Os preços das casas vão baixar?

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As casas estão mais baratas por causa da pandemia?

24 ago 2021 | 7 min de leitura

Há quem pense que o fim das moratórias vai provocar uma crise, mas os preços das casas ainda não deram sinais de baixar. Se vai comprar casa, tome o pulso ao mercado imobiliário com estes números.

Se está à espera do melhor momento para comprar casa, de certeza que já encontrou quem diga que os preços vão cair em breve. Ou talvez já se tenha cruzado com quem diz o contrário: os preços das casas não vão baixar.
É difícil fazer previsões. Por isso mesmo, conheça os números e decida por si se está na altura de dar o próximo passo e investir numa nova casa.

 


Comprar casa em Portugal: como era antes da pandemia

É um exercício de memória: ainda se lembra de como era o mercado de compra e venda de casas em 2009? E arrendar casa? Lembra-se do que aconteceu a muitas empresas de construção durante a crise financeira?
Parece um cenário muito distante, mas a verdade é que passaram só cerca de 10 anos. Neste período, o mercado imobiliário português mudou profundamente.

Abriu-se o investimento em imóveis como uma grande oportunidade, tanto para portugueses quanto para estrangeiros que passaram a ver Portugal como um destino muito agradável.

E por falar em destinos agradáveis, o mercado imobiliário também mexeu com as oportunidades para alojamentos turísticos. Até em 2020, já em pandemia, Portugal foi escolhido nos World Travel Awards, como o Melhor Destino da Europa.

A recuperação económica e outros fatores, como a descida das taxas de juro, também impulsionaram a venda e compra de casa. Em 2020, os bancos emprestaram mais de 11,3 mil milhões de euros em crédito habitação. Em 2013, foram pouco mais de 2 mil milhões

A procura puxou pela oferta. O resultado foi um aumento de preços único, tanto para quem queria comprar casa como para quem preferia arrendar, sobretudo nos grandes centros urbanos.

 

A chegada do COVID-19 ao mercado imobiliário

Os impactos imediatos da pandemia no mercado imobiliário notaram-se de imediato. E não tardaram as soluções para ajudar as famílias a lidar com as novas dificuldades.


As moratórias chegaram rapidamente para que, quem tinha ficado sem rendimentos e não conseguia pagar os seus créditos, não caísse em incumprimento nem perdesse as suas casas.


Houve quem esperasse o pior. Mas aprendemos com o passado.
Ao invés de uma crise imobiliária, como a de 2009-2013, até agora, foram protegidas as pessoas que viram os seus rendimentos serem muito afetados pela pandemia.


No final de 2020, a compra e venda de habitações tinha caído 5,3% em número, pela primeira vez desde 2012 (segundo o INE), mas tinha crescido 2,4% em valor.


Os preços das casas já baixaram ou não?

Para o INE, o que aconteceu foi uma desaceleração do crescimento dos preços nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e na Região Autónoma da Madeira, entre abril e junho de 2020 (um horizonte temporal onde os impactos da pandemia seriam notórios).

Se está à espera do melhor momento para comprar casa, de certeza que já encontrou quem diga que os preços vão cair em breve. Ou talvez já se tenha cruzado com quem diz o contrário: os preços das casas não vão baixar.
É difícil fazer previsões. Por isso mesmo, conheça os números e decida por si se está na altura de dar o próximo passo e investir numa nova casa.

 


Comprar casa em Portugal: como era antes da pandemia

É um exercício de memória: ainda se lembra de como era o mercado de compra e venda de casas em 2009? E arrendar casa? Lembra-se do que aconteceu a muitas empresas de construção durante a crise financeira?
Parece um cenário muito distante, mas a verdade é que passaram só cerca de 10 anos. Neste período, o mercado imobiliário português mudou profundamente.

Abriu-se o investimento em imóveis como uma grande oportunidade, tanto para portugueses quanto para estrangeiros que passaram a ver Portugal como um destino muito agradável.

E por falar em destinos agradáveis, o mercado imobiliário também mexeu com as oportunidades para alojamentos turísticos. Até em 2020, já em pandemia, Portugal foi escolhido nos World Travel Awards, como o Melhor Destino da Europa.

A recuperação económica e outros fatores, como a descida das taxas de juro, também impulsionaram a venda e compra de casa. Em 2020, os bancos emprestaram mais de 11,3 mil milhões de euros em crédito habitação. Em 2013, foram pouco mais de 2 mil milhões

A procura puxou pela oferta. O resultado foi um aumento de preços único, tanto para quem queria comprar casa como para quem preferia arrendar, sobretudo nos grandes centros urbanos.

 

A chegada do COVID-19 ao mercado imobiliário

Os impactos imediatos da pandemia no mercado imobiliário notaram-se de imediato. E não tardaram as soluções para ajudar as famílias a lidar com as novas dificuldades.


As moratórias chegaram rapidamente para que, quem tinha ficado sem rendimentos e não conseguia pagar os seus créditos, não caísse em incumprimento nem perdesse as suas casas.


Houve quem esperasse o pior. Mas aprendemos com o passado.
Ao invés de uma crise imobiliária, como a de 2009-2013, até agora, foram protegidas as pessoas que viram os seus rendimentos serem muito afetados pela pandemia.


No final de 2020, a compra e venda de habitações tinha caído 5,3% em número, pela primeira vez desde 2012 (segundo o INE), mas tinha crescido 2,4% em valor.


Os preços das casas já baixaram ou não?

Para o INE, o que aconteceu foi uma desaceleração do crescimento dos preços nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e na Região Autónoma da Madeira, entre abril e junho de 2020 (um horizonte temporal onde os impactos da pandemia seriam notórios).
"O preço dos “alojamentos familiares” recuou face ao trimestre anterior, mas foi maior, ainda assim, do que entre abril e junho de 2019."

