Finanças

Dívida externa portuguesa em 2025 e o que esperar para 2026

4 minutos de leitura
Publicado a 2 Fevereiro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Moedas com uma bandeira portuguesa

A dívida externa portuguesa voltou a ganhar visibilidade ao longo de 2025. Não por um episódio de instabilidade repentina, mas porque vários indicadores ajudam a perceber melhor como Portugal se posiciona financeiramente face ao exterior, num contexto ainda marcado por juros elevados, ajustamentos nas contas públicas e um crescimento económico moderado.

 

 

O que se entende por dívida externa?

De acordo com o Banco de Portugal, a dívida externa mede o endividamento dos residentes em Portugal perante o resto do mundo. Estamos a falar de dívida do Estado, das empresas e das famílias, sempre que o credor está fora do país.

 

Entram no cálculo da dívida externa bruta:

  • Títulos de dívida emitidos por residentes e detidos por não residentes
  • Empréstimos concedidos por entidades estrangeiras a residentes em Portugal
  • Créditos comerciais
  • Depósitos de não residentes no sistema bancário nacional.

 

Ficam excluídos instrumentos de capital, como ações, e derivados financeiros.

 

Dívida externa bruta vs. dívida externa líquida

Além da dívida externa bruta, há um indicador particularmente relevante para avaliar a posição financeira do país: a dívida externa líquida.

 

Enquanto a dívida bruta olha apenas para o total de responsabilidades, a dívida líquida deduz os ativos que os residentes portugueses detêm sobre o exterior, como:

  • Títulos de dívida estrangeiros detidos por bancos ou fundos portugueses
  • Empréstimos concedidos por instituições nacionais a entidades no estrangeiro
  • Depósitos de residentes portugueses em bancos fora de Portugal.

 

É esta diferença que mostra se um país é, no balanço final, devedor ou credor face ao resto do mundo.

 

 

Onde estava Portugal no final de 2024?

Em 2024, a dívida externa bruta de Portugal atingiu 419,5 mil milhões de euros, o equivalente a 144,9% do PIB, de acordo com o Banco de Portugal, representando uma descida expressiva face aos máximos registados na década anterior, quando a dívida externa ultrapassava largamente os 200% do PIB.

 

Já a dívida externa líquida situou-se em 44,5% do PIB, confirmando que Portugal continua a ser um país devedor face ao exterior, embora numa posição substancialmente mais equilibrada do que no passado.

 

Em termos europeus, os dados do Eurostat colocam Portugal, em 2023, como o 3.º país da União Europeia com maior dívida externa líquida em percentagem do PIB, apenas atrás da Grécia e da Finlândia. Países como Luxemburgo, Irlanda ou Malta apresentam posições opostas, com ativos externos superiores aos passivos.

 

 

O que mudou ao longo de 2025?

Ao longo de 2025, a trajetória manteve-se relativamente estável, com alguns sinais importantes a destacar.

 

Por um lado, a dívida pública seguiu uma trajetória de contenção. Em novembro de 2025, a dívida pública na ótica de Maastricht desceu para 281,4 mil milhões de euros, refletindo sobretudo a redução de títulos de dívida de curto prazo. Deduzindo os depósitos das administrações públicas, a dívida aumentou ligeiramente, para 258,9 mil milhões de euros, num movimento explicado pela gestão do calendário de amortizações.

 

Por outro lado, o endividamento do setor privado cresceu, sobretudo no segmento das famílias. Em novembro de 2025, o endividamento dos particulares aumentava 8,6% em termos anuais, impulsionado essencialmente pelo crédito à habitação. Este crescimento ajuda a explicar parte da dinâmica externa, já que uma fatia relevante do financiamento bancário tem origem em mercados internacionais.

 

Nas empresas privadas, o endividamento cresceu 3,1%, com aumento tanto junto do setor financeiro como do exterior, maioritariamente através de empréstimos.

 

 

Títulos de dívida e relação com o exterior

Os títulos de dívida continuam a ser uma peça central na ligação financeira de Portugal ao exterior.

