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Há livros que atravessam gerações e continuam tão atuais como no dia em que foram escritos. E não, ler clássicos não significa enfrentar romances de mil páginas ou frases intermináveis.
Do romance à ficção científica, passando pelo terror e pelas distopias, há clássicos para todos os gostos. Talvez só lhe falte encontrar o livro certo para começar.
Comecemos por casa. A literatura portuguesa tem clássicos muito diferentes entre si e há boas opções tanto para quem procura um primeiro contacto como para leitores mais experientes.
É impossível falar de clássicos portugueses sem Camões. Publicado em 1572, o poema épico acompanha a viagem de Vasco da Gama à Índia, onde cruza história, mitologia e uma reflexão muito mais ampla sobre Portugal e os portugueses. Não é necessariamente a escolha mais simples para começar, mas continua a ser uma das obras centrais da literatura portuguesa e integra também o quadro de referência oficial de Clássicos da Literatura.
Por detrás da história de Carlos da Maia e Maria Eduarda encontra-se um retrato mordaz da sociedade portuguesa do século XIX. Há romance, tragédia, humor e uma boa dose de crítica social. É extenso, mas a escrita de Eça e as personagens tornam-no bastante mais acessível do que a dimensão do livro pode sugerir.
Não precisa de ser lido de uma ponta à outra como um romance. Composto por fragmentos atribuídos a Bernardo Soares, semi-heterónimo de Pessoa, é um livro para abrir, parar, regressar e reler. Talvez seja precisamente por isso que continua a conquistar leitores tão diferentes. É também uma das obras destacadas entre os clássicos atualmente comercializados em Portugal.
Baltasar e Blimunda encontram-se num Portugal marcado pela construção do Convento de Mafra, pela Inquisição e pelo poder absoluto de D. João V. Pelo meio surge Bartolomeu de Gusmão e o sonho de fazer uma máquina voar. História, amor e fantasia cruzam-se num dos romances mais conhecidos do único escritor português distinguido com o Nobel da Literatura.
Dos grandes romances europeus às distopias do século XX, há livros que continuam a encontrar novos leitores muito depois da época em que foram escritos. Alguns exigem mais tempo e atenção, outros surpreendem precisamente pela facilidade com que ainda hoje se leem. Estes são bons pontos de partida para percorrer diferentes momentos da literatura mundial.
Muito mais do que uma história de amor. Publicado no início do século XIX, acompanha Elizabeth Bennet e Mr. Darcy enquanto explora as convenções sociais, o casamento, a posição das mulheres e as diferenças de classe. A ironia e os diálogos de Austen ajudam a explicar por que continua a conquistar leitores mais de dois séculos depois. Orgulho e Preconceito surge também entre os clássicos destacados nas referências consultadas.
Muito antes das inúmeras adaptações ao cinema, existia o romance de Mary Shelley. A história de Victor Frankenstein e da criatura a que dá vida coloca questões sobre ambição, responsabilidade, isolamento e os limites da ciência. É também um bom exemplo de como um clássico pode ser bastante diferente da imagem que a cultura popular criou à sua volta.
Gregor Samsa acorda certa manhã transformado num enorme inseto. É este o ponto de partida de uma obra curta, estranha e profundamente inquietante sobre isolamento, família, identidade e a forma como alguém pode deixar de encontrar o seu lugar no mundo. Pela extensão e pelo ritmo, é também uma opção interessante para quem ainda não tem o hábito de ler clássicos.
Big Brother, duplipensar, Polícia do Pensamento: várias ideias criadas por Orwell ultrapassaram as páginas do romance e entraram no imaginário coletivo. Publicada em 1949, esta distopia acompanha Winston Smith numa sociedade marcada pela vigilância, propaganda e controlo da informação. É um clássico particularmente acessível para quem prefere histórias com um enredo forte.
Um estudante com dificuldades financeiras comete um crime depois de desenvolver uma teoria que procura justificá-lo. Mas é sobretudo depois desse momento que começa verdadeiramente o romance. Culpa, moralidade, consciência e redenção atravessam uma história de enorme intensidade psicológica. Para quem quer aventurar-se pela literatura russa, Dostoiévski é um nome difícil de contornar.
Festas extravagantes, riqueza, aparências e um amor transformado em obsessão. Fitzgerald transporta o leitor para os Estados Unidos dos anos 1920 através da história do misterioso Jay Gatsby e do seu desejo de recuperar o passado. É um romance relativamente curto e uma boa escolha para quem procura um clássico que não intimide logo pelo número de páginas.