Já no início de 2021, os preços das casas continuaram a subir mas a um ritmo inferior.


Um ano depois do início da pandemia em Portugal, e quando já muito aconteceu, é fácil recordar aqueles primeiros meses de outra forma.


Lembramo-nos bem das notícias de alojamentos turísticos vazios. E sabemos que os valores das rendas em muitas cidades do país também caíram, como explica o INE ao olhar para os primeiros 3 meses deste ano.


Mas os números ainda não são razão para adivinhar que vem aí uma nova crise. E só uma nova crise conseguiria desestabilizar o mercado imobiliário, baixar a procura e, por arrasto, provocar uma queda de preços.

 

Mas as moratórias estão a acabar...

A moratória de crédito habitação que o Estado abriu aos portugueses logo no início da pandemia fez com que, quem ficou sem rendimentos, não entrasse em incumprimento. Foi uma segurança para quem deixou de conseguir pagar a sua casa.


Também os bancos seguiram este exemplo e não só disponibilizaram a moratória para crédito habitação de imediato como a prolongaram depois, em linha com o Governo português.


Tudo para salvaguardar as famílias e impedir que se repetisse a última grande crise.


Ao mesmo tempo, as instituições de crédito já começaram a preparar o fim das moratórias junto dos clientes.


Famílias em dificuldade têm 3 meses de salvaguarda

As moratórias para as famílias terminam em setembro de 2021, mas o Governo já aprovou uma nova proteção.


Se estiverem em dificuldade financeira no final da moratória, as famílias com crédito habitação têm mais 90 dias de salvaguarda. Significa que, nesses 3 meses, os bancos não podem terminar o contrato nem aumentar taxas de juro.


Além disso, os bancos têm de acompanhar de perto os clientes com mais risco e apresentar-lhes propostas para melhorar as condições do contrato. A data-limite é 15 de setembro.

 

Mais tempo em casa, mais crédito para comprar casa

Há outro número que deve conhecer para perceber se vale a pena comprar casa agora.


Em junho de 2021, os bancos emprestaram 1 295 milhões de euros para comprar casa (contas do Banco de Portugal). Em junho de 2020, foram 833 milhões. Em junho de 2019, antes da pandemia, foram 848 milhões.


Ou seja, nem a procura de casas está a recuar nem os bancos estão a dar sinais de crise no setor, fechando a torneira do crédito.


Sim, continua a haver procura. A pandemia fechou-nos em casa e fez-nos tirar algumas conclusões sobre qualidade de vida.


O teletrabalho e o fecho das escolas reduziram o espaço de muitas famílias. As divisões tornaram-se pequenas para a exigência das reuniões e aulas online ao mesmo tempo. A casa tornou-se espaço de convívio e descanso, mas também escritório, sala de aula, ginásio...


Trabalhar em casa significa que podemos estar em qualquer parte do mundo – desde que exista uma boa ligação à internet. Se escolheu passar o confinamento numa casa de família no interior do país, longe das grandes cidades, sabe do que estamos a falar.


É que estar em casa também foi uma barreira aos hábitos de lazer e bem-estar. Quem antes fazia desporto ao ar livre sentiu-se limitado e aproveitar as zonas verdes ao pé de casa também ficou mais difícil.


Nas cidades, ter uma varanda, um pátio ou um quintal tornou-se um luxo. Trocar um apartamento em zonas urbanas por uma moradia nos arredores passou a ser boa ideia.


Todos estes fatores pesam de outra forma em quem pensa comprar casa no mundo pós-COVID.


Mais conscientes e mais exigentes

Não foi só a pandemia que nos despertou para novas preocupações. Hoje, exigimos mais do mundo à nossa volta e estamos mais alerta para os problemas que podemos resolver. Problemas como o limite dos recursos que restam no mundo.


Portugal é um dos países da União Europeia onde as pessoas passam mais frio em casa e têm maior dificuldade financeira para a aquecer.


Quem escolhe construir uma casa de raiz, tem esta realidade em mente. Na hora de escolher os materiais, a preferência pode ser pelos mais sustentáveis tanto para o orçamento familiar e para o ambiente.


Mas se está a planear construir casa, saiba que os preços dos materiais estão em alta, fruto da escassez que o setor vive.


O que mudou nas casas portuguesas?

Pode não estar para breve uma queda de preços nos imóveis para residência, mas a verdade é que o mercado é imprevisível e a pandemia veio agitar as águas.


Mas o último ano também trouxe outras mudanças.

1. Arranjámos soluções criativas em casa

A necessidade é a mãe da invenção. Quem ficou confinado num espaço pequeno, teve de encontrar soluções criativas para continuar a viver, a trabalhar e a estudar entre quatro paredes.


Noutros casos, esta foi uma oportunidade para remodelar a casa, pintar uma divisão, alargar outra...

2. Nada como respirar ar puro

Até os menos adeptos da natureza valorizam mais estar em espaços abertos. Poder passear ao ar livre, à beira-mar ou no parque da cidade ganhou outra importância no dia a dia.

 

3. À (re)descoberta de Portugal

Não foi pelos melhores motivos. Mas o confinamento levou muitas famílias para as casas de férias e de família, longe dos grandes centros urbanos onde o tempo corre mais devagar e o espaço parece maior.

Agora, mais de um ano depois do início da pandemia, mais pessoas trocaram destinos estrangeiros pelo turismo em Portugal.

Além do impacto positivo nessas economias locais, não tem sido bom redescobrir o nosso país?

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