 

Segundo o Banco de Portugal, no final de dezembro de 2025, o valor total de títulos de dívida emitidos por entidades residentes ascendia a 315,4 mil milhões de euros, mais 15,9 mil milhões do que no ano anterior. As administrações públicas foram responsáveis por 7,3 mil milhões de euros em emissões líquidas, embora este valor seja inferior ao de 2024.

 

Este movimento tem impacto direto na dívida externa, já que uma parte relevante destes títulos é adquirida por investidores não residentes.

 

Ao mesmo tempo, destaca-se que as amortizações calendarizadas para 2026 são significativas. Nos 12 meses seguintes a dezembro de 2025 estavam previstas amortizações de 47,5 mil milhões de euros, incluindo 11,7 mil milhões de euros de dívida pública em julho de 2026, o que ajuda a explicar a leitura mais prudente dos mercados quanto à trajetória da dívida externa.

 

 

Dívida externa e confiança dos mercados

Apesar dos valores ainda elevados, o enquadramento atual é muito diferente do observado na década passada.

 

A combinação de:

  • Crescimento económico moderado
  • Redução sustentada do rácio da dívida pública face ao PIB
  • Execução previsível do plano de financiamento do Estado
  • E melhoria gradual da posição de investimento internacional.

 

tem contribuído para uma perceção mais estável do risco português nos mercados internacionais.

 

É neste contexto que o Governo manteve, no final de 2025, a previsão de redução da dívida pública para cerca de 90% do PIB, um fator que, indiretamente, também sustenta a trajetória mais controlada da dívida externa.

 

 

O que esperar de 2026?

Para 2026, os dados disponíveis apontam para um cenário de continuidade, não de rutura.

 

Não existem, neste momento, sinais oficiais que indiquem um aumento abrupto da dívida externa. Pelo contrário, o calendário de amortizações, a gestão ativa da dívida pública e a manutenção de condições de financiamento relativamente estáveis sugerem uma evolução contida.

 

O principal fator de atenção continuará a ser o endividamento das famílias, muito associado ao crédito à habitação, e a forma como este se reflete na dependência externa do setor bancário.

 

Em resumo, Portugal entra em 2026 ainda como país devedor face ao exterior, mas com uma posição muito mais equilibrada, previsível e robusta do que há uma década.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

Informação de tratamento de dados

O Banco Santander Totta, S.A. é o responsável pelo tratamento dos dados pessoais recolhidos.

O Banco pode ser contactado na Rua da Mesquita, 6, Centro Totta, 1070-238 Lisboa.

O Encarregado de Proteção de Dados do Banco poderá ser contactado na referida morada e através do seguinte endereço de correio eletrónico: privacidade@santander.pt.

Os dados pessoais recolhidos neste fluxo destinam-se a ser tratados para a finalidade envio de comunicações comerciais e/ou informativas pelo Santander.

O fundamento jurídico deste tratamento assenta no consentimento.

Os dados pessoais serão conservados durante 5 anos, ou por prazo mais alargado, se tal for exigido por lei ou regulamento ou se a conservação for necessária para acautelar o exercício de direitos, designadamente em sede de eventuais processos judiciais, sendo posteriormente eliminados.

Assiste, ao titular dos dados pessoais, os direitos previstos no Regulamento Geral de Proteção de Dados, nomeadamente o direito de solicitar ao Banco o acesso aos dados pessoais transmitidos e que lhe digam respeito, à sua retificação e, nos casos em que a lei o permita, o direito de se opor ao tratamento, à limitação do tratamento e ao seu apagamento, direitos estes que podem ser exercidos junto do responsável pelo tratamento para os contactos indicados em cima. O titular dos dados goza ainda do direito de retirar o consentimento prestado, sem que tal comprometa a licitude dos tratamentos efetuados até então.

Ao titular dos dados assiste ainda o direito de apresentar reclamações relacionadas com o incumprimento destas obrigações à Comissão Nacional da Proteção de Dados, por correio postal, para a morada Av. D. Carlos I, 134 - 1.º, 1200-651 Lisboa, ou, por correio eletrónico, para geral@cnpd.pt (mais informações em https://www.cnpd.pt/).

Para mais informação pode consultar a nossa política de privacidade (https://www.santander.pt/politica-privacidade).