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Levantar dinheiro ou realizar operações bancárias simples pode ainda obrigar a percorrer vários quilómetros em algumas zonas do país.
Segundo o Banco de Portugal, no final de 2025, 1.241 freguesias, cerca de 40% do total, não tinham qualquer ponto de acesso a numerário, abrangendo cerca de 700 mil pessoas.
Foi para aproximar estes serviços das populações que surgiu o Multibanco + Perto, projeto inicialmente anunciado como “Multibanco Social”.
A fase-piloto arrancou em julho de 2026 e resulta de uma colaboração entre o Ministério da Economia e da Coesão Territorial, o Banco de Portugal, a SIBS e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).
O Multibanco + Perto é um projeto-piloto criado para aproximar os serviços bancários das populações que vivem em localidades sem pontos de atendimento próximos.
A solução utiliza terminais de pagamento automático digitais, os chamados SmartPOS, que permitem realizar cerca de 90% das operações habitualmente disponíveis nas caixas Multibanco.
As juntas de freguesia ficam responsáveis pela gestão dos terminais e por disponibilizar a liquidez necessária para os levantamentos de dinheiro. Por serem móveis, os equipamentos podem ainda deslocar-se até pessoas com restrições de mobilidade.
A fase-piloto arrancou em julho de 2026 e resulta de uma colaboração entre o Ministério da Economia e da Coesão Territorial, o Banco de Portugal, a SIBS e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).
Apesar de Portugal ter uma cobertura de acesso a numerário considerada ampla, continuam a existir diferenças importantes entre regiões. Segundo o estudo mais recente do Banco de Portugal, relativo a 2025, cerca de 95% da população tinha um ponto de acesso a numerário a menos de cinco quilómetros de casa, por via rodoviária, e cerca de 99% a menos de dez quilómetros.
Ainda assim, 1.241 freguesias não dispunham de qualquer ponto de acesso a numerário. O problema é particularmente relevante em zonas rurais e de baixa densidade populacional, onde uma deslocação de vários quilómetros pode dificultar o acesso a dinheiro físico, sobretudo para pessoas com menor mobilidade.
Não. Embora o acesso a numerário seja uma das principais funções do projeto, os terminais permitem realizar cerca de 90% das operações disponíveis numa caixa Multibanco.
Entre as operações previstas estão:
Os terminais são também móveis, permitindo aproximar o serviço de pessoas com restrições de mobilidade que tenham dificuldade em deslocar-se até à junta de freguesia.
Sim. Apesar do crescimento dos pagamentos digitais, o dinheiro físico continua a ter um papel relevante no dia a dia de muitas famílias.
Segundo o Banco de Portugal, em 2025, existiam em Portugal 13,7 mil caixas automáticos e 567,4 mil terminais de pagamento automático. No mesmo ano, os cartões foram o instrumento mais utilizado nos pagamentos processados no SICOI, representando 85,2% da quantidade total de operações.
O próprio Banco de Portugal sublinha a importância de preservar o acesso a notas e moedas, associando-o à inclusão financeira e à liberdade de escolha entre diferentes meios de pagamento.
Ainda assim, os números nacionais nem sempre mostram as dificuldades locais. Para quem vive numa freguesia sem um ponto de acesso a numerário próximo, ter dinheiro físico disponível pode continuar a ser uma necessidade muito concreta.
O projeto-piloto arrancou a 6 de julho de 2026, na freguesia de Tó, no concelho de Mogadouro. Na fase inicial, o Governo anunciou também a chegada do serviço a três freguesias do concelho de Mértola e, posteriormente, à freguesia da Coriscada, no concelho de Mêda.
Esta fase-piloto poderá abranger até 30 freguesias e servirá para avaliar a utilização do serviço e uma eventual expansão a outras localidades interessadas.
Para muitas pessoas, sobretudo em zonas mais isoladas, um ponto de acesso a serviços bancários mais próximo pode significar mais autonomia. Permite levantar a pensão, ter dinheiro para pequenas compras, pagar despesas do dia a dia ou simplesmente não depender de terceiros para aceder ao próprio dinheiro.
O Multibanco + Perto surge, por isso, como uma solução de inclusão financeira. Num país cada vez mais digital, o objetivo passa por garantir que a modernização dos pagamentos não deixa para trás quem continua a precisar de numerário.
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