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Finanças
Organizar as finanças pessoais não significa controlar cada cêntimo nem deixar de gastar dinheiro no que lhe dá prazer. Significa saber quanto recebe, perceber para onde vai o dinheiro e tomar decisões antes de chegar ao final do mês.
O processo torna-se mais simples quando é dividido em pequenas tarefas.
Antes de reduzir despesas ou definir uma meta de poupança, precisa de conhecer o ponto de partida.
Comece por reunir os extratos das suas contas bancárias dos últimos três meses. Este período permite identificar despesas frequentes e oscilações que podem passar despercebidas quando se analisa apenas um mês.
Caso tenha rendimentos muito irregulares ou despesas sazonais, poderá ser mais útil analisar seis meses ou até um ano.
Registe:
O objetivo é perceber quanto possui, quanto deve e quais são os compromissos que já assumiu.
Pode começar com uma conta simples:
Este resultado não representa todo o seu património, porque não inclui necessariamente imóveis, automóveis ou outros bens. Ainda assim, ajuda a acompanhar a evolução do dinheiro que tem disponível e das dívidas que precisa de pagar.
Um valor negativo não significa que falhou. É apenas uma fotografia do momento atual e pode servir de referência para medir os progressos nos meses seguintes.
Além de consultar os contratos e os extratos bancários, pode obter gratuitamente o seu mapa de responsabilidades de crédito no site do Banco de Portugal.
Este documento apresenta os contratos de crédito comunicados pelas instituições, incluindo montantes em dívida, créditos em situação regular ou em incumprimento e responsabilidades potenciais, como limites de cartões ainda não utilizados ou contratos nos quais figura como fiador ou avalista.
Para cada dívida, registe pelo menos:
Caso existam prestações em atraso ou dificuldades previsíveis no pagamento, deve contactar atempadamente a instituição credora. Acrescentar um novo crédito para resolver um desequilíbrio recorrente pode apenas adiar o problema e aumentar os encargos mensais.
O orçamento familiar é um plano para o dinheiro que prevê receber e gastar. Deve ser elaborado no início de cada mês, mas também é útil ter uma visão anual para antecipar despesas como seguros, impostos, material escolar, férias ou manutenção do automóvel.
Para uma gestão mais prudente, construa o orçamento-base apenas com rendimentos líquidos certos. Comissões, prémios, horas extraordinárias ou outros valores irregulares podem ser registados separadamente quando forem efetivamente recebidos.
Comece por somar todos os rendimentos líquidos certos do agregado familiar. Depois, organize as despesas por categorias.
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Despesas fixas | Renda, prestação da casa, creche, mensalidades e seguros |
| Despesas variáveis necessárias | Supermercado, água, eletricidade, gás, transportes e saúde |
| Despesas ajustáveis | Restaurantes, lazer, compras pessoais e subscrições |
| Reservas para despesas anuais | Seguros, impostos, manutenção, férias e presentes |
| Poupança | Fundo de emergência e objetivos financeiros |
A classificação não tem de ser perfeita. Deve apenas permitir perceber quais são as despesas que não consegue alterar no imediato e onde existe maior margem de ajustamento.
O Banco de Portugal recomenda distinguir despesas necessárias e supérfluas, bem como despesas fixas e variáveis. Quanto maior for o peso das despesas fixas, menor tende a ser a capacidade de responder a uma quebra de rendimento ou a uma despesa inesperada.
Depois, calcule o saldo:
Se o resultado for positivo, existe margem para poupar mais, antecipar uma despesa ou reforçar um objetivo.
Se for negativo, reveja primeiro as despesas adiáveis ou ajustáveis. Pode também analisar contratos de telecomunicações, energia, seguros, serviços bancários ou outras despesas recorrentes.
Não existe uma percentagem de poupança adequada a todas as pessoas. Regras como a divisão 50/30/20 podem funcionar como ponto de partida, mas não consideram diferenças de rendimento, habitação, composição familiar ou nível de endividamento.
O melhor orçamento é aquele que consegue cumprir sem deixar de pagar as suas obrigações nem definir cortes impossíveis de manter.
Uma despesa não deixa de existir por ser paga apenas uma vez por ano.
Se um seguro automóvel custa 360 euros anuais, por exemplo, pode reservar 30 euros por mês. Desta forma, o pagamento já estará previsto quando chegar a data de renovação.
Pode aplicar o mesmo método a:
Esta reserva não deve ser confundida com o fundo de emergência, porque se destina a despesas previsíveis.
O fundo de emergência é uma poupança reservada para acontecimentos que não estavam previstos, como uma quebra de rendimento, uma avaria urgente ou uma despesa de saúde inesperada.
A sua função é evitar que um imprevisto obrigue a recorrer imediatamente a crédito ou comprometa o pagamento das despesas do mês.
Não existe um valor obrigatório nem uma resposta igual para todas as famílias.
Pode calcular a meta através da seguinte fórmula:
Ter entre três e seis meses de despesas necessárias é uma referência prática frequentemente utilizada. No entanto, poderá fazer sentido aproximar-se dos seis a 12 meses quando:
Por outro lado, uma pessoa com rendimento estável, poucas responsabilidades e boa proteção social poderá começar por uma meta mais reduzida.
