Finanças

O gás em Portugal é dos mais caros da Europa. O que está a acontecer?

2 minutos de leitura
Publicado a 4 Março 2026
Escrito por Rute Ferreira
Fogão a gás com dois bicos acesos

Em pleno inverno, quando o aquecimento deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade, há um dado que pesa: Portugal ocupa a quarta posição entre os países europeus com o gás natural mais caro.

 

Os números mais recentes do Índice de Preços da Energia para Famílias (HEPI) mostram que, em Lisboa, o gás natural é cobrado a 13,8 cêntimos por kWh. Para comparação, a média da União Europeia situa-se nos 10,6 cêntimos por kWh. E há capitais com maior poder de compra onde o preço é mais baixo, como Roma (13,6), Paris (12,8) ou Viena (12,7).

 

Apesar de não liderar a tabela, Portugal está claramente no grupo dos países onde o gás pesa mais na fatura das famílias.

 

 

E na eletricidade?

Aqui o cenário é diferente. O preço da eletricidade em Lisboa ronda os 25,4 cêntimos por kWh, muito alinhado com a média europeia (25,8). Não estamos entre os mais caros, mas também não estamos entre os mais baratos.

 

O dado curioso é que isto acontece apesar de Portugal ser um dos países europeus com maior incorporação de energias renováveis. Em janeiro de 2026, mais de 80% da eletricidade produzida em Portugal continental teve origem renovável.

 

Seria expectável que isso se refletisse numa descida mais visível dos preços, mas, na prática, o funcionamento do mercado é mais complexo.

 

 

Porque é que o gás é tão caro em Portugal?

Não existe uma única explicação. Segundo os especialistas que compilam o HEPI, as diferenças de preços entre países resultam de vários fatores:

 

  • Estrutura do mercado nacional
  • Estratégias de compra e fixação de preços dos fornecedores
  • Custos de distribuição
  • Nível de impostos e taxas
  • Dependência do gás importado
  • Mecanismos de subsidiação cruzada.

 

Além disso, a crise energética desencadeada pela invasão da Ucrânia, em 2022, continua a ter efeitos. Embora os preços tenham estabilizado cerca de um ano depois, continuam acima dos níveis pré-crise.

 

 

E quando se ajusta ao poder de compra?

Quando os preços são ajustados ao poder de compra (PPS), as diferenças mudam de posição. Países com preços nominais aparentemente mais baixos podem tornar-se mais caros em termos relativos, porque o rendimento médio é inferior.

 

Ainda assim, mesmo em euros, Portugal surge consistentemente entre as capitais com gás acima da média da UE.

 

 

O que isto significa para as famílias?

Segundo o Eurostat, eletricidade, gás e outros combustíveis representam, em média, 4,6% da despesa total das famílias na União Europeia. Esse peso é maior nos agregados com rendimentos mais baixos.

 

Num contexto em que os preços continuam acima do período pré-2022, esta realidade torna-se especialmente sensível. Pequenas diferenças por kWh acumulam-se ao longo dos meses e fazem diferença no orçamento anual.

 

O retrato atual mostra duas realidades distintas:

 

  • Na eletricidade, Portugal está alinhado com a média europeia
  • No gás, está claramente entre os mais caros.

 

Num momento em que a eficiência energética e a gestão da fatura ganham cada vez mais importância, perceber onde estamos no contexto europeu ajuda a enquadrar melhor o debate. E, sobretudo, a perceber porque é que a conta do gás continua a pesar tanto no orçamento de muitas famílias portuguesas.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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