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A vida profissional pode, por vezes, exigir que façamos uma pausa. Seja para estudar, cuidar de um familiar ou para se dedicar a um projeto pessoal, a licença sem vencimento surge como uma solução. Leia tudo o que precisa saber sobre esta prerrogativa.
Também conhecida como licença sem retribuição, trata-se de um período de ausência do trabalho durante o qual o funcionário não recebe ordenado, mas mantém o vínculo laboral com a empresa. Por outras palavras, durante esse período de tempo, o trabalhador fica dispensado das suas funções mas sem perder o emprego. Esta licença está prevista no artigo 317.º do Código do Trabalho e pode ser pedida por diversos motivos, sendo a formação e os estudos os mais comuns.
Qualquer trabalhador pode pedir uma licença sem vencimento. Contudo, há situações específicas em que a solicitação não pode ser recusada pelo empregador, nomeadamente para formação ou estudos, desde que se cumpram certas condições:
A lei não define um prazo máximo para a duração da licença, deixando essa decisão ao critério do trabalhador e do empregador. Contudo, o direito à licença para formação ou estudos aplica-se apenas a licenças de duração superior a 60 dias. Nas restantes situações, a lei não fixa uma duração mínima. Para fins de formação ou estudos, a duração da licença pode corresponder à duração do curso ou formação em questão.
Sim, durante a licença sem vencimento, o vínculo laboral entre o trabalhador e a empresa é mantido. Mas é importante perceber que ficam suspensos os direitos e obrigações que dependem da prestação efetiva de trabalho, como o pagamento do salário. Este período de licença conta, ainda, para a antiguidade na empresa, o que significa que não perde o tempo de serviço acumulado. O mesmo não acontece na Segurança Social. Como não há retribuição, também não há descontos durante a licença, pelo que, em regra, esse período não conta para a carreira contributiva. Isso pode ter reflexos, por exemplo, no valor da futura pensão.
E relativamente às férias?
Durante a licença sem vencimento, o trabalhador não acumula direito a férias. As férias que já se tinham vencido antes do início da licença não se perdem. Após o regresso ao trabalho, terá direito a gozar o período de férias proporcional ao tempo de serviço prestado no ano da licença e aos respetivos subsídios de férias e de Natal, proporcionalmente ao período trabalhado.
Sim. Fora dos casos de formação ou estudos, a concessão depende sempre do acordo do empregador. No caso da licença para formação ou estudos, a lei só admite a recusa nas seguintes situações:
É importante salientar que, salvo as situações específicas acima previstas no artigo 317.º do Código do Trabalho, constitui uma contraordenação grave a recusa de concessão da licença sem vencimento para fins de formação ou estudos. Caso o empregador indefira o pedido de licença nessas circunstâncias, o trabalhador tem o direito de recorrer à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) ou ao Tribunal de Trabalho para contestar a decisão.
Além disso, mesmo que a licença seja concedida, o empregador não pode impedir o trabalhador de retomar a sua atividade normal após o término do período de licença. Conforme o artigo 295.º do Código do Trabalho, qualquer impedimento ao regresso do trabalhador é também considerado uma contraordenação grave.
A lei não impõe uma forma específica, mas é aconselhável fazer o pedido por escrito, por carta ou outro meio equivalente, para que fique prova do pedido e da data em que foi feito. Isso é relevante, por exemplo, para a antecedência de 90 dias exigida na licença para formação. Na solicitação, deve mencionar explicitamente que está a pedir uma licença sem vencimento, as razões que justificam o pedido e a duração pretendida. Pela mesma razão, convém que a resposta do empregador seja também dada por escrito, quer aceite ou recuse o pedido.
Na função pública, a licença sem vencimento (legalmente designada licença sem remuneração, encontra-se nos artigos 280.º e seguintes da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas) segue regras semelhantes, mas existem algumas especificidades. Por exemplo, o trabalhador tem direito a licença para acompanhar o cônjuge colocado no estrangeiro por mais de 90 dias ou por tempo indeterminado, em missões de defesa ou representação de interesses do País ou em organizações internacionais de que Portugal seja membro. A lei prevê ainda uma licença própria para exercer funções em organismos internacionais. A duração da licença na função pública pode variar consoante a situação específica, e o regresso ao trabalho deve ser solicitado até 90 dias após o término da situação que motivou a licença.
Há ainda duas diferenças importantes face ao setor privado. Em regra, o tempo de licença não conta para a antiguidade. Além disso, se a licença durar um ano ou mais, o regresso depende da existência de um posto de trabalho livre: se o seu estiver ocupado, o trabalhador tem de aguardar que surja uma vaga no serviço ou candidatar-se a um procedimento concursal noutro organismo. Estas limitações não se aplicam às licenças de duração inferior a um ano, às fundadas em circunstâncias de interesse público, como a de exercício de funções em organismos internacionais ou a de acompanhamento do cônjuge colocado no estrangeiro, neste último caso quando a licença dura menos de dois anos.
O Código do Trabalho não define este conceito. Na função pública, para efeitos da licença para formação, a lei considera de longa duração a licença superior a 60 dias. É o mesmo limiar a partir do qual, no setor privado, existe o direito à licença para formação ou estudos. Embora a lei não estabeleça um limite máximo, uma licença prolongada pode implicar acordos específicos entre o trabalhador e a entidade patronal, incluindo eventuais condições para o regresso ao trabalho.
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