Taxa fixa ou variável no crédito à habitação?

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Crédito habitação: escolher uma taxa fixa ou variável

17 ago 2021 | 5 min de leitura

Qual a diferença entre escolher uma taxa fixa ou variável no crédito habitação? Conheça as vantagens e desvantagens de cada opção.

Taxa fixa ou variável? Se está a pensar em comprar casa com recurso a um crédito habitação, é importante saber como esta decisão afeta o seu empréstimo.

 

Para poder escolher a opção mais adequada ao seu caso, é necessário conhecer os fatores que influenciam esta taxa e perceber - sobretudo no caso da taxa variável - como ela pode evoluir ao longo do seu empréstimo.

 

Antes de mais, é importante saber que a taxa de juro é, afinal, uma parte bastante importante do seu crédito. Além do dinheiro que lhe foi emprestado para poder comprar a casa, o banco vai cobrar-lhe uma determinada percentagem sobre esse valor. Não só para ter lucro, mas também porque os próprios bancos pagam juros quando se financiam para emprestar aos clientes.

 

Assim, se está a pensar em comprar casa, comece a prestar atenção às informações sobre taxas de juro, para perceber não só os valores, mas também qual será a melhor altura para investir.

 

Uma dica: quando as taxas de juro estão baixas, não é boa altura para ter dinheiro a “render” no banco. Mas pode ser a altura certa para investir em imobiliário.

 

 

Taxa variável 

Como o nome indica, a taxa variável vai sofrendo alterações ao longo do empréstimo. Pode subir ou descer, refletindo, assim, o comportamento de um dos indicadores que a compõem.
 
É que a taxa de juro variável é o resultado da soma de dois fatores: o indexante (já ouviu falar da Euribor?) e o spread.
 
A Euribor tem como base os juros que se praticam em vários bancos da zona Euro nos empréstimos entre si em determinados prazos: uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses. Este valor é definido diariamente pela Federação Europeia de Bancos.
 
Serve de referência aos créditos habitação e a outros produtos financeiros. No caso que nos interessa, o crédito habitação, os três prazos mais comuns são a Euribor a três, seis e doze meses.
 

Neste site pode acompanhar a evolução da Euribor e perceber a tendência decrescente dos últimos anos. O que ajuda a perceber a razão de as prestações dos créditos habitação estarem agora bastante mais baixas do que há 10 anos.

 

Ao fazer um empréstimo poderá ter como taxa de referência a Euribor a três, seis ou doze meses. O que quer dizer que, trimestralmente, semestralmente ou anualmente o valor da sua prestação é revisto.

 

Se a Euribor tiver subido, a prestação sobe. Se tiver descido, ficará a pagar menos por mês.

 

A segunda componente da taxa de juro é o spread. Isto é, a margem de lucro do banco. Este valor varia não só de banco para banco, mas também de cliente para cliente. 

 

Isto porque é um valor definido livremente pela instituição bancária e tem em conta, por exemplo, o risco de crédito do cliente e as garantias que ele apresenta, bem como a relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel.

 

Assim, o spread acaba por ser um valor que se mantém estável ao longo do contrato de crédito, embora possa ser renegociado. Já a Euribor vai sofrendo oscilações, sendo a principal responsável pela variação da taxa de juro e, consequentemente, da prestação.

 

 

Vantagens e desvantagens 

A principal vantagem da taxa variável é que pode tirar partido dos momentos em que a Euribor está em baixa, como tem acontecido nos últimos anos. Ou seja, durante estes períodos a prestação vai descer, dando alguma folga financeira, bastante útil quando o orçamento familiar está mais curto.

A desvantagem é que a Euribor pode subir e, por isso, convém prestar atenção a esta tendência para, se necessário, reajustar o orçamento ou renegociar o crédito.

 

 

Taxa fixa 

A taxa fixa é definida quando contrai o empréstimo e, por isso, vai manter-se até que o contrato termine. Tal como a sua prestação mensal.


Assim, o valor que vai pagar mensalmente ao banco será o mesmo, independentemente das flutuações da Euribor.


O valor da taxa fixa é livremente definido pela instituição de crédito. Para a determinar são tidos em conta fatores como o risco de crédito do cliente, as garantias (como hipoteca ou fiança) que presta e o chamado loan-to-value, que é a relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel (e que, por indicação do Banco de Portugal não deverá ultrapassar os 80%).

