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O mercado de trabalho português começou 2026 com sinais mistos. Segundo os dados mais recentes do INE, a taxa de desemprego situou-se em 6,1% no 1.º trimestre do ano, acima dos 5,8% registados no trimestre anterior, mas abaixo dos 6,6% observados no mesmo período de 2025.
O que isto nos diz? O desemprego aumentou face ao final de 2025, mas continua abaixo do valor registado há um ano. Ou seja, há sinais de abrandamento no arranque do ano, sem que isso apague a melhoria observada na comparação homóloga.
No 1.º trimestre de 2026, a população empregada foi estimada em 5.300,8 mil pessoas. Este valor representa uma descida de 0,7% face ao trimestre anterior, o equivalente a menos 38,7 mil pessoas empregadas, mas traduz ainda um aumento de 2,3% face ao mesmo trimestre de 2025.
Já a população desempregada foi estimada em 346,3 mil pessoas, mais 20 mil do que no trimestre anterior. Ainda assim, em comparação com o 1.º trimestre de 2025, havia menos 19,5 mil pessoas desempregadas.
As estimativas mensais do INE para março de 2026 também apontavam para uma taxa de desemprego de 5,8% e uma taxa de subutilização do trabalho de 9,8%, valores que ajudam a acompanhar a evolução mais recente do mercado de trabalho.
Entre os jovens dos 16 aos 24 anos, a taxa de desemprego foi estimada em 19,1% no 1.º trimestre de 2026. Apesar de continuar elevada, esta taxa desceu tanto face ao trimestre anterior como face ao mesmo período do ano passado.
Nos dados mensais harmonizados do Eurostat, Portugal registava, em março de 2026, uma taxa de desemprego jovem de 18,1%. Ainda assim, este valor continuava acima da média da União Europeia, que se situava em 15,4%, e da Zona Euro, onde a taxa era de 14,9%.
A taxa de desemprego ficou acima da média nacional em três regiões:
Já os valores mais baixos foram registados na Região Autónoma da Madeira, com 4,5%, no Centro, com 5,0%, e na Região Autónoma dos Açores, com 5,4%.
Estes dados mostram que o mercado de trabalho não evolui da mesma forma em todo o país. Mesmo quando a taxa nacional dá uma fotografia geral, há diferenças regionais que ajudam a perceber melhor onde a pressão sobre o emprego é maior.
Além da taxa de desemprego, o INE acompanha a subutilização do trabalho, um indicador mais abrangente que inclui, por exemplo, pessoas desempregadas, trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas e inativos disponíveis para trabalhar, mas que não procuram emprego.
No 1.º trimestre de 2026, a subutilização do trabalho abrangia 588 mil pessoas, o que corresponde a uma taxa de 10,2%. Este valor subiu face ao trimestre anterior, mas ficou abaixo do registado no mesmo período de 2025.
No contexto europeu, Portugal manteve uma taxa de desemprego próxima da média da União Europeia. Em março de 2026, segundo o Eurostat, a taxa de desemprego era de 6,0% na União Europeia e de 6,2% na Zona Euro. Portugal registava 5,8%, ligeiramente abaixo desses valores.
Ainda assim, a leitura muda quando se olha para os jovens: neste grupo, Portugal continuava acima da média europeia, o que mostra que a integração dos mais novos no mercado de trabalho continua a merecer atenção.
Os números mais recentes não apontam para uma deterioração forte do mercado de trabalho, mas revelam um início de ano menos favorável do que o final de 2025. Há menos pessoas empregadas face ao trimestre anterior e mais pessoas desempregadas, embora a comparação com o mesmo período de 2025 continue positiva.
O relatório do INE não atribui esta evolução a causas económicas específicas. Ainda assim, a subida trimestral do desemprego e a descida trimestral do emprego devem ser lidas num contexto mais amplo, marcado por maior incerteza económica, pressão sobre os custos, evolução dos preços da energia e algum abrandamento da atividade em determinados setores. Estes fatores não explicam, por si só, os dados, mas ajudam a enquadrar um início de ano menos favorável para o mercado de trabalho.
Para as famílias, acompanhar estes indicadores ajuda a perceber o contexto económico em que vivem e tomam decisões. Em momentos de maior incerteza no mercado de trabalho, rever o orçamento, reforçar a poupança possível e manter uma margem de segurança financeira pode fazer a diferença.
Este artigo foi elaborado com base nos dados mais recentes do INE, publicados no destaque “Estatísticas do Emprego, 1.º trimestre de 2026”, divulgado a 6 de maio de 2026.
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