Bem-estar

Livros clássicos que merecem um lugar na sua lista de leitura

5 minutos de leitura
Publicado a 15 outubro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Homem sentado no sofá a ler um livro num ambiente acolhedor

Há livros que atravessam gerações e continuam tão atuais como no dia em que foram escritos. E não, ler clássicos não significa enfrentar romances de mil páginas ou frases intermináveis.

 

Do romance à ficção científica, passando pelo terror e pelas distopias, há clássicos para todos os gostos. Talvez só lhe falte encontrar o livro certo para começar.

 

 

Lista de clássicos da literatura portuguesa

Comecemos por casa. A literatura portuguesa tem clássicos muito diferentes entre si e há boas opções tanto para quem procura um primeiro contacto como para leitores mais experientes.

 

Os Lusíadas, Luís de Camões

É impossível falar de clássicos portugueses sem Camões. Publicado em 1572, o poema épico acompanha a viagem de Vasco da Gama à Índia, onde cruza história, mitologia e uma reflexão muito mais ampla sobre Portugal e os portugueses. Não é necessariamente a escolha mais simples para começar, mas continua a ser uma das obras centrais da literatura portuguesa e integra também o quadro de referência oficial de Clássicos da Literatura. 

 

Os Maias, Eça de Queirós

Por detrás da história de Carlos da Maia e Maria Eduarda encontra-se um retrato mordaz da sociedade portuguesa do século XIX. Há romance, tragédia, humor e uma boa dose de crítica social. É extenso, mas a escrita de Eça e as personagens tornam-no bastante mais acessível do que a dimensão do livro pode sugerir.

 

Livro do Desassossego, Fernando Pessoa

Não precisa de ser lido de uma ponta à outra como um romance. Composto por fragmentos atribuídos a Bernardo Soares, semi-heterónimo de Pessoa, é um livro para abrir, parar, regressar e reler. Talvez seja precisamente por isso que continua a conquistar leitores tão diferentes. É também uma das obras destacadas entre os clássicos atualmente comercializados em Portugal.

 

Memorial do Convento, José Saramago

Baltasar e Blimunda encontram-se num Portugal marcado pela construção do Convento de Mafra, pela Inquisição e pelo poder absoluto de D. João V. Pelo meio surge Bartolomeu de Gusmão e o sonho de fazer uma máquina voar. História, amor e fantasia cruzam-se num dos romances mais conhecidos do único escritor português distinguido com o Nobel da Literatura.

 

 

Lista de clássicos da literatura estrangeira traduzidos

Dos grandes romances europeus às distopias do século XX, há livros que continuam a encontrar novos leitores muito depois da época em que foram escritos. Alguns exigem mais tempo e atenção, outros surpreendem precisamente pela facilidade com que ainda hoje se leem. Estes são bons pontos de partida para percorrer diferentes momentos da literatura mundial. 

 

Orgulho e Preconceito, Jane Austen

Muito mais do que uma história de amor. Publicado no início do século XIX, acompanha Elizabeth Bennet e Mr. Darcy enquanto explora as convenções sociais, o casamento, a posição das mulheres e as diferenças de classe. A ironia e os diálogos de Austen ajudam a explicar por que continua a conquistar leitores mais de dois séculos depois. Orgulho e Preconceito surge também entre os clássicos destacados nas referências consultadas.

 

Frankenstein, Mary Shelley

Muito antes das inúmeras adaptações ao cinema, existia o romance de Mary Shelley. A história de Victor Frankenstein e da criatura a que dá vida coloca questões sobre ambição, responsabilidade, isolamento e os limites da ciência. É também um bom exemplo de como um clássico pode ser bastante diferente da imagem que a cultura popular criou à sua volta. 

 

A Metamorfose, de Franz Kafka

Gregor Samsa acorda certa manhã transformado num enorme inseto. É este o ponto de partida de uma obra curta, estranha e profundamente inquietante sobre isolamento, família, identidade e a forma como alguém pode deixar de encontrar o seu lugar no mundo. Pela extensão e pelo ritmo, é também uma opção interessante para quem ainda não tem o hábito de ler clássicos. 

 

1984, George Orwell

Big Brother, duplipensar, Polícia do Pensamento: várias ideias criadas por Orwell ultrapassaram as páginas do romance e entraram no imaginário coletivo. Publicada em 1949, esta distopia acompanha Winston Smith numa sociedade marcada pela vigilância, propaganda e controlo da informação. É um clássico particularmente acessível para quem prefere histórias com um enredo forte.

 

Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski

Um estudante com dificuldades financeiras comete um crime depois de desenvolver uma teoria que procura justificá-lo. Mas é sobretudo depois desse momento que começa verdadeiramente o romance. Culpa, moralidade, consciência e redenção atravessam uma história de enorme intensidade psicológica. Para quem quer aventurar-se pela literatura russa, Dostoiévski é um nome difícil de contornar.

 

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Festas extravagantes, riqueza, aparências e um amor transformado em obsessão. Fitzgerald transporta o leitor para os Estados Unidos dos anos 1920 através da história do misterioso Jay Gatsby e do seu desejo de recuperar o passado. É um romance relativamente curto e uma boa escolha para quem procura um clássico que não intimide logo pelo número de páginas. 