 

 

Vantagens e desvantagens 

A estabilidade dada pela taxa de juro fixa pode ser encarada como uma vantagem. Ao escolher esta opção sabe que, independentemente da subida ou descida da Euribor, a sua prestação é sempre a mesma.


Esta estabilidade pode, no entanto, não ser benéfica em todos os casos. Por exemplo, um casal sem filhos pode ter maior disponibilidade financeira na fase inicial do empréstimo, enquanto não existirem as despesas relacionadas com crianças.


Mas pode acontecer o contrário: uma prestação que agora parece alta pode ter menor peso no orçamento quando evoluir na carreira e passar a ganhar mais.
Outro dado a ter em conta é que, geralmente, a prestação de um empréstimo com uma taxa de juro fixa é mais elevada do que se optar pela variável.

 

 

Taxa mista 

Por vezes, a solução está no meio termo: nem é fixa nem variável, mas ambas.

A taxa mista permite combinar as duas opções. Assim, durante uma determinada fase do empréstimo - que podem ser, por exemplo, os primeiros cinco anos - a taxa de juro é fixa. No restante prazo aplica-se a taxa variável.

Esta opção pode ter as vantagens e desvantagens da taxa fixa e da variável. Mas tudo depende da altura em que o empréstimo for feito. Por exemplo, se começar com uma taxa fixa numa altura em que a Euribor está em baixa e já não beneficiar desse fator quando a taxa passar a fixa, poderá achar que não fez uma boa escolha.
 

 

Como escolher?

Analisar, comparar, ponderar bem. Como em tudo o que se refere ao crédito habitação, é importante avaliar bem todas as condições, comparando as opções oferecidas quer pelo mesmo banco, quer por várias instituições de crédito.
 
Assim, use e abuse do simulador de crédito habitação do Banco de Portugal ou das próprias instituições bancárias até encontrar valores com que se sinta confortável e que permitam pagar o empréstimo sem sacrificar a estabilidade financeira da sua família.
 
Tenha também em atenção que pode ser possível alterar o regime de taxa inicialmente escolhido, mas terá de existir acordo entre o banco e o cliente.

 
Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria
 
 


 

Taxa fixa ou variável? Se está a pensar em comprar casa com recurso a um crédito habitação, é importante saber como esta decisão afeta o seu empréstimo.

 

Para poder escolher a opção mais adequada ao seu caso, é necessário conhecer os fatores que influenciam esta taxa e perceber - sobretudo no caso da taxa variável - como ela pode evoluir ao longo do seu empréstimo.

 

Antes de mais, é importante saber que a taxa de juro é, afinal, uma parte bastante importante do seu crédito. Além do dinheiro que lhe foi emprestado para poder comprar a casa, o banco vai cobrar-lhe uma determinada percentagem sobre esse valor. Não só para ter lucro, mas também porque os próprios bancos pagam juros quando se financiam para emprestar aos clientes.

 

Assim, se está a pensar em comprar casa, comece a prestar atenção às informações sobre taxas de juro, para perceber não só os valores, mas também qual será a melhor altura para investir.

 

Uma dica: quando as taxas de juro estão baixas, não é boa altura para ter dinheiro a “render” no banco. Mas pode ser a altura certa para investir em imobiliário.

 

 

Taxa variável 

Como o nome indica, a taxa variável vai sofrendo alterações ao longo do empréstimo. Pode subir ou descer, refletindo, assim, o comportamento de um dos indicadores que a compõem.
 
É que a taxa de juro variável é o resultado da soma de dois fatores: o indexante (já ouviu falar da Euribor?) e o spread.
 
A Euribor tem como base os juros que se praticam em vários bancos da zona Euro nos empréstimos entre si em determinados prazos: uma semana, um mês, três meses, seis meses e 12 meses. Este valor é definido diariamente pela Federação Europeia de Bancos.
 
Serve de referência aos créditos habitação e a outros produtos financeiros. No caso que nos interessa, o crédito habitação, os três prazos mais comuns são a Euribor a três, seis e doze meses.
 

Neste site pode acompanhar a evolução da Euribor e perceber a tendência decrescente dos últimos anos. O que ajuda a perceber a razão de as prestações dos créditos habitação estarem agora bastante mais baixas do que há 10 anos.

