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A rescisão de contrato de trabalho é um tema delicado e envolve, frequentemente, incertezas tanto para o empregador quanto para o trabalhador. Quando o fim da relação laboral é da responsabilidade da empresa, o processo deve seguir rigorosamente o Código de Trabalho em vigor para garantir que os direitos de ambas as partes sejam respeitados.
Em termos simples, refere-se ao término da relação profissional entre a entidade empregadora e o colaborador. Esta cessação pode ser feita por mútuo acordo, por iniciativa do trabalhador, ou por iniciativa da entidade patronal. No caso de ser o empregador a tomar a decisão de rescindir o contrato, existem cinco modalidades previstas no Código do Trabalho:
O despedimento por justa causa ocorre quando o comportamento culposo do trabalhador, pela sua gravidade e consequências, torne imediata e praticamente impossível a subsistência da relação de trabalho. Exemplos incluem a violação grave dos deveres profissionais ou comportamentos inadequados no local de trabalho, que podem ser consultados em específico no Artigo 351.º da Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro, do Código de Trabalho. Nestes casos, o empregador pode cessar o contrato mediante a realização de um processo disciplinar. O procedimento disciplinar deve iniciar-se nos 60 dias seguintes àquele em que o empregador, ou o superior hierárquico com competência disciplinar, teve conhecimento da infração.
Quando uma empresa passa por reestruturações, alterações tecnológicas ou enfrenta dificuldades relacionadas com o mercado, pode ser necessário extinguir certos postos de trabalho. Mas atenção: para que o despedimento seja válido, devem estar reunidos os requisitos previstos no Código do Trabalho no seu artigo 368.º, incluindo ser praticamente impossível manter a relação laboral, nomeadamente por não existir outro posto de trabalho compatível com a categoria profissional do trabalhador.
É aplicado quando vários postos de trabalho são extintos em simultâneo, devido a motivos de mercado, estruturais ou tecnológicos. Este tipo de rescisão pode ocorrer por estes motivos e segue regras específicas definidas no Artigo 359.º e seguintes do Código do Trabalho.
Considera-se despedimento por inadaptação quando o empregador decide terminar o contrato de trabalho porque o trabalhador já não consegue adaptar-se às exigências do seu posto. Isto pode acontecer quando o desempenho do trabalhador piora de forma contínua, com menor produtividade ou qualidade, quando provoca falhas frequentes nos equipamentos ou quando representa um risco para a sua segurança, a dos colegas ou de outras pessoas. O despedimento por inadaptação está, no entanto, sujeito ao cumprimento dos requisitos previstos no Código do Trabalho, nos artigos 373.º e seguintes, que variam consoante a situação.
Se um empregador despedir um trabalhador sem justa causa, o despedimento é considerado ilícito. Nestes casos, o trabalhador pode recorrer ao tribunal e, se o despedimento for confirmado como ilegal, a empresa poderá ser obrigada a pagar uma indemnização, que pode variar entre 15 a 45 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo ou fração de antiguidade, não podendo ser inferior a três meses de retribuição base e diuturnidades. O trabalhador tem, ainda, o direito de solicitar a sua reintegração no posto de trabalho se assim o desejar.
A comunicação da rescisão de contrato de trabalho por parte do empregador está sujeita aos procedimentos previstos para cada modalidade de despedimento. Nos despedimentos coletivo, por extinção do posto de trabalho e por inadaptação, a decisão deve ser comunicada por escrito e os prazos mínimos de aviso prévio dependem da antiguidade do trabalhador:
Tome nota: para despedimentos com justa causa, procedimento disciplinar deve iniciar-se nos 60 dias seguintes àquele em que o empregador, ou o superior hierárquico com competência disciplinar, teve conhecimento da infração.
Quando o empregador decide cessar o contrato de trabalho, é necessário cumprir um conjunto de obrigações, estipuladas no Código do Trabalho, para assegurar que o processo é conduzido de forma legal e justa. Entre estas obrigações, destacam-se:
Em alguns casos, o trabalhador pode ter direito a uma compensação ou indemnização, dependendo da modalidade de despedimento e da legalidade do processo.
Nos despedimentos coletivo, por extinção do posto de trabalho e por inadaptação, o trabalhador tem direito à compensação prevista no artigo 366.º do Código do Trabalho. Atualmente, esta corresponde a 14 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, sendo a fração de ano calculada proporcionalmente.
No entanto, nos contratos iniciados antes de 1 de maio de 2023, o cálculo pode envolver diferentes regras consoante os períodos da relação laboral. Isto acontece porque a regra dos 14 dias se aplica apenas ao período da relação laboral posterior à entrada em vigor da Lei n.º 13/2023, de 3 de abril.
Nos contratos a termo, o trabalhador também tem direito a compensação quando o contrato cessa por caducidade, nos termos dos artigos 344.º e 345.º do Código do Trabalho. No contrato a termo certo, é devida quando a caducidade resulta de o empregador comunicar que não pretende renovar o contrato; se for o trabalhador a comunicar que não quer a renovação, não há compensação. No contrato a termo incerto, é devida quando o empregador comunica a cessação. Em ambos os casos, a compensação corresponde a 24 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, sendo a fração de ano calculada proporcionalmente, nos termos do artigo 366.º. Tal como nos 14 dias, este valor aplica-se apenas ao período posterior a 1 de maio de 2023; nos contratos anteriores, o período mais antigo segue as regras então em vigor.
Nos casos de despedimento ilícito, se o trabalhador optar por uma indemnização em substituição da reintegração, esta é determinada pelo tribunal entre 15 e 45 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo ou fração de antiguidade e não pode ser inferior a três meses de retribuição base e diuturnidades.
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