Família

Quando a tempestade passa, os animais ficam. Como ajudar em situações de emergência

5 minutos de leitura
Publicado a 10 Fevereiro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Cão atrás de uma rede num espaço exterior

Nas últimas semanas, Portugal tem vivido uma sucessão de temporais que deixaram marcas profundas. Casas destruídas, estradas cortadas, famílias desalojadas. Mas há uma parte desta história que muitas vezes passa para segundo plano: os animais que ficaram para trás, os que fugiram assustados, os que perderam o abrigo, os que dependem totalmente de ajuda humana para sobreviver.

 

As depressões Kristin, Leonardo, Marta e outras não trouxeram apenas chuva e vento. Trouxeram medo, caos e uma realidade dura para milhares de animais de companhia, animais de quinta e associações de proteção animal que já viviam no limite antes mesmo das tempestades começarem.

 

 

Animais desaparecidos após temporais. O que está a acontecer no terreno?

A água sobe, o vento derruba vedações e os telhados desaparecem. Durante tudo isto, o instinto dos animais ativa-se e eles reagem. Fogem. Escondem-se. Ficam isolados. Alguns ficam presos em zonas inundadas durante dias.

 

Em várias regiões do país, bombeiros, Forças Armadas, autarquias e voluntários têm estado no terreno a fazer o possível. Houve resgates de animais, transporte para zonas seguras e missões diárias para garantir alimentação a animais isolados pelas cheias, incluindo animais de companhia e animais de exploração agrícola, como bovinos, ovinos e equídeos. Em zonas onde os acessos ficaram cortados, o apoio alimentar temporário tem sido decisivo para evitar perdas maiores.

 

Ao mesmo tempo, associações de proteção animal viram as suas instalações destruídas de um dia para o outro. Gatis e canis ficaram sem telhado, muros ruíram, animais desapareceram em pânico. Para muitas destas associações, o desafio não é só salvar os animais, é recomeçar do zero.

 

 

Associações de proteção animal em emergência

Os temporais tiveram um impacto profundo em estruturas dedicadas à proteção animal, sobretudo nas regiões mais afetadas. Em vários casos, instalações ficaram danificadas ou inutilizáveis, animais desapareceram durante o caos e surgiram despesas inesperadas difíceis de suportar de um dia para o outro.

 

Associações como a SOS Animal têm alertado para um problema estrutural que se repete sempre que há incêndios, cheias ou tempestades: em Portugal, não existe um mecanismo nacional de apoio especificamente desenhado para o resgate e a proteção de animais em situações de catástrofe. Perante essa ausência, a resposta acaba muitas vezes por depender de iniciativas locais e de voluntariado, nem sempre com meios suficientes ou coordenação formal.

 

Com fenómenos extremos cada vez mais frequentes, esta fragilidade torna-se mais visível após a fase de emergência imediata. Ficam espaços destruídos, animais em risco e a necessidade urgente de reorganizar respostas, muitas vezes sem enquadramento estruturado.

 

Ainda assim, em muitos destes contextos, é a comunidade que surge como primeira linha de apoio. Pessoas que acolhem temporariamente animais, ajudam na recuperação dos espaços ou partilham informação para localizar animais desaparecidos. Uma solidariedade essencial, mas que evidencia uma realidade difícil de ignorar: sem respostas públicas estruturadas, o peso da recuperação continua a recair sobre quem está mais próximo do problema.

 

 

Apoios existentes. O que há (e o que ainda falta)

Apesar da ausência de um plano nacional estruturado, existem algumas respostas pontuais importantes:

 

 

Ao mesmo tempo, partidos como o PAN têm pedido ao Governo apoios extraordinários para associações zoófilas afetadas e medidas de planeamento futuro, como hospitais de campanha veterinários e mecanismos de financiamento simplificados.

Como ajudar animais em situações de tempestade e cheias

A ajuda não é só para quem está no terreno. Há muito que pode ser feito à distância e com impacto real.

 

Ajudar associações afetadas

As associações precisam de três coisas básicas em momentos como estes: dinheiro, materiais e pessoas.

 

Donativos financeiros ajudam a responder rapidamente a despesas urgentes, como alimentação, cuidados veterinários e reconstrução de abrigos. Materiais de construção, rações e mantas são igualmente essenciais. E, quando possível, braços para ajudar a limpar, reconstruir e reorganizar espaços fazem toda a diferença.

 

Se conhecer alguma associação afetada ou tiver conhecimento de uma necessidade concreta, entre em contacto direto e ofereça o que puder. Dinheiro, materiais, tempo ou até uma partilha. Em momentos como estes, cada gesto conta.

 

E para garantir que a ajuda chega a quem precisa, confirme sempre os canais oficiais da associação.

 

Apoiar plataformas comunitárias de ajuda

Após a tempestade Kristin, surgiu a plataforma “Tempestade SOS”, criada por voluntários, para fazer a ponte entre quem precisa de ajuda e quem pode ajudar. Funciona por correspondência geográfica e tipo de necessidade, sempre com cuidados de segurança.

 

É o tipo de iniciativa que mostra como a comunidade pode organizar-se rapidamente quando há vontade coletiva.

 

Ajudar a encontrar animais desaparecidos

Depois de um temporal, muitos animais fogem em pânico e acabam por se perder. Aqui, a partilha de informação é decisiva.

 

Projetos como páginas de redes sociais dedicadas a animais desaparecidos após tempestades ajudam a centralizar pedidos, fotografias e contactos. Quanto mais pessoas partilharem, maiores são as hipóteses de um reencontro feliz.

 

Se encontrar um animal:

 

  • Não o solte novamente
  • Ofereça abrigo e água
  • Leve-o a um veterinário para verificar se tem microchip
  • Divulgue a informação com fotografias claras e localização aproximada.

 

 

Kit de emergência para animais: prevenção que salva vidas

Nem tudo é reação. A prevenção continua a ser uma das maiores formas de ajuda.

 

Ter um kit de emergência preparado para os animais de companhia pode fazer a diferença numa evacuação rápida. O essencial inclui:

 

  • Transportadora resistente e identificada
  • Trela e arnês, mesmo para gatos
  • Alimentação e água para vários dias
  • Tigelas portáteis
  • Medicação habitual e registos veterinários
  • Kit básico de primeiros socorros
  • Um objeto familiar que ajude a reduzir o stress.

 

 

A boa notícia é que, mesmo sem um sistema perfeito, cada gesto conta. Uma partilha, um donativo, um voluntariado pontual, um animal reencontrado. Tudo isso soma.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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