Em vez de tentar reunir todo o montante de uma vez, avance por etapas:
A constituição de uma poupança para situações imprevistas é uma das finalidades que deve ser considerada no orçamento familiar.
O fundo deve estar separado do dinheiro utilizado no dia a dia, mas continuar acessível quando for necessário.
Ao escolher uma solução, confirme:
Quando o dinheiro é colocado num depósito bancário abrangido pelo sistema de garantia, os montantes estão protegidos até 100.000 euros por depositante e por instituição de crédito, caso os depósitos se tornem indisponíveis, ou seja, quando a instituição deixa de conseguir devolvê-los e o Banco de Portugal o confirma ou lhe revoga a autorização. Este limite considera o total dos depósitos do mesmo titular nessa instituição, e não cada conta separadamente. Nas contas com mais do que um titular, presume-se que o saldo pertence em partes iguais a cada um, pelo que o limite se aplica a cada titular.
O fundo de emergência não deve ser aplicado numa solução cujo valor possa variar significativamente ou que não permita levantar o dinheiro no momento em que é necessário.
“Poupar mais” é uma intenção. “Poupar 2.400 euros em 12 meses” é um objetivo que pode ser acompanhado.
Para cada objetivo, defina:
Pode calcular a contribuição mensal desta forma:
Por exemplo, para reunir 2.400 euros em 12 meses, terá de reservar 200 euros por mês. Caso esse valor não caiba no orçamento, pode prolongar o prazo, reduzir o custo do objetivo ou procurar libertar margem noutras categorias.
Para organizar as prioridades, pode separar os objetivos por horizonte temporal:
Estas categorias são apenas uma forma de organização. Não existem fronteiras rígidas entre curto, médio e longo prazo.
O prazo influencia a escolha do local onde guarda ou aplica o dinheiro. Uma quantia necessária dentro de poucos meses exige maior estabilidade e liquidez. Num objetivo de longo prazo poderá existir mais tempo para recuperar de oscilações, mas qualquer decisão deve respeitar o perfil de risco da pessoa.
As entidades do Plano Nacional de Formação Financeira recomendam que os produtos de poupança sejam escolhidos de acordo com o prazo do objetivo, as condições de mobilização e o risco de perda de capital.
Mantenha o fundo de emergência separado dos restantes objetivos. Uma viagem, um automóvel ou uma entrada para uma casa são despesas planeadas e não devem consumir a reserva destinada a imprevistos.
Não precisa de utilizar várias aplicações nem de criar uma folha de cálculo complexa. A melhor ferramenta é aquela que consegue atualizar regularmente.
Pode optar por:
Uma folha de cálculo permite adaptar categorias, criar fórmulas e acompanhar vários meses. Uma aplicação pode automatizar parte da organização. Um caderno pode ser suficiente para quem prefere um método mais simples.
Mais importante do que a ferramenta é criar uma rotina.
Algumas tarefas podem ser programadas para reduzir esquecimentos:
Confirme regularmente se os pagamentos automáticos continuam corretos. Uma subscrição que já não utiliza também pode continuar a ser cobrada de forma automática.
Evite guardar credenciais bancárias em ficheiros de orçamento e utilize apenas aplicações e páginas oficiais. Ative mecanismos adicionais de autenticação sempre que estejam disponíveis.
A gestão financeira não termina no extrato bancário. Ao longo do ano, consulte o e-Fatura para confirmar se existem documentos pendentes, despesas mal classificadas ou faturas em falta.
A lei fixa um prazo para esta verificação: as faturas devem ser confirmadas até ao último dia de fevereiro do ano seguinte ao da sua emissão, para que os valores sejam considerados no cálculo das deduções à coleta. Quando esse dia calha a um sábado, domingo ou feriado, o prazo transita para o primeiro dia útil seguinte. Confirme sempre a data exata no calendário fiscal da Autoridade Tributária.
Pode criar uma pasta digital para guardar:
Guarde os comprovativos das despesas declaradas durante os quatro anos seguintes àquele a que respeitam, período em que a Autoridade Tributária os pode exigir.
Um orçamento não deve ser preparado no início do mês e esquecido até ao mês seguinte.
Reserve alguns minutos por semana para verificar os movimentos e perceber se alguma categoria está a ultrapassar o valor previsto. Esta revisão permite corrigir o rumo enquanto ainda existe margem para o fazer.
No final de cada mês, compare:
Um desvio pontual não obriga a abandonar o orçamento. Pode resultar de uma consulta médica, de uma reparação ou de outro acontecimento que não se repete todos os meses.
O mais importante é perceber se o desvio foi excecional ou se revela uma estimativa pouco realista.
Faça uma revisão mais completa sempre que ocorrer uma mudança relevante, como:
Os objetivos também podem mudar. Ajustar o plano não significa desistir, mas adaptar as decisões à realidade atual.
Organizar as finanças pessoais torna-se mais simples quando se sabe exatamente o que se deve fazer e por onde começar.
Use esta checklist como guia rápido para confirmar os passos já concluídos, identificar o que falta e acompanhar a evolução do seu plano financeiro ao longo dos meses.
Descarregue a checklist e guarde-a para acompanhar, passo a passo, a organização das suas finanças pessoais.
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