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E se o inesperado acontecer? Saiba o que deve ter no kit de emergência da União Europeia

4 minutos de leitura
Atualizado a 2 Fevereiro 2026
Escrito por Rute Ferreira
alguém a colocar items numa mochila de kit de emergência

Ninguém gosta de pensar no pior. Mas se há coisa que os últimos anos nos ensinaram é a de que estar preparado pode fazer toda a diferença. E é por isso que a União Europeia tem lançado um apelo simples, mas importante: preparar um kit de emergência. Um conjunto de itens básicos para que cada pessoa consiga estar segura e minimamente confortável durante 72 horas, mesmo que falte luz, rede ou água.

 

 

Para que serve o kit de emergência da União Europeia? E por que razão agora?

A proposta insere-se na Estratégia de Preparação da União Europeia, um plano pensado para dar resposta aos desafios atuais e futuros. Entre as medidas mais práticas está precisamente a criação de kits de emergência, ajustados à realidade de cada país.

 

A mensagem da Comissão Europeia é clara: não se trata de criar medo, mas sim de promover uma cultura de prevenção. Como referiu Hadja Lahbib, comissária europeia responsável pela gestão de crises, o objetivo não é espalhar pânico, é evitar repetições de situações caóticas como as que se viveram no início da pandemia. Quem é que já se esqueceu da corrida ao papel higiénico?

 

 

O que deve conter um kit de emergência?

Não há uma lista única, válida para todos. Cada país pode ajustar os itens conforme o clima, os riscos mais prováveis ou a realidade social. Ainda assim, há elementos comuns que quase todos os kits devem incluir:

 

  • Água potável (pelo menos 3 litros por dia por pessoa)
  • Alimentos não perecíveis (conservas, barras energéticas, bolachas, frutos secos, arroz, massa, etc.)
  • Medicamentos essenciais e material de primeiros socorros
  • Lanterna e pilhas sobressalentes
  • Powerbank e carregadores
  • Rádio portátil (preferencialmente a pilhas ou de manivela)
  • Cópias de documentos importantes
  • Dinheiro em espécie
  • Roupas quentes e muda de roupa
  • Produtos de higiene pessoal
  • Canivete suíço, isqueiro, fósforos, velas
  • Contactos de emergência anotados
  • E, sim… algo para passar o tempo, como cartas de jogar.

 

Em Portugal, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) subscreveu todos os itens acima e recomendou ainda a inclusão de um apito e contactos de familiares e amigos.

 

Países como França, Suécia ou Noruega também acrescentaram outros detalhes como cobertores, chaves sobresselentes, iodo ou ferramentas básicas. Na Ucrânia, por exemplo, recomenda-se até carvão ativado e materiais para imobilização de membros em caso de ferimento.

 

 

Porquê 72 horas?

Basicamente, é esse o tempo que se estima ser mais crítico numa situação de emergência. São as primeiras horas depois de um evento disruptivo - quando os serviços podem estar inoperacionais e a ajuda ainda a ser organizada - que exigem maior autonomia individual. Ter um kit preparado pode ser o que separa o caos da tranquilidade.

 

 

Que tipo de crises é que a União Europeia quer prevenir?

Mas, afinal, para que tipo de situações é que a Europa quer estar pronta? A resposta é: para quase tudo. Entre os principais cenários de risco identificados estão:

 

  • Catástrofes naturais: inundações, incêndios florestais, terramotos, tempestades extremas
  • Acidentes causados pelo ser humano: falhas técnicas, acidentes industriais, pandemias
  • Ameaças híbridas: ciberataques, desinformação, sabotagem de infraestruturas críticas
  • Crises geopolíticas: conflitos armados, agressões externas aos Estados-membros.

 

Estes riscos não são apenas teóricos, têm vindo a ganhar força. As alterações climáticas estão a tornar fenómenos extremos mais frequentes. A guerra na Ucrânia veio reacender receios sobre a estabilidade na região. E ataques híbridos, como ciberataques a hospitais ou interferências em redes energéticas, já não são só coisa do futuro.

 

Face a este novo cenário global, a UE quer garantir que, se algo acontecer, os cidadãos não sejam apanhados completamente desprevenidos.

 

Isto significa que vai mesmo acontecer algo grave? Não. E esse é o ponto: ter um plano não quer dizer que se esteja à espera de uma catástrofe iminente, significa apenas que, se algo acontecer, não se entra em pânico. Preparar é, mais do que nunca, uma forma de proteger.

 

O que a tempestade Kristin mostrou na prática

Atingiu Portugal no final de janeiro de 2026, veio demonstrar como fenómenos meteorológicos extremos podem provocar, em poucas horas, danos significativos em habitações, empresas e infraestruturas essenciais. Falhas de energia, acessos cortados e casas temporariamente inabitáveis colocaram muitas famílias numa situação de grande vulnerabilidade imediata.

 

Perante a dimensão dos estragos, o Governo de Portugal ativou um conjunto de apoios de emergência, incluindo ajudas diretas às famílias, à habitação e às empresas, bem como moratórias fiscais e no crédito. Em paralelo, o Santander procurou estar ao lado de quem foi afetado, disponibilizando soluções de apoio, tanto para particulares como para empresas, de forma a aliviar a pressão num momento tão dificil. 

 

Este episódio reforça a importância da preparação individual: nas primeiras horas após uma crise, quando os serviços podem estar condicionados, ter um kit de emergência preparado pode fazer a diferença até que os apoios públicos e financeiros cheguem ao terreno.

 

 

Outras medidas da Estratégia de Preparação da União Europeia

O kit de emergência é apenas um dos passos. A UE quer criar uma cultura de preparação mais alargada com medidas que envolvem escolas, empresas e serviços públicos. Entre as ações propostas estão:

 

  • Incluir temas de preparação nos currículos escolares
  • Criar um “Dia Europeu da Preparação”
  • Reforçar as reservas de bens críticos (medicamentos, equipamentos médicos, energia)
  • Garantir acesso a recursos essenciais como a água
  • Realizar exercícios de treino conjuntos à escala europeia
  • Juntar forças civis e militares em simulações de crise
  • Criar protocolos com empresas para assegurar produção e fornecimento de bens essenciais.

 

Tudo isto com um objetivo simples: garantir que, numa crise, a resposta seja rápida, coordenada e eficaz.

 

Nem todos veem esta proposta com os mesmos olhos. Uns dizem que assusta, outros que é puro bom senso. A verdade é que, num mundo em constante mudança, saber como agir quando as “sirenes tocam” pode, de facto, fazer toda a diferença.

 

Porque o futuro pode ser incerto, mas a prevenção… essa está nas mãos de cada um.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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