Finanças

Classes energéticas: o que são e como as interpretar?

6 minutos de leitura
Publicado a 2 julho 2026
Escrito por Rute Ferreira
Senhora a escolher máquina de lavar a louça numa loja

Afinal, uma máquina de lavar classe C é boa ou má? Uma casa com classe D é preocupante? E porque é que nos eletrodomésticos já não se veem tantos A+++ como antes?

 

Perceber as classes energéticas ajuda a tomar decisões mais informadas, a comparar produtos e imóveis com mais critério e, em muitos casos, a poupar energia ao longo do tempo.

 

 

O que são classes energéticas?

As classes energéticas indicam o nível de eficiência energética de um equipamento, produto ou edifício. Quanto melhor for a classe, menor tende a ser a energia necessária para garantir a mesma função, seja lavar roupa, conservar alimentos, aquecer água ou manter uma casa confortável.

 

No caso dos eletrodomésticos, a classe surge na etiqueta energética. Nos imóveis, aparece no certificado energético. As escalas não são iguais, mas o objetivo é o mesmo: ajudar a comparar consumos, desempenho e potencial de poupança.

 

 

Como funcionam as classes energéticas nos eletrodomésticos?

Nos eletrodomésticos e noutros produtos relacionados com energia, a informação aparece na etiqueta energética.

 

A etiqueta permite comparar equipamentos da mesma categoria, por exemplo dois frigoríficos, duas máquinas de lavar roupa ou duas televisões. 

 

Nas categorias já abrangidas pela nova etiqueta energética, a classificação usa uma escala de A a G, em que:

 

  • A representa a classe mais eficiente
  • G representa a classe menos eficiente.

 

Além da letra, a etiqueta usa uma escala de cores, normalmente do verde ao vermelho, para tornar a leitura mais rápida. Quanto mais próxima do verde e da letra A, melhor será o desempenho energético do equipamento.

 

E, dependendo do tipo de produto, a etiqueta energética pode incluir informação como:

 

  • Consumo de energia
  • Consumo de água
  • Capacidade
  • Nível de ruído
  • Duração de programas
  • Eficiência de determinados ciclos
  • Código QR para consultar informação técnica adicional.

 

Mas a classe energética, por si só, não conta a história toda. Um equipamento de classe superior pode consumir mais energia do que outro se for muito maior ou se tiver uma utilização diferente. Por isso, além da letra, vale sempre a pena olhar para o consumo indicado em kWh e comparar equipamentos semelhantes.

 

 

O que mudou com a nova etiqueta energética

Durante vários anos, muitos eletrodomésticos usavam classificações como A+, A++ e A+++. Com a evolução tecnológica, demasiados produtos passaram a concentrar-se nessas categorias, tornando mais difícil perceber quais eram realmente os mais eficientes.

 

Para simplificar a leitura, a União Europeia iniciou o reescalonamento da etiqueta energética e recuperou a escala de A a G em várias categorias de produtos. Assim, um equipamento que antes era A+++ pode agora surgir como B, C ou até uma classe inferior, sem que isso signifique que passou a consumir mais. A escala é que se tornou mais exigente.

 

Desde 2021, o símbolo “+” deixou de ser usado em várias categorias, como frigoríficos, máquinas de lavar loiça, máquinas de lavar roupa, televisores, monitores, lâmpadas e produtos de iluminação. 

Como funcionam as classes energéticas nos imóveis?

Nos imóveis, a classificação energética aparece no certificado energético. Em Portugal, a escala usada nos edifícios de habitação vai de A+ a F:

 

  • A+ corresponde ao melhor desempenho energético
  • F corresponde ao pior desempenho energético
  • Nos edifícios novos, a classe mínima exigida é B-.

 

Aqui, ao contrário do que acontece em muitos eletrodomésticos, continua a existir a classe A+.

 

A classe energética de uma casa é atribuída por um perito qualificado, no âmbito do Sistema de Certificação Energética dos Edifícios. A avaliação considera vários elementos do imóvel, como:

 

  • Paredes, cobertura, pavimentos e isolamento
  • Janelas, vidros e caixilharias
  • Orientação solar
  • Localização
  • Sistemas de ventilação
  • Equipamentos de aquecimento e arrefecimento
  • Produção de águas quentes sanitárias
  • Eventual utilização de energias renováveis.

 

Ou seja, uma casa não é classificada apenas por ter bons eletrodomésticos ou lâmpadas LED. O que está em causa é o desempenho energético do edifício ou da fração, tendo em conta as suas características construtivas e os sistemas instalados.