Meursault recebe a notícia da morte da mãe e reage de uma forma que parece contrariar aquilo que os outros esperam dele. A partir daí, Camus constrói uma narrativa breve em torno do absurdo, da existência e das convenções sociais. A escrita direta e a extensão reduzida tornam O Estrangeiro outra opção interessante para começar a explorar os clássicos do século XX.
A história de várias gerações da família Buendía mistura acontecimentos quotidianos, episódios extraordinários, amores, guerras e fantasmas na povoação fictícia de Macondo. É uma das obras mais associadas ao realismo mágico latino-americano e uma escolha que permite alargar esta lista para além dos clássicos europeus e norte-americanos. A obra está também presente entre os títulos destacados nas referências consultadas.
Para quem prefere histórias mais intensas, O Monte dos Vendavais acompanha a relação turbulenta entre Catherine Earnshaw e Heathcliff num romance marcado por paixão, ressentimento e vingança. Não é propriamente uma história de amor convencional, apesar de muitas vezes ser apresentada dessa forma, e é precisamente essa dimensão mais sombria que continua a provocar interpretações e discussões entre leitores.
Depois de ler demasiadas histórias de cavalaria, Alonso Quijano decide tornar-se cavaleiro andante e partir em busca de aventuras, acompanhado pelo inseparável Sancho Pança. Entre humor, sátira e episódios que se tornaram parte da cultura popular, Cervantes constrói também uma reflexão sobre a fronteira entre realidade e imaginação. Dom Quixote integra a lista de obras de referência de Clássicos da Literatura.
Não existe uma idade a partir da qual um livro recebe oficialmente o estatuto de clássico. Também não basta ter vendido milhões de exemplares ou fazer parte dos programas escolares.
Um clássico tende a ser uma obra que resiste ao tempo. Continua a ser lida por novas gerações, permite interpretações diferentes e aborda temas capazes de ultrapassar a época em que foi escrita.
A definição está longe de ser fechada. A editora Pan Macmillan, por exemplo, recupera a ideia de Italo Calvino de que os clássicos conseguem surpreender mesmo quando julgamos já os conhecer, enquanto a editora Harriet Sanders destaca a capacidade de resistirem ao tempo e abordarem temas universais que permanecem relevantes.
É também por isso que regressar a um clássico alguns anos depois pode proporcionar uma leitura completamente diferente. O livro é o mesmo. O leitor já não é.
Essa capacidade de estimular uma leitura autónoma e crítica é, aliás, uma das razões pelas quais a educação literária valoriza o contacto com obras de diferentes períodos e tradições.
Começar a ler clássicos não significa ter de pegar imediatamente em Crime e Castigo, de Dostoiévski, e enfrentar centenas de páginas de dilemas morais, culpa e crises existenciais.
Comece com calma.
Se não tem o hábito de ler este tipo de literatura, experimente histórias mais curtas ou géneros de que já gosta. Estas são algumas sugestões para começar:
E vamos falar do elefante na sala: não tem de gostar de um livro só porque é um clássico. Se uma obra não estiver a resultar, pode deixá-la para outra altura e escolher outra. Há séculos de literatura à espera.
Para quem prefere o livro em papel, os clássicos são fáceis de encontrar em livrarias físicas e online, muitas vezes em diferentes edições, traduções e faixas de preço. Também vale a pena procurar em alfarrabistas e plataformas de livros em segunda mão, onde é possível encontrar edições mais antigas e, por vezes, a preços mais baixos. Antes de escolher, compare edições e traduções, sobretudo no caso de obras originalmente escritas noutra língua.
Os clientes Santander podem ainda consultar as ofertas disponíveis no Santander Rewards. O programa permite acumular pontos através de produtos, serviços e compras elegíveis e utilizá-los, consoante as opções disponíveis, em produtos da Loja Online, vales de desconto ou reembolsos de compras em parceiros.
Se a ideia for ler sem aumentar a pilha de livros em casa, as bibliotecas municipais são uma ótima alternativa. A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNPB) disponibiliza serviços de empréstimo através das bibliotecas que a integram. Desde 2025, existe ainda a BiblioLED, um serviço gratuito de empréstimo de livros digitais e audiolivros acessível aos utilizadores inscritos nas bibliotecas municipais aderentes.
Assim, antes de comprar o próximo clássico, pesquise o catálogo da biblioteca da sua zona. Talvez o livro que procura já esteja à sua espera.
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