Bem-estar

Quais são os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS)?

5 minutos de leitura
Publicado a 16 Fevereiro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Fundo de natureza com icon do mundo rodeado pelos icones dos objetivos de desenvolvimento sustentável

Há temas que parecem “grandes demais” para o dia a dia, até que percebemos que estão presentes em tudo um pouco: no preço dos alimentos, no acesso a cuidados de saúde, na qualidade da água, no emprego, na forma como as cidades crescem e na confiança nas instituições.

 

Todos estes temas têm algo em comum: exigem soluções que vão além de decisões isoladas.

 

Os ODS são 17 objetivos globais definidos pelas Nações Unidas para orientar o mundo até 2030, com o propósito de melhorar a vida das pessoas sem rebentar com os limites do planeta.

 

 

O que são os ODS da Agenda 2030 e para que servem?

Os ODS fazem parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada pelos Estados-Membros das Nações Unidas em 2015 e em vigor desde 2016. Funcionam como um “mapa” partilhado, com metas e indicadores que ajudam a medir o progresso ao longo do tempo.

 

Servem para três coisas muito concretas:

 

  1. Criar uma linguagem comum: quando uma empresa fala de “ODS 7” (energia) ou “ODS 13” (ação climática), toda a gente sabe do que se trata
  2. Definir prioridades e metas: não é só intenção bonita; existem metas associadas a cada objetivo, com indicadores para acompanhar evolução
  3. Apoiar decisões e políticas: desde estratégias de sustentabilidade e ESG a programas públicos, projetos de voluntariado, educação e investimento com impacto.

 

 

O que são os “5 Ps” (Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz, Parcerias)

A Agenda 2030 organiza a ideia de desenvolvimento sustentável em cinco áreas, conhecidas como os 5 Ps. Se um projeto encaixa num desses “Ps”, já está a tocar no coração da Agenda 2030. 

 

Deste modo, conseguimos perceber como os 17 objetivos se encaixam num todo:

 

  1. Pessoas: combater pobreza, fome, desigualdades e garantir saúde, educação e dignidade
  2. Planeta: proteger recursos naturais, clima, oceanos e biodiversidade, para as próximas gerações
  3. Prosperidade: promover bem-estar e progresso económico, mas de forma equilibrada e sustentável
  4. Paz: sociedades mais seguras, justas, inclusivas, com instituições mais fiáveis
  5. Parcerias: colaboração real entre governos, empresas, organizações e cidadãos para fazer acontecer.

 

 

Quais são os 17 ODS?

A lista é extensa, mas a lógica é bastante intuitiva. Deixamos-lhe uma explicação sucinta de cada objetivo:

 

  1. Erradicar a pobreza: reduzir pobreza em todas as suas dimensões e reforçar proteção social e acesso a recursos
  2. Erradicar a fome: garantir segurança alimentar, melhor nutrição e agricultura sustentável
  3. Saúde de qualidade: melhorar saúde física e mental, acesso a cuidados, medicamentos e prevenção
  4. Educação de qualidade: acesso a educação inclusiva, equitativa e competências para a vida e trabalho
  5. Igualdade de género: combater discriminação e violência, promover oportunidades e participação
  6. Água potável e saneamento: acesso a água segura, saneamento e gestão sustentável da água
  7. Energias renováveis e acessíveis: energia limpa, fiável e com mais eficiência energética
  8. Trabalho digno e crescimento económico: emprego com direitos, condições seguras e economia mais inclusiva
  9. Indústria, inovação e infraestruturas: infraestruturas resilientes, inovação e industrialização sustentável
  10. Reduzir as desigualdades: inclusão social e económica, combate à discriminação e desigualdades de rendimento
  11. Cidades e comunidades sustentáveis: habitação, mobilidade, planeamento urbano e espaços públicos mais humanos
  12. Produção e consumo sustentáveis: menos desperdício, mais eficiência, economia circular e escolhas responsáveis
  13. Ação climática: mitigação, adaptação e resiliência perante impactos climáticos
  14. Proteger a vida marinha: oceanos mais saudáveis, menos poluição e gestão sustentável de recursos marinhos
  15. Proteger a vida terrestre: florestas, solos, biodiversidade e combate à degradação dos ecossistemas
  16. Paz, justiça e instituições eficazes: Estado de direito, transparência, direitos, justiça acessível e instituições sólidas
  17. Parcerias para a implementação dos objetivos: cooperação, financiamento, tecnologia e dados para acelerar resultados.

 

Uma nota importante: os ODS estão interligados. Por exemplo, trabalhar o ODS 4 (educação) pode ter impacto no ODS 8 (emprego), no ODS 10 (desigualdades) e até no ODS 3 (saúde).

 

 

Indicadores e relatórios dos ODS: onde consultar

Quando o tema é sustentabilidade, o que dá confiança é conseguir ver dados. E, neste tema, há boas notícias: existe informação pública e acompanhamentos regulares.

 

Onde consultar:

 

 

 

Como escolher ODS para um projeto?

A tentação é ir atrás dos ODS “mais populares”. Mas um bom projeto não escolhe por moda. Escolhe os que fazem sentido para aquilo que quer mudar.

 

Um caminho simples (e bastante usado em ESG) pode ser este:

 

1. Definir o foco do projeto. Por exemplo, reduzir desperdício, apoiar integração de refugiados, melhorar literacia financeira, reforçar educação, tornar operações mais eficientes

2. Mapear impacto direto e impacto indireto: 

a. Impacto direto: o que o projeto faz mesmo

b. Impacto indireto: efeitos colaterais positivos ou riscos a mitigar

3. Escolher 1 ODS principal e 2 ou 3 ODS de apoio. Mais do que isso costuma diluir. Um ODS principal dá clareza. Os de apoio mostram ligação ao sistema

4. Traduzir ODS em metas e indicadores reais. Sem métricas, fica só intenção. Metas não precisam ser complexas, precisam ser “acompanháveis”.

 

Por exemplo, imagine um projeto empresarial focado na redução do desperdício alimentar nas operações internas.

 

  • O ODS principal pode ser o ODS 12 – Produção e consumo sustentáveis, por estar diretamente ligado à prevenção do desperdício
  • Como ODS de apoio, podem surgir o ODS 13 – Ação climática, devido à redução de emissões associadas ao desperdício
  • E o ODS 8 – Trabalho digno e crescimento económico, se o projeto incluir melhorias de eficiência e formação das equipas.

 

As metas podem ser simples e mensuráveis, como reduzir o desperdício alimentar em X% num ano ou aumentar a taxa de reaproveitamento de excedentes.

 

 

O que é a Agenda 2030?

A Agenda 2030 é o compromisso global que enquadra os ODS e define o horizonte: até 2030, melhorar a vida das pessoas e proteger o planeta, sem deixar ninguém para trás.

 

Surgiu como evolução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), que existiram entre 2000 e 2015. Ao contrário dos ODM, mais centrados nos países em desenvolvimento, os ODS aplicam-se a todos os países e equilibram as dimensões social, ambiental e económica.

 

E há outro ponto importante: a Agenda 2030 não é “um plano da ONU para os governos”. É um enquadramento que também dá estrutura ao que empresas, escolas, organizações e comunidades já fazem, ajudando a ligar causas, medir resultados e criar colaboração.

 

No fim do dia, é isto: os ODS servem para orientar escolhas, dar prioridade ao que tem impacto e tornar o progresso visível.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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