 

O Estrangeiro, Albert Camus

Meursault recebe a notícia da morte da mãe e reage de uma forma que parece contrariar aquilo que os outros esperam dele. A partir daí, Camus constrói uma narrativa breve em torno do absurdo, da existência e das convenções sociais. A escrita direta e a extensão reduzida tornam O Estrangeiro outra opção interessante para começar a explorar os clássicos do século XX. 

 

Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez

A história de várias gerações da família Buendía mistura acontecimentos quotidianos, episódios extraordinários, amores, guerras e fantasmas na povoação fictícia de Macondo. É uma das obras mais associadas ao realismo mágico latino-americano e uma escolha que permite alargar esta lista para além dos clássicos europeus e norte-americanos. A obra está também presente entre os títulos destacados nas referências consultadas.

 

O Monte dos Vendavais, Emily Brontë

Para quem prefere histórias mais intensas, O Monte dos Vendavais acompanha a relação turbulenta entre Catherine Earnshaw e Heathcliff num romance marcado por paixão, ressentimento e vingança. Não é propriamente uma história de amor convencional, apesar de muitas vezes ser apresentada dessa forma, e é precisamente essa dimensão mais sombria que continua a provocar interpretações e discussões entre leitores. 

 

Dom Quixote, Miguel de Cervantes

Depois de ler demasiadas histórias de cavalaria, Alonso Quijano decide tornar-se cavaleiro andante e partir em busca de aventuras, acompanhado pelo inseparável Sancho Pança. Entre humor, sátira e episódios que se tornaram parte da cultura popular, Cervantes constrói também uma reflexão sobre a fronteira entre realidade e imaginação. Dom Quixote integra a lista de obras de referência de Clássicos da Literatura. 

O que torna um livro um “clássico”?

Não existe uma idade a partir da qual um livro recebe oficialmente o estatuto de clássico. Também não basta ter vendido milhões de exemplares ou fazer parte dos programas escolares.

 

Um clássico tende a ser uma obra que resiste ao tempo. Continua a ser lida por novas gerações, permite interpretações diferentes e aborda temas capazes de ultrapassar a época em que foi escrita.

 

A definição está longe de ser fechada. A editora Pan Macmillan, por exemplo, recupera a ideia de Italo Calvino de que os clássicos conseguem surpreender mesmo quando julgamos já os conhecer, enquanto a editora Harriet Sanders destaca a capacidade de resistirem ao tempo e abordarem temas universais que permanecem relevantes.

 

É também por isso que regressar a um clássico alguns anos depois pode proporcionar uma leitura completamente diferente. O livro é o mesmo. O leitor já não é.

 

Essa capacidade de estimular uma leitura autónoma e crítica é, aliás, uma das razões pelas quais a educação literária valoriza o contacto com obras de diferentes períodos e tradições. 

 

 

Livros clássicos de leitura fácil para começar

Começar a ler clássicos não significa ter de pegar imediatamente em Crime e Castigo, de Dostoiévski, e enfrentar centenas de páginas de dilemas morais, culpa e crises existenciais.

 

Comece com calma.

 

Se não tem o hábito de ler este tipo de literatura, experimente histórias mais curtas ou géneros de que já gosta. Estas são algumas sugestões para começar:

  • Para quem gosta de romances: Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, combina romance, humor e crítica social
  • Para os fãs de ficção distópica: 1984, de George Orwell, é uma excelente porta de entrada, com uma história marcada pela vigilância e pelo controlo da sociedade
  • Para quem prefere histórias mais sombrias: Frankenstein, de Mary Shelley, mistura suspense e questões sobre os limites da ciência e a responsabilidade humana
  • Para quem procura leituras mais curtas: O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, O Estrangeiro, de Albert Camus, O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, e A Metamorfose, de Franz Kafka, são boas opções para começar sem enfrentar romances demasiado extensos.

 

E vamos falar do elefante na sala: não tem de gostar de um livro só porque é um clássico. Se uma obra não estiver a resultar, pode deixá-la para outra altura e escolher outra. Há séculos de literatura à espera.

 

 

Onde comprar ou pedir emprestado livros clássicos em Portugal

Para quem prefere o livro em papel, os clássicos são fáceis de encontrar em livrarias físicas e online, muitas vezes em diferentes edições, traduções e faixas de preço. Também vale a pena procurar em alfarrabistas e plataformas de livros em segunda mão, onde é possível encontrar edições mais antigas e, por vezes, a preços mais baixos. Antes de escolher, compare edições e traduções, sobretudo no caso de obras originalmente escritas noutra língua. 

 

Os clientes Santander podem ainda consultar as ofertas disponíveis no Santander Rewards. O programa permite acumular pontos através de produtos, serviços e compras elegíveis e utilizá-los, consoante as opções disponíveis, em produtos da Loja Online, vales de desconto ou reembolsos de compras em parceiros.

 

Se a ideia for ler sem aumentar a pilha de livros em casa, as bibliotecas municipais são uma ótima alternativa. A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNPB) disponibiliza serviços de empréstimo através das bibliotecas que a integram. Desde 2025, existe ainda a BiblioLED, um serviço gratuito de empréstimo de livros digitais e audiolivros acessível aos utilizadores inscritos nas bibliotecas municipais aderentes.

 

Assim, antes de comprar o próximo clássico, pesquise o catálogo da biblioteca da sua zona. Talvez o livro que procura já esteja à sua espera.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.
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