e terapêutica.

 

Os efeitos da pandemia também se sentiram na saúde mental das pessoas, a somar à ansiedade e stress que já eram doenças comuns antes do COVID-19.

 

O LinkedIn aponta para a necessidade de profissionais de saúde mental, desde terapeutas comportamentais a psicoterapeutas e psicólogos.

 

O ranking da Glassdoor atribui o 10.º lugar das profissões mais apetecíveis aos médicos dentistas, com bons salários e bom índice de satisfação. Em Portugal, existiam mais de 10 600 dentistas em 2019.

 

Fora do digital: as vendas

 

Há profissionais que aparecem de forma algo constante nestas listas, mas que as crises trazem para a ribalta.

 

Os departamentos de vendas são motores da atividade das empresas e continuam a merecer atenção os cargos de consultores de vendas e comerciais.

Novas profissões para novos desafios

Já ouviu falar em eco-ansiedade? É um efeito das preocupações com a crise climática e as catástrofes naturais.

 

A plataforma Universia traça um cenário otimista para os engenheiros do ambiente, uma área que tem em mãos o grande problema da sustentabilidade do planeta.

 

Mas há um detalhe: é valorizado o cruzamento desta disciplina com a economia, a economia, a sociologia e a tecnologia. Não há respostas individuais.

 

Já o LinkedIn destaca um novo tipo de profissionais de recursos humanos: os especialistas em diversidade.

 

É certo que a tendência está a nascer nos Estados Unidos e é motivada por casos de violência racial, mas um pouco por todo o mundo se debate a falta de representatividade e diversidade racial e de género nas empresas.

As competências que precisa de ter para as profissões do futuro

Até 2025, o número de horas trabalhadas por máquinas e por pessoas vai ser igual.

Além disso, cerca de 85 milhões de postos de trabalho vão ser alterados pela automatização, ou seja, pelas máquinas.

 

As previsões são do Fórum Económico Mundial e são úteis para compreender a lista das 10 competências mais relevantes no mercado de trabalho até 2025, segundo aquela instituição.

 

Por um lado, serão valorizadas as competências de resolução de problemas.

 

Está em vantagem quem detém pensamento analítico e capacidade de inovação, quem é capaz de resolver problemas complexos com um espírito crítico e também quem traz criatividade, originalidade e iniciativa à equipa.

 

A ideação e racionalidade são, na verdade, algo em que as máquinas não conseguem substituir os humanos.

 

Noutro patamar está a autonomia ou a autogestão, sobretudo no que diz respeito à capacidade ativa de aprender e ter estratégias de aprendizagem, mas também na resiliência, resistência ao stress e flexibilidade.

 

Não são estranhas estas características num contexto em que o teletrabalho já é tão familiar.

 

Depois, as competências tecnológicas. Estão no top de skills a ter o domínio e controlo da tecnologia mas também o design e programação.

 

Por último, as chamadas competências interpessoais, de onde se destacam a capacidade de liderança e até a influência social.

Os melhores cursos para ter uma profissão de futuro

O acesso às profissões de futuro aqui referidas não é exclusivo de quem sai em breve do ensino superior ou técnico.

 

Aliás, o mercado de trabalho olha com atenção para a área de recursos humanos e tem fé na formação de quem já está no ativo para aprender as novas competências durante a sua vida profissional.

 

Ainda assim, há cursos superiores que vão dar uma boa vantagem a quem se prepara para começar a trabalhar em breve. A plataforma Universia traça uma lista:

  • cursos de línguas e culturas asiáticas: além da China, outros países asiáticos fazem deste continente um poderoso centro de negócios no mundo
  • cursos de gestão e análise de informação: com foco na gestão de dados
  • engenharia do Ambiente: para lidar com os desafios da sustentabilidade
  • tecnologias de informação e comunicação: entre as quais, a programação é muito valorizada
  • cursos de turismo: na sequência da expansão do turismo em Portugal, antes da pandemia
  • cursos de especialização em Direito do Espaço Cibernético: para responder ao cibercrime.

Esta lista das melhores profissões do futuro foi feita com base em investigações de entidades no mercado laboral e plataformas digitais que se dedicam à procura de emprego e não segue uma ordem de prioridade.