 

Ao fazer um empréstimo poderá ter como taxa de referência a Euribor a três, seis ou doze meses. O que quer dizer que, trimestralmente, semestralmente ou anualmente o valor da sua prestação é revisto.

 

Se a Euribor tiver subido, a prestação sobe. Se tiver descido, ficará a pagar menos por mês.

 

A segunda componente da taxa de juro é o spread. Isto é, a margem de lucro do banco. Este valor varia não só de banco para banco, mas também de cliente para cliente. 

 

Isto porque é um valor definido livremente pela instituição bancária e tem em conta, por exemplo, o risco de crédito do cliente e as garantias que ele apresenta, bem como a relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel.

 

Assim, o spread acaba por ser um valor que se mantém estável ao longo do contrato de crédito, embora possa ser renegociado. Já a Euribor vai sofrendo oscilações, sendo a principal responsável pela variação da taxa de juro e, consequentemente, da prestação.

 

 

Vantagens e desvantagens 

A principal vantagem da taxa variável é que pode tirar partido dos momentos em que a Euribor está em baixa, como tem acontecido nos últimos anos. Ou seja, durante estes períodos a prestação vai descer, dando alguma folga financeira, bastante útil quando o orçamento familiar está mais curto.

A desvantagem é que a Euribor pode subir e, por isso, convém prestar atenção a esta tendência para, se necessário, reajustar o orçamento ou renegociar o crédito.

 

 

Taxa fixa 

A taxa fixa é definida quando contrai o empréstimo e, por isso, vai manter-se até que o contrato termine. Tal como a sua prestação mensal.


Assim, o valor que vai pagar mensalmente ao banco será o mesmo, independentemente das flutuações da Euribor.


O valor da taxa fixa é livremente definido pela instituição de crédito. Para a determinar são tidos em conta fatores como o risco de crédito do cliente, as garantias (como hipoteca ou fiança) que presta e o chamado loan-to-value, que é a relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel (e que, por indicação do Banco de Portugal não deverá ultrapassar os 80%).

 

 

Vantagens e desvantagens 

A estabilidade dada pela taxa de juro fixa pode ser encarada como uma vantagem. Ao escolher esta opção sabe que, independentemente da subida ou descida da Euribor, a sua prestação é sempre a mesma.


Esta estabilidade pode, no entanto, não ser benéfica em todos os casos. Por exemplo, um casal sem filhos pode ter maior disponibilidade financeira na fase inicial do empréstimo, enquanto não existirem as despesas relacionadas com crianças.


Mas pode acontecer o contrário: uma prestação que agora parece alta pode ter menor peso no orçamento quando evoluir na carreira e passar a ganhar mais.
Outro dado a ter em conta é que, geralmente, a prestação de um empréstimo com uma taxa de juro fixa é mais elevada do que se optar pela variável.

 

 

Taxa mista 

Por vezes, a solução está no meio termo: nem é fixa nem variável, mas ambas.

A taxa mista permite combinar as duas opções. Assim, durante uma determinada fase do empréstimo - que podem ser, por exemplo, os primeiros cinco anos - a taxa de juro é fixa. No restante prazo aplica-se a taxa variável.

Esta opção pode ter as vantagens e desvantagens da taxa fixa e da variável. Mas tudo depende da altura em que o empréstimo for feito. Por exemplo, se começar com uma taxa fixa numa altura em que a Euribor está em baixa e já não beneficiar desse fator quando a taxa passar a fixa, poderá achar que não fez uma boa escolha.
 

 

Como escolher?

Analisar, comparar, ponderar bem. Como em tudo o que se refere ao crédito habitação, é importante avaliar bem todas as condições, comparando as opções oferecidas quer pelo mesmo banco, quer por várias instituições de crédito.
 
Assim, use e abuse do simulador de crédito habitação do Banco de Portugal ou das próprias instituições bancárias até encontrar valores com que se sinta confortável e que permitam pagar o empréstimo sem sacrificar a estabilidade financeira da sua família.
 
Tenha também em atenção que pode ser possível alterar o regime de taxa inicialmente escolhido, mas terá de existir acordo entre o banco e o cliente.

 
Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria
 
 


 

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