Finanças

O que são ações e como funcionam?

3 minutos de leitura
Atualizado a 11 junho 2026
O que são ações e como funcionam

Muito provavelmente já ouviu falar em ações, seja nas notícias, em conversas sobre investimentos ou até quando alguém diz que “a bolsa caiu”. Mas o que são, afinal, as ações? E como é que funcionam na prática?

 

Vamos por partes, sem linguagem difícil e com exemplos simples. A ideia é que, no final deste artigo, saiba exatamente o que significa investir em ações e se este tipo de investimento pode (ou não) fazer sentido para si.

 

 

O que são ações?

Imagine uma empresa como um bolo. Em vez de pertencer a uma única pessoa, esse bolo é dividido em várias fatias iguais. Cada fatia é uma ação.

 

Quando compra uma ação, passa a ser dono de uma pequena parte dessa empresa. Não vai mandar nela nem escolher o CEO, mas torna-se acionista e passa a participar, para o bem e para o mal, na sua evolução.

 

Na prática, uma ação representa uma parcela do capital social de uma empresa. Ao comprá-la, está a investir no presente e no futuro desse negócio.

 

 

Quais as vantagens de investir em ações?

Como referido, ao comprar uma ação está a tornar-se dono de uma parcela de uma empresa. Deste modo, as vantagens de investir em ações são as mesmas vantagens de deter uma empresa, destacando-se duas:

  • beneficiar do crescimento da empresa e da sua rentabilidade, que se traduzirá na valorização da sua participação na empresa
  • obter rendimentos periódicos (conhecidos como dividendos), caso a empresa os distribua.

 

Porque é que as empresas emitem ações?

As empresas precisam de dinheiro para crescer: lançar novos produtos, contratar pessoas, entrar noutros mercados. Para isso, têm essencialmente três caminhos:

  • pedir dinheiro emprestado ao banco
  • emitir dívida (como obrigações)
  • vender partes da empresa ao público, através de ações.

 

Ao emitir ações, a empresa recebe capital sem contrair dívida. Em troca, passa a ter mais donos, os acionistas.

 

 

Ações ordinárias e ações preferenciais: qual a diferença?

Nem todas as ações são iguais. As mais comuns são estas duas:

  • ações ordinárias. São as mais frequentes. Normalmente dão direito de voto em assembleias gerais e podem pagar dividendos, mas estes não são garantidos
  • ações preferenciais. Regra geral, não dão direito de voto, mas oferecem prioridade no pagamento de dividendos. Em caso de insolvência da empresa, estes acionistas êm também prioridade no reembolso face aos acionistas ordinários (embora, como qualquer acionista, fiquem atrás dos credores e obrigacionistas). 

 

Na prática, as ações ordinárias oferecem mais “voz” e potencial de crescimento; as preferenciais, mais previsibilidade.

 

 

O que faz o preço de uma ação subir ou descer?

Aqui entra a parte mais “emocional” dos mercados.

 

O preço de uma ação é determinado pela oferta e procura. Se há mais pessoas a querer comprar do que a vender, o preço sobe. Se acontece o contrário, desce.

 

Mas o que influencia essa procura?

  • resultados e perspetivas da empresa
  • notícias (boas ou más)
  • evolução do setor e da economia
  • expectativas e confiança dos investidores.

 

Por isso, uma empresa pode estar saudável… e ainda assim ver a sua ação cair. E o inverso também acontece.

 

Um detalhe importante: uma boa empresa não é sempre um bom investimento, tudo depende do preço a que entra.

 

 

Como calcular o retorno do investimento numa ação?

O retorno do investimento em ações considera a alteração do valor de mercado da ação, bem como o valor do respetivo dividendo. Por exemplo, se adquiriu uma ação por 10 euros e se essa ação, depois de distribuir 1 euro de dividendos, vale atualmente 12 euros, o retorno do seu investimento será de (12€ − 10€ + 1€) / 10 euros, ou seja, 30%. 

 

 

Quais os riscos de comprar uma ação?

A compra de uma ação traz também associado um conjunto de riscos. Ao investirmos numa empresa estamos a apostar no seu crescimento no futuro e sabemos que o futuro é por inerência incerto. Logo, é possível que venha a correr alguns riscos que se podem traduzir na perda de parte ou da totalidade do capital investido. Alguns riscos do investimento em ações podem ser:

 

Risco Operacional

A incerteza associada às operações da própria empresa, o sucesso da sua estratégia de negócio, a solidez do seu modelo de negócio, entre outros. Este é o risco específico daquela ação ou empresa.

 

Risco Cambial 

O potencial impacto financeiro das operações que a empresa tem no estrangeiro e o risco de oscilação do preço de ações cotadas em moedas estrangeiras, decorrentes da variação das taxas de câmbio. 

 

Risco Político 

Uma empresa que opera num determinado mercado está permeável aos riscos políticos e económicos desse mercado.

 

 

Como diversificar os seus riscos?

Ao comprar uma ação está a assumir os riscos referidos na secção anterior, tendo o seu risco muito concentrado. Costuma ser recomendável que diversifique os seus riscos. Como?

  • Investindo em várias empresas
  • Em diferentes setores
  • Ou através de fundos de investimento ou ETFs, que já reúnem várias ações num só produto.

 

Estas soluções não eliminam o risco, mas tornam-no mais equilibrado.

 

As ações não são um bicho-papão nem uma fórmula mágica para enriquecer. São simplesmente uma forma de participar no crescimento das empresas (com tudo o que isso implica).

 

Perceber como funcionam, quais os ganhos possíveis e os riscos envolvidos é o primeiro passo para decidir se têm lugar (ou não) na sua estratégia financeira. Informação, aqui, vale tanto como o próprio investimento.

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