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Os retroativos de IRS deram um fôlego extra aos salários de agosto e setembro e, para muitos contribuintes, pareceram quase um prémio inesperado. Mas, na verdade, não são um bónus nem um apoio especial: representam apenas o acerto das retenções que foram feitas a mais entre janeiro e julho.
E, apesar de ter ajudado, o ajuste vai voltar a fazer-se sentir novamente quando chegar o IRS em 2026.
Apesar da palavra “retroativos” soar a extra, a verdade é que não são nenhum subsídio, prémio ou oferta do Estado. É apenas um acerto de contas.
Todos os meses, quem trabalha por conta de outrem adianta IRS ao Estado através da retenção na fonte. Quando as tabelas mudam a meio do ano (como aconteceu em 2024 e voltou a acontecer em 2025) pode acontecer que os descontos feitos entre janeiro e julho tenham sido superiores ao que seria devido à luz das novas taxas.
Resultado: é preciso corrigir. E essa correção faz-se aumentando o salário líquido em agosto e setembro, para devolver (via retenção mais baixa ou mesmo nula) aquilo que ficou retido a mais nos meses anteriores.
Isto é o retroativo: devolver o imposto que não deveria ter sido descontado. Nem mais, nem menos.
Tudo começou com a atualização das tabelas de retenção na fonte. O Governo decidiu ajustar novamente o IRS (um corte global de 500 milhões de euros) e, para isso, as novas tabelas precisavam de refletir a redução desde o início do ano.
As novas tabelas foram publicadas através do Despacho n.º 8464-A/2025, que também permitiu às empresas aplicar os acertos ao longo do ano, até dezembro, caso não conseguissem atualizar os salários em agosto.
Para compensar os descontos feitos a mais entre janeiro e julho, entrou então em cena o acerto de verão.
Na prática, os retroativos refletiram-se assim:
Ou seja: agosto e setembro foram meses atípicos, criados para acomodar o acerto. Outubro em diante é que reflete a “verdadeira” tabela do ano.
Um detalhe que passou despercebido a muita gente: os retroativos pagos no verão foram mais generosos do que o necessário para compensar o excesso de retenção entre janeiro e julho. Vários fiscalistas chamaram a atenção — o Governo quis dar um alívio imediato maior, mas isso terá impacto no acerto de 2026.
A redução do IRS anunciada pelo Governo representou um investimento global de 500 milhões de euros. O corte não aconteceu apenas nos meses do acerto: está presente nas taxas finais do próprio imposto anual.
O problema é que, para devolver o imposto retido a mais, agosto e setembro acabaram por trazer um alívio ainda maior do que esse corte justificava.
A medida teve impacto direto em mais de dois milhões de trabalhadores e pensionistas. No imediato, as contas bancárias receberam um fôlego extra, e isso fez diferença no orçamento de verão: pagar férias, aliviar dívidas, lidar com despesas familiares, ou simplesmente respirar um pouco.
Para muitos contribuintes, foi mesmo a primeira vez que viram duas prestações mensais totalmente isentas de IRS. O efeito foi sentido de forma transversal.
Vale lembrar que este alívio foi temporário e não representa um benefício adicional, mas sim um ajuste técnico.
A curto prazo, este dinheiro a mais ajudou milhares de famílias a ganhar margem financeira. Mas esse conforto deve vir com cautela: o que entrou em agosto e setembro muito provavelmente vai refletir-se num reembolso mais pequeno ou até num valor a pagar em 2026.
E porque é que isto acontece? Porque ao receber mais agora, desconta menos do que corresponde ao imposto real do ano.
Aqui está a pergunta que mais importa agora. Com as novas tabelas, a redução das taxas e os retroativos extraordinários de agosto e setembro, o que vai acontecer quando entregar a declaração de IRS em 2026?
A resposta curta: na maioria dos casos, vai receber menos reembolso — ou poderá mesmo ter de pagar imposto.
E porquê? Porque a retenção feita nestes dois meses esteve muito abaixo do imposto final anual. Em muitos casos, demasiado abaixo.
As simulações das consultoras apontam todas no mesmo sentido:
No exemplo da consultora PWC, para o Jornal de Negócios:
Um trabalhador solteiro, sem filhos, que ganha 1.500 euros brutos:
É o exemplo perfeito de como o salário extra do verão reaparece mais tarde… mas com sinal contrário.
A descida global do IRS em 500 milhões de euros foi real, refletida nas taxas e nos rendimentos de outubro em diante. Mas o efeito excecional dos meses de verão vai sentir-se no acerto de 2026: reembolsos mais baixos e, em vários casos, imposto a pagar.
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