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SIID I&D Empresarial: como funciona este apoio do Portugal 2030

4 minutos de leitura
Publicado a 30 setembro 2026
Escrito por Eduardo Silva
Quatro pessoas numa reunião, sentadas à volta de uma mesa e a conversar sobre um projeto

Criar um novo produto, desenvolver uma tecnologia ou testar uma solução inovadora exige investimento, muitas vezes numa fase em que ainda há incerteza sobre o resultado.

 

É precisamente aqui que o SIID - I&D Empresarial, integrado no Portugal 2030, pode ajudar. Mas do que se trata? Que projetos podem ser apoiados? E que empresas se podem candidatar?

 

 

O que é o SIID I&D Empresarial?

O SIID I&D Empresarial destina-se a apoiar empresas que desenvolvam atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) com o objetivo de criar novos produtos, processos ou serviços, ou introduzir melhorias significativas nos que já existem.

 

Ao contrário de outros incentivos direcionados para aumentar a capacidade produtiva, aqui o foco está na criação de conhecimento e na resolução de desafios científicos ou tecnológicos.

 

As atividades de I&D apoiadas podem enquadrar-se, nomeadamente, em dois tipos:

  • Investigação industrial, quando o objetivo é adquirir novos conhecimentos e competências para desenvolver ou melhorar uma solução
  • Desenvolvimento experimental, quando conhecimentos existentes são utilizados para criar e testar protótipos, projetos-piloto ou outras soluções.

 

É, portanto, um apoio pensado para projetos em que ainda existe investigação, desenvolvimento e validação por fazer.

 

 

Quem pode beneficiar do SIID I&D Empresarial?

Podem beneficiar deste sistema de incentivos PME e Small Mid Caps. Em operações financiadas pelo Fundo para uma Transição Justa, podem ainda ser elegíveis grandes empresas, nos termos previstos nos respetivos Planos Territoriais para uma Transição Justa. 

 

As candidaturas podem ser apresentadas individualmente, por uma única empresa, ou em copromoção, através de projetos desenvolvidos em conjunto por várias empresas ou em colaboração com Entidades Não Empresariais do Sistema de Investigação e Inovação, como universidades, politécnicos ou centros de investigação.

 

Nos projetos em copromoção, a entidade líder tem de ser uma empresa.

 

Este modelo pode ser particularmente interessante quando o projeto exige conhecimentos, competências ou infraestruturas que a empresa não possui internamente.

Que despesas podem ser financiadas?

As despesas elegíveis dependem da tipologia do projeto e do aviso a que a empresa se candidata. Entre os custos que podem ser apoiados encontram-se:

  • Pessoal técnico dedicado às atividades de I&D
  • Matérias-primas, consumíveis e componentes utilizados, por exemplo, no desenvolvimento de protótipos
  • Instrumentos, equipamento técnico-científico e software específico necessários ao projeto
  • Serviços especializados, como assistência técnica, científica ou consultoria
  • Aquisição ou licenciamento de patentes
  • Custos associados ao pedido de patentes, modelos de utilidade ou desenhos
  • Determinadas viagens, ações de divulgação e custos indiretos, quando previstos.

 

No caso de alguns equipamentos, pode ser elegível apenas a amortização correspondente ao período em que são utilizados no projeto.

 

O apoio assume a forma de subvenção. Em tipologias como projetos de I&DT e projetos demonstradores, a taxa base pode chegar a 50% na investigação industrial e 25% no desenvolvimento experimental, existindo majorações que, em determinadas condições, podem elevar a intensidade do apoio até 80%. As condições concretas devem ser sempre confirmadas no aviso em vigor.

 

 

SIID I&D Empresarial ou SICE Inovação Produtiva? 

Embora ambos façam parte dos sistemas de incentivos do Portugal 2030, respondem a momentos diferentes do investimento.

  • No SIID I&D Empresarial, a empresa ainda está a investigar, desenvolver ou testar uma solução. Pode estar, por exemplo, a tentar ultrapassar um desafio tecnológico, criar um protótipo ou perceber se determinada tecnologia é viável
  • Já o SICE Inovação Produtiva está mais direcionado para investimentos produtivos de natureza inovadora, como a criação ou aumento da capacidade de um estabelecimento, a diversificação da produção ou alterações significativas no processo produtivo.

 

Assim, uma empresa pode recorrer a diferentes instrumentos à medida que o projeto evolui: primeiro desenvolver e validar uma solução e, posteriormente, investir na capacidade necessária para a produzir.

 

 

Como preparar uma candidatura ao SIID?

Mais do que apresentar uma ideia inovadora, a candidatura deve demonstrar o que a empresa pretende desenvolver, qual a novidade da solução e que desafios técnicos ou científicos precisam de ser resolvidos.

 

Antes de avançar, é importante:

  • Definir o projeto de I&D, explicando a novidade e as incertezas técnicas ou científicas envolvidas
  • Estruturar a equipa, identificando os recursos internos e eventuais parceiros tecnológicos ou científicos
  • Preparar o orçamento, estimando pessoal, equipamentos, materiais e serviços necessários
  • Confirmar os requisitos do aviso, incluindo as condições de elegibilidade da empresa, do projeto e das despesas.

 

É também necessário verificar as restantes obrigações aplicáveis ao projeto, incluindo requisitos ambientais, quando previstos, e assegurar que a empresa reúne as condições necessárias para financiar a parte do investimento que não é coberta pelo incentivo.

 

Os projetos apoiados podem ainda ser articulados com outros instrumentos de apoio à I&D, como o SIFIDE, desde que sejam respeitadas as regras aplicáveis e não exista financiamento duplicado das mesmas despesas.

 

 

Projeto aprovado? A execução também conta

A aprovação da candidatura não encerra o processo. Durante a execução, é necessário cumprir os prazos definidos, manter organizada a documentação técnica e financeira e comprovar corretamente as despesas apresentadas.

 

Uma boa gestão desta fase ajuda a reduzir atrasos nos pedidos de pagamento e o risco de existirem despesas que acabem por não ser consideradas elegíveis. Saiba como gerir a execução de um projeto Portugal 2030 e garantir os reembolsos, desde os pedidos de pagamento até à organização da documentação necessária.

 

Quando o projeto envolve várias despesas, parceiros ou requisitos específicos, contar com acompanhamento especializado pode também ajudar a antecipar dificuldades, esclarecer dúvidas ao longo da execução e garantir um acompanhamento mais próximo das obrigações associadas ao incentivo.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Foto de Eduardo Silva

Diretor de Operações da Yunit Consulting

Eduardo Silva

Formado em Engenharia Eletrónica Industrial e Informática, combina mais de 16 anos de experiência com a visão estratégica da Yunit: estar ao lado das empresas nos momentos chave de decisão, ajudando a desbloquear o seu potencial de capitalização e crescimento através de Fundos Europeus, Benefícios Fiscais, Sustentabilidade e M&A.
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