 

O certificado energético também inclui medidas de melhoria. Esta parte é especialmente útil porque ajuda o proprietário a perceber o que pode ser feito para reduzir consumos, melhorar o conforto e, em alguns casos, subir a classe energética da habitação.

 

 

Etiqueta energética vs certificado energético

A etiqueta energética e o certificado energético têm nomes parecidos, mas servem objetivos diferentes.

 

  • A etiqueta energética aplica-se a produtos, como eletrodomésticos, equipamentos de climatização, lâmpadas ou outros produtos abrangidos pelas regras europeias de etiquetagem. Ajuda o consumidor a comparar modelos antes da compra
  • O certificado energético aplica-se a edifícios ou frações. Indica o desempenho energético de uma casa, loja, escritório ou outro edifício abrangido pelo Sistema de Certificação Energética.

 

Quando cada documento é obrigatório

A etiqueta energética deve estar disponível:

 

  • Nas categorias de produtos abrangidas pelas regras europeias
  • Em lojas físicas e em vendas online
  • De forma visível, para ajudar o consumidor a comparar equipamentos antes da compra.

 

Já o certificado energético é obrigatório, entre outras situações:

 

  • Em edifícios novos
  • Em imóveis sujeitos a grandes renovações
  • Na venda, arrendamento, dação em cumprimento ou trespasse, quando exista transmissão do espaço físico
  • Em anúncios de venda ou arrendamento, nos quais deve ser indicada a classe energética do imóvel
  • Em alguns edifícios de comércio e serviços, edifícios públicos ou imóveis abrangidos por programas de financiamento e benefícios fiscais, quando a certificação seja exigida.

 

 

Qual é a melhor classe energética?

Depende do que está a ser analisado.

 

  • Nos eletrodomésticos abrangidos pela nova etiqueta energética, a melhor classe é a A.
  • Nos imóveis, a melhor classificação é A+.

 

Ainda assim, uma classe B ou C num equipamento não significa, automaticamente, uma má escolha. A nova escala é mais exigente e deve ser lida em conjunto com outros dados, como:

 

  • O consumo indicado em kWh,
  • A capacidade
  • A dimensão
  • Os custos de manutenção
  • E a utilização prevista para o equipamento.

 

Nas casas, uma classe energética mais elevada tende a significar melhor conforto térmico e menor necessidade de energia para aquecimento, arrefecimento e águas quentes sanitárias.

 

Mas a decisão deve considerar também:

 

  • O preço da compra
  • A localização
  • O estado do imóvel
  • E as necessidades de quem vai viver na casa.

 

 

A classe energética influencia o valor de uma casa?

Pode influenciar, sim. Uma casa com melhor classe energética tende a ser mais atrativa para comprar ou arrendar, porque pode oferecer maior conforto térmico e custos energéticos mais controlados.

 

Além disso, a certificação energética pode ser relevante no acesso a determinados financiamentos, incentivos ou benefícios fiscais, quando estes tenham esse requisito.

 

Em matéria de IMI, os municípios podem fixar, mediante deliberação da Assembleia Municipal, uma redução até 25% da taxa aplicável aos prédios urbanos com eficiência energética (artigo 44.º-B do Estatuto dos Benefícios Fiscais). Considera-se existir eficiência energética quando o imóvel tenha classe energética igual ou superior a A, ou quando a classe energética melhora em, pelo menos, duas classes face à anteriormente certificada, em resultado de obras.

 

 

Como melhorar a classe energética da minha habitação?

Melhorar a classe energética de uma casa passa, muitas vezes, por reduzir perdas de energia e tornar os sistemas mais eficientes.

 

Algumas intervenções comuns incluem:

 

  • Substituir janelas antigas por janelas mais eficientes
  • Melhorar o isolamento de paredes, coberturas ou pavimentos
  • Corrigir infiltrações, pontes térmicas e problemas de humidade
  • Instalar sistemas de climatização mais eficientes
  • Trocar equipamentos antigos de aquecimento de água
  • Apostar em soluções renováveis, como painéis solares térmicos ou fotovoltaicos
  • Melhorar a ventilação da habitação
  • Instalar proteções solares, como estores ou sombreamentos adequados
  • Substituir iluminação por soluções LED.

 

O ponto de partida deve ser o certificado energético, que identifica medidas de melhoria e ajuda a perceber quais podem ter mais impacto. 

 

E, se está a pensar seriamente em tornar a sua casa mais eficiente, o Crédito para Energias Renováveis do Santander pode ajudar a financiar soluções como painéis solares, baterias, bombas de calor ou outras melhorias que contribuam para reduzir consumos e aumentar o conforto da habitação.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.
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