Finanças

Já conhece os incentivos para morar no interior de Portugal?

5 minutos de leitura
Atualizado a 11 junho 2026
Incentivos para morar no interior de Portugal - Senhora feliz

Se está a pensar mudar-se para uma região mais tranquila, com menos trânsito e um custo de vida mais simpático, saiba que existem apoios específicos para quem escolhe o interior do país.

 

Entre incentivos ao emprego, majorações para quem tem família e apoios dirigidos a estudantes, há várias formas de tornar esta mudança mais viável.

 

A grande medida atualmente disponível chama-se Emprego Interior MAIS. Aqui fica tudo o que precisa de saber.

 

 

Morar e trabalhar no interior: o que é o Emprego Interior MAIS?

O Emprego Interior MAIS é um apoio financeiro atribuído pelo IEFP a pessoas que mudem a sua residência para um território classificado como Interior (Portaria n.º 208/2017) para aceitar um emprego, criar negócio próprio ou trabalhar remotamente com atividade localizada nesses concelhos.

 

É, neste momento, o incentivo mais relevante e mais direto para quem quer viver no interior de Portugal.

 

 

Quem se pode candidatar?

Podem pedir este apoio:

  • desempregados inscritos no IEFP ou nos serviços de emprego das Regiões Autónomas
  • trabalhadores que aceitem um novo emprego, desde que implique mudança de residência para o interior
  • quem crie o seu próprio emprego ou empresa, com atividade localizada num concelho do interior
  • emigrantes que regressem a Portugal, desde que tenham saído do país depois de 31 de dezembro de 2015 e residido no estrangeiro pelo menos um ano
  • pessoas em teletrabalho, se o local de prestação de trabalho for o interior
  • cidadãos da União Europeia, da Suíça e do Espaço Económico Europeu, bem como nacionais de países terceiros com residência legal em Portugal, que se mudem para o interior para trabalhar.

 

Quais são as condições?

Para beneficiar deste incentivo, é necessário:

  • ter um contrato de trabalho sem termo, um contrato a termo (certo ou incerto) com duração mínima de 12 meses, ou um contrato de bolsa com duração mínima de 12 meses; em alternativa, criar o próprio emprego ou empresa (até 10 postos de trabalho)
  • receber pelo menos o salário mínimo nacional
  • mudar a residência até nos 180 dias antes ou depois do início do contrato ou atividade 
  • a permanência na nova morada deve ser de pelo menos 12 meses
  • a residência anterior não pode estar num território classificado como interior
  • no caso de criação de empresa ou trabalho independente, a atividade deve estar registada no interior.

 

 

Qual o valor do apoio?

O apoio base é calculado em função do IAS (Indexante dos Apoios Sociais) que, em 2026, é de 537,13 euros. O valor base do Emprego Interior MAIS corresponde a 7 x IAS (3.759,91 euros) para contrato sem termo (novo ou já existente) ou criação do próprio emprego/empresa. No caso de contrato a termo certo ou incerto, ou contrato de bolsa, com duração igual ou superior a 12 meses, o valor base é de 5 x IAS (2.685,65 euros).

 

Majorações possíveis

O apoio pode ainda aumentar através de:

  • majoração de 20% do apoio base por cada pessoa do agregado familiar que se mude consigo para o interior
  • apoio complementar de 805,70 euros (1,5 x IAS) para as despesas de transporte de bens para a nova residência.

 

O valor efetivo da majoração depende do número de pessoas que mudam consigo e das despesas apresentadas.

 

Pagamento dividido em fases

O IEFP faz o pagamento em vários momentos, que podem incluir:

  • 60% do total aprovado, no prazo de 10 dias úteis após a entrega do termo de aceitação da decisão de aprovação e dos documentos necessários
  • 40% do total aprovado, no 13.º mês após o início do contrato, a criação do próprio emprego/empresa ou a mudança do local de trabalho.

 

Como se candidatar

A candidatura é feita online, no portal do IEFP, no prazo de máximo de 180 dias seguidos a contar do início do contrato de trabalho ou da atividade independente.

Documentos normalmente pedidos:

  • contrato de trabalho ou comprovativo de início de atividade / constituição da empresa
  • documento comprovativo da mudança de residência
  • declaração de não dívida ou autorização de consulta à Segurança Social e Autoridade Tributária
  • comprovativo da composição do agregado familiar (quando aplicável).

 

 

Outros apoios relacionados com estudar no interior

Além deste programa, existem medidas destinadas a apoiar os estudantes deslocados no interior, nomeadamente:

 

Programa +Superior

  • Bolsa anual de 1.700 euros para estudantes deslocados do ensino superior que estudem em instituições do interior
  • Destinada a estudantes com bolsa atribuída pelos serviços de ação social.

 

Majoração nas despesas de educação em IRS

  • Para estudantes que frequentem estabelecimento de ensino localizado no interior (ou nas Regiões Autónomas), as despesas de educação e formação são majoradas em 10 pontos percentuais, passando a dedução de 30% para 40% do valor suportado
  • Com o limite global elevado para 1.000 euros (artigo 41.º-B, n.º 11, do EBF).

 

Incentivos para empresas no interior

Existem ainda medidas pensadas para apoiar a fixação de empresas nestes territórios — não diretamente para residentes, mas que ajudam à criação de emprego local.

 

As principais são:

 

Dedução por Lucros Retidos e Reinvestidos (DLRR).

Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI).

 

 

 

Vale a pena mudar-se para o interior?

Se procura:

  • mais qualidade de vida
  • menos custos com habitação
  • maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
  • e ainda receber um apoio financeiro relevante

… então sim, pode ser uma oportunidade significativa.

 

O apoio é generoso, aplica-se a uma grande variedade de situações e pode ajudar a tornar a mudança mais tranquila.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

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