Finanças

Crédito habitação: deve escolher taxa fixa ou variável?

3 minutos de leitura
Atualizado a 1 agosto 2026
Taxa fixa ou variável no crédito à habitação?

Taxa fixa ou variável? Se está a pensar em comprar casa com recurso a um crédito habitação, é importante saber como esta decisão afeta o seu empréstimo.

 

 

O que é a taxa de juro no crédito habitação?

Vamos começar pelo início: entender o que é a taxa de juro. Quando pede um crédito habitação, o banco não empresta apenas o valor da casa. Cobra também uma taxa de juro, que é, basicamente, a forma de rentabilizar esse empréstimo.

 

Essa taxa pode manter-se sempre igual (taxa fixa) ou mudar ao longo do tempo (taxa variável). Há ainda uma terceira opção, a taxa mista, que combina ambas.

 

 

Taxa variável: o valor da prestação pode subir ou descer

Neste regime, a taxa de juro é revista periodicamente (de 3 em 3 meses, 6 em 6 ou de ano a ano) e acompanha a evolução da Euribor, que é o indexante utilizado neste tipo de crédito.

 

A taxa variável resulta da soma de dois elementos:

  • Euribor (indexante): reflete os juros médios praticados entre bancos na zona euro
  • Spread: margem de lucro definida pelo banco, que se mantém estável durante o contrato (salvo renegociação).

 

 

Como funciona a taxa variável?

Se a Euribor subir, a sua prestação sobe. Se a Euribor descer, a sua prestação desce. Tão simples quanto isto.

 

Por este motivo, é um tipo de taxa que envolve mais risco mas também pode compensar em momentos em que a Euribor está em queda.

 

 

Vantagens e desvantagens da taxa variável

Vantagens

  • Prestação pode descer, se a Euribor baixar
  • Inicialmente, costuma ter uma taxa mais baixa do que a fixa.

 

Desvantagens

  • Prestação pode subir de forma significativa
  • Menor previsibilidade do valor mensal a pagar
  • Exige atenção regular ao mercado e maior flexibilidade no orçamento.

 

 

Taxa fixa: uma prestação estável do início ao fim

Neste regime, o valor da taxa de juro é definido no momento em que contrai o empréstimo e mantém-se igual até ao fim do contrato. Tal significa que a prestação mensal nunca muda, mesmo que a Euribor suba ou desça.

 

A taxa é definida livremente pelo banco, tendo em conta fatores como:

  • O seu perfil de risco
  • As garantias que apresenta (ex: hipoteca, fiador)
  • A relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel (Loan-to-Value).

 

 

Vantagens e desvantagens da taxa fixa

Vantagens

  • Prestação mensal estável e previsível
  • Proteção contra subidas da Euribor.
  • Mais fácil de planear o orçamento familiar.

 

Desvantagens

  • A taxa inicial tende a ser mais alta do que na taxa variável
  • Não aproveita as descidas da Euribor
  • Menos flexibilidade se quiser renegociar.

 

 

Taxa mista: uma solução intermédia

E se pudesse combinar o melhor das suas realidades? Existe e chama-se taxa mista. Normalmente, aplica-se uma taxa fixa nos primeiros anos do contrato (ex: cinco, 10 ou 15 anos) e, depois, passa automaticamente para variável.

 

Segundo o Banco de Portugal, a taxa mista domina claramente o novo crédito à habitação: em 2025, representou 75,4% do montante dos novos contratos, acima de valores ainda mais elevados registados em alguns meses de 2026. É, de longe, a modalidade mais escolhida por quem contrata crédito à habitação em Portugal.

 

Ou seja, a taxa mista tornou-se a opção dominante, sobretudo entre quem procura equilíbrio: a segurança de uma prestação estável nos primeiros anos, com a possibilidade de beneficiar da parte variável mais tarde.

 

Por isso, esta pode ser uma boa opção se quiser começar com estabilidade e, mais tarde, beneficiar de eventuais descidas da Euribor. Mas tudo depende do momento em que contrai o crédito e da evolução financeira.

 

 

Qual é a melhor taxa para si?

A verdade é: não há uma resposta certa para todos, só a melhor decisão para o seu caso. O ideal é avaliar a estabilidade financeira, perfil de risco e perspetivas futuras.

 

 

Então, como escolher a melhor taxa?

A resposta aqui é mais simples: simule. Simular vários cenários com diferentes prazos e taxas é uma excelente ajuda. Compare ofertas, analise o orçamento e pense a longo prazo.

 

Comprar casa é muito mais do que escolher janelas, divisões ou localização. É também decidir como quer viver com esse compromisso ao longo dos anos. A escolha da taxa não tem de ser um bicho de sete cabeças, mas merece tempo, perguntas e alguma projeção de futuro.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria

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