Finanças

Conheça as medidas de apoio do Governo aos afetados pela tempestade Kristin

6 minutos de leitura
Publicado a 2 Fevereiro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Árvore caída no meio da estrada devido a tempestade

A noite de 27 para 28 de janeiro de 2026 ficou marcada por vento extremo, chuva intensa e cheias em várias zonas do país. Em poucas horas, a tempestade Kristin provocou estragos significativos em habitações, empresas, explorações agrícolas, infraestruturas rodoviárias e ferroviárias e equipamentos públicos. Para muitas famílias e negócios, a normalidade ficou suspensa de um dia para o outro.

 

Perante a dimensão dos danos, o Governo reuniu em Conselho de Ministros extraordinário e aprovou um pacote alargado de medidas de emergência e recuperação, com um valor global estimado em 2,5 mil milhões de euros

 

 

Situação de calamidade prolongada até 8 de fevereiro

Uma das primeiras decisões foi o prolongamento da situação de calamidade até às 23h59 do dia 8 de fevereiro de 2026, tendo em conta a continuidade das necessidades de apoio às populações e o risco de novas cheias.

 

Além dos concelhos já abrangidos, o Governo alargou a situação de calamidade a vários municípios, sobretudo na região Centro e litoral, como Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar, Sever do Vouga e Alcácer do Sal. Durante este período, mantêm-se em vigor todos os efeitos e apoios previstos na legislação de proteção civil.

 

 

Apoios diretos às famílias afetadas pela tempestade Kristin

Para quem perdeu rendimento ou ficou numa situação de carência imediata, foi criado um conjunto de apoios sociais excecionais, geridos pela Segurança Social.

 

Os apoios destinam-se a cobrir despesas urgentes e inadiáveis, como alimentação, bens essenciais ou outras necessidades básicas decorrentes dos danos causados pela tempestade.

 

Os subsídios podem assumir várias formas:

 

  • Apoios financeiros em dinheiro ou em espécie
  • Concessão única ou pagamento em prestações
  • Avaliação caso a caso, feita pelos serviços da Segurança Social.

 

O valor máximo do apoio pode chegar a 1.074,26 euros por elemento do agregado familiar, o equivalente a duas vezes o IAS, podendo ser pago até ao limite de 12 prestações mensais.

 

 

Apoio à habitação própria e permanente até 10.000 euros

Uma das medidas mais relevantes diz respeito à habitação própria e permanente. O Governo criou um apoio direto até 10.000 euros para obras de reparação, reabilitação ou reconstrução de casas danificadas pela tempestade Kristin, num modelo semelhante ao que já foi aplicado após incêndios.

 

O apoio abrange:

 

  • Habitações utilizadas como residência habitual
  • Imóveis localizados em concelhos abrangidos pela situação de calamidade
  • Situações com ou sem cobertura de seguro, desde que os danos sejam validados.

 

Também passam a ser elegíveis despesas de realojamento temporário, sempre que a casa não possa ser habitada. Os custos são avaliados com base em orçamentos apresentados pelo beneficiário e validados pela autarquia e pela CCDR competente.

 

Para despesas não cobertas pela subvenção pública, o IFRRU disponibiliza ainda linhas de crédito complementares.

 

 

Agricultura e floresta: apoio à reposição da capacidade produtiva

As explorações agrícolas e florestais afetadas pela tempestade passam a contar com um apoio até 10.000 euros para reposição da capacidade produtiva, igualmente num regime semelhante ao dos incêndios florestais.

 

O apoio destina-se a cobrir prejuízos diretos quando não exista seguro aplicável e será atribuído após avaliação técnica dos danos.

 

 

Empresas: contribuições, lay-off e apoios ao emprego

Para as empresas atingidas, o pacote aprovado combina alívio imediato de encargos com medidas de proteção do emprego.

