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Rescisão de contrato por iniciativa do empregador: o que saber

3 minutos de leitura
Atualizado a 22 outubro 2026
Escrito por Rute Ferreira
alguém a sair de um escritório com uma caixa com pertences nas mãos

A rescisão de contrato de trabalho é um tema delicado e envolve, frequentemente, incertezas tanto para o empregador quanto para o trabalhador. Quando o fim da relação laboral é da responsabilidade da empresa, o processo deve seguir rigorosamente o Código de Trabalho em vigor para garantir que os direitos de ambas as partes sejam respeitados.

 

 

Rescisão de contrato de trabalho: o que é

Em termos simples, refere-se ao término da relação profissional entre a entidade empregadora e o colaborador. Esta cessação pode ser feita por mútuo acordo, por iniciativa do trabalhador, ou por iniciativa da entidade patronal. No caso de ser o empregador a tomar a decisão de rescindir o contrato, existem cinco modalidades previstas no Código do Trabalho:

 

  1. Despedimento por justa causa (também chamado despedimento por facto imputável ao trabalhador)
  2. Despedimento por extinção do posto de trabalho
  3. Despedimento coletivo
  4. Despedimento por inadaptação
  5. Caducidade de contrato a termo (certo e incerto)

 

 

Despedimento por justa causa

O despedimento por justa causa ocorre quando o comportamento culposo do trabalhador, pela sua gravidade e consequências, torne imediata e praticamente impossível a subsistência da relação de trabalho. Exemplos incluem a violação grave dos deveres profissionais ou comportamentos inadequados no local de trabalho, que podem ser consultados em específico no Artigo 351.º da Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro, do Código de Trabalho. Nestes casos, o empregador pode cessar o contrato mediante a realização de um processo disciplinar. O procedimento disciplinar deve iniciar-se nos 60 dias seguintes àquele em que o empregador, ou o superior hierárquico com competência disciplinar, teve conhecimento da infração.

 

 

Despedimento por extinção do posto de trabalho

Quando uma empresa passa por reestruturações, alterações tecnológicas ou enfrenta dificuldades relacionadas com o mercado, pode ser necessário extinguir certos postos de trabalho. Mas atenção: para que o despedimento seja válido, devem estar reunidos os requisitos previstos no Código do Trabalho no seu artigo 368.º, incluindo ser praticamente impossível manter a relação laboral, nomeadamente por não existir outro posto de trabalho compatível com a categoria profissional do trabalhador.

 

Despedimento coletivo

É aplicado quando vários postos de trabalho são extintos em simultâneo, devido a motivos de mercado, estruturais ou tecnológicos. Este tipo de rescisão pode ocorrer por estes motivos e segue regras específicas definidas no Artigo 359.º e seguintes do Código do Trabalho.

 

 

Despedimento por inadaptação

Considera-se despedimento por inadaptação quando o empregador decide terminar o contrato de trabalho porque o trabalhador já não consegue adaptar-se às exigências do seu posto. Isto pode acontecer quando o desempenho do trabalhador piora de forma contínua, com menor produtividade ou qualidade, quando provoca falhas frequentes nos equipamentos ou quando representa um risco para a sua segurança, a dos colegas ou de outras pessoas. O despedimento por inadaptação está, no entanto, sujeito ao cumprimento dos requisitos previstos no Código do Trabalho, nos artigos 373.º e seguintes, que variam consoante a situação.

E se o despedimento for sem justa causa?

Se um empregador despedir um trabalhador sem justa causa, o despedimento é considerado ilícito. Nestes casos, o trabalhador pode recorrer ao tribunal e, se o despedimento for confirmado como ilegal, a empresa poderá ser obrigada a pagar uma indemnização, que pode variar entre 15 a 45 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo ou fração de antiguidade, não podendo ser inferior a três meses de retribuição base e diuturnidades. O trabalhador tem, ainda, o direito de solicitar a sua reintegração no posto de trabalho se assim o desejar.