 

Entre as principais decisões estão:

 

  • Isenção total ou parcial do pagamento de contribuições para a Segurança Social, até seis meses, com possibilidade de prorrogação
  • Isenção parcial de 50% da taxa contributiva a cargo do empregador por um período até um ano
  • Regime simplificado de redução ou suspensão da atividade (lay-off), com dispensa de algumas obrigações legais.

 

No domínio do emprego e da formação profissional, o IEFP passa a disponibilizar:

 

  • Incentivos financeiros extraordinários à manutenção de postos de trabalho
  • Apoios específicos para trabalhadores independentes
  • Prioridade no acesso a medidas ativas de emprego
  • Um plano extraordinário de qualificação e formação profissional.

 

 

Moratórias no crédito à habitação e aos empréstimos das empresas

Para aliviar a pressão financeira imediata, foi aprovada uma moratória de 90 dias nos empréstimos bancários relativos:

 

  • À habitação própria e permanente
  • A empresas e outras pessoas coletivas sediadas em áreas em situação de calamidade.

 

Durante este período, os pagamentos ficam suspensos. O Governo anunciou, ainda, que está a trabalhar, em articulação com o Banco de Portugal e a Associação Portuguesa de Bancos, num regime seletivo de moratórias até 12 meses para situações de danos mais profundos.

 

 

Moratória fiscal até final de março

Os contribuintes e contabilistas com sede nos municípios afetados beneficiam de uma dilação dos prazos fiscais. As obrigações que venceriam entre 28 de janeiro e 31 de março passam a poder ser cumpridas até 30 de abril de 2026.

 

Esta medida aplica-se a impostos, declarações e outros deveres fiscais, permitindo maior folga num período de recuperação.

 

 

Linhas de crédito do Banco Português de Fomento

O apoio à liquidez e à reconstrução passa também por duas linhas de crédito específicas, criadas no âmbito do Banco Português de Fomento.

 

Linha de crédito à tesouraria

  • Montante: 500 milhões de euros
  • Maturidade: 5 anos
  • Carência: 12 meses
  • Destinada a necessidades imediatas de liquidez e fundo de maneio.

 

Linha de crédito à recuperação e reconstrução

  • Montante: 1.000 milhões de euros
  • Maturidade: 10 anos
  • Carência: 36 meses
  • Cobertura inicial de 100% dos prejuízos validados
  • Subvenção até 10% após 36 meses, mediante critérios de manutenção de atividade, emprego e cobertura de seguros.

Infraestruturas, escolas e património cultural

O pacote inclui verbas expressivas para a recuperação do espaço público e do património coletivo:

 

 

 

Menos burocracia para acelerar a reconstrução

Para evitar atrasos, foi criado um regime excecional de dispensa de controlos administrativos prévios em obras públicas e privadas de reconstrução. O licenciamento urbanístico, ambiental e outros controlos passam a ser feitos de forma sucessiva, permitindo avançar mais rapidamente com as intervenções.

 

 

Uma estrutura dedicada à recuperação no terreno

Por fim, o Governo aprovou a criação de uma Estrutura de Missão para a Reconstrução da região Centro, com sede em Leiria e início de funções a 2 de fevereiro de 2026. Esta estrutura vai coordenar o trabalho entre ministérios, autarquias, CCDR, entidades sociais e empresas, assegurando que os apoios chegam de forma mais eficaz.

 

A coordenação ficará a cargo do Eng.º Paulo Fernandes, com acompanhamento político direto do Governo, liderado pelo Primeiro-Ministro Luís Montenegro.

 

Leia aqui o comunicado oficial, de dia 1 de fevereiro.

 

 

Paralelamente às medidas públicas, o apoio no terreno continua a desempenhar um papel decisivo, com autarquias, instituições sociais e iniciativas da sociedade civil a responderem às necessidades mais imediatas das populações afetadas.

 

Para quem queira apoiar, esse esforço concretiza-se sobretudo através de respostas organizadas localmente, que incluem a doação de bens essenciais, o voluntariado no terreno ou contributos financeiros canalizados por entidades sociais.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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