 

 

Como deve ser comunicada a rescisão de contrato de trabalho por parte do empregador?

A comunicação da rescisão de contrato de trabalho por parte do empregador está sujeita aos procedimentos previstos para cada modalidade de despedimento. Nos despedimentos coletivo, por extinção do posto de trabalho e por inadaptação, a decisão deve ser comunicada por escrito e os prazos mínimos de aviso prévio dependem da antiguidade do trabalhador:

  • 15 dias de aviso prévio para trabalhadores com menos de um ano de casa
  • 30 dias de aviso para trabalhadores com um a cinco anos de antiguidade
  • 60 dias para trabalhadores com cinco a 10 anos de antiguidade
  • 75 dias para trabalhadores com mais de 10 anos de casa.

 

Tome nota: para despedimentos com justa causa, procedimento disciplinar deve iniciar-se nos 60 dias seguintes àquele em que o empregador, ou o superior hierárquico com competência disciplinar, teve conhecimento da infração.

 

 

Obrigações do empregador ao rescindir o contrato de trabalho

Quando o empregador decide cessar o contrato de trabalho, é necessário cumprir um conjunto de obrigações, estipuladas no Código do Trabalho, para assegurar que o processo é conduzido de forma legal e justa. Entre estas obrigações, destacam-se:

  • Comunicação por escrito com aviso prévio: em conformidade com a secção anterior deste artigo
  • Certificado de trabalho e documentos: estipulado no Artigo 341.º do Código do Trabalho, o empregador deve entregar um certificado de trabalho com as datas de admissão e cessação, bem como o cargo ou cargos desempenhados. Deve ainda entregar outros documentos destinados a fins oficiais, nomeadamente os previstos na legislação da Segurança Social, que tenha de emitir mediante solicitação
  • Pagamento de férias não gozadas e subsídios: o trabalhador tem direito ao pagamento de férias não gozadas e subsídios proporcionais ao tempo trabalhado, de acordo com o Artigo 245.º do Código do Trabalho
  • Compensação financeira: dependendo do tipo de despedimento, o empregador pode ser obrigado a pagar uma compensação financeira, conforme o tempo de serviço e modalidade de cessação.

 

 

O trabalhador tem direito a indemnização?

Em alguns casos, o trabalhador pode ter direito a uma compensação ou indemnização, dependendo da modalidade de despedimento e da legalidade do processo.

 

Nos despedimentos coletivo, por extinção do posto de trabalho e por inadaptação, o trabalhador tem direito à compensação prevista no artigo 366.º do Código do Trabalho. Atualmente, esta corresponde a 14 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, sendo a fração de ano calculada proporcionalmente.

 

No entanto, nos contratos iniciados antes de 1 de maio de 2023, o cálculo pode envolver diferentes regras consoante os períodos da relação laboral. Isto acontece porque a regra dos 14 dias se aplica apenas ao período da relação laboral posterior à entrada em vigor da Lei n.º 13/2023, de 3 de abril.

 

Nos contratos a termo, o trabalhador também tem direito a compensação quando o contrato cessa por caducidade, nos termos dos artigos 344.º e 345.º do Código do Trabalho. No contrato a termo certo, é devida quando a caducidade resulta de o empregador comunicar que não pretende renovar o contrato; se for o trabalhador a comunicar que não quer a renovação, não há compensação. No contrato a termo incerto, é devida quando o empregador comunica a cessação. Em ambos os casos, a compensação corresponde a 24 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, sendo a fração de ano calculada proporcionalmente, nos termos do artigo 366.º. Tal como nos 14 dias, este valor aplica-se apenas ao período posterior a 1 de maio de 2023; nos contratos anteriores, o período mais antigo segue as regras então em vigor. 

 

Nos casos de despedimento ilícito, se o trabalhador optar por uma indemnização em substituição da reintegração, esta é determinada pelo tribunal entre 15 e 45 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo ou fração de antiguidade e não pode ser inferior a três meses de retribuição base e diuturnidades.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.
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