finanças
Finanças
Com a descida gradual das taxas de juro, muitas famílias voltam a ponderar a compra de casa. Mas entre taxa fixa, variável ou mista, a resposta não é imediata. Para perceber em que situações a taxa mista pode ou não fazer sentido, falámos com Catarina Brandão, fundadora do Cat.Poupança, especialista em literacia financeira e gestão familiar.
Catarina começa por contextualizar: a taxa mista ganhou destaque sobretudo entre 2023 e 2024, como forma de proteção face à escalada da Euribor.
“Hoje o cenário mudou. As taxas estabilizaram, o ambiente é mais previsível, mas a verdade é que ninguém sabe como vão evoluir os próximos meses — nem em Portugal, nem no mundo”, alerta.
É por isso que, mesmo em 2026, este tipo de taxa continua a ser uma opção válida, embora não necessariamente a melhor para todos.
A educadora financeira sublinha que o mais importante é perceber o perfil e o momento de vida de cada família. Por exemplo, quando a prestação está no limite e tira o sono, a previsibilidade trazida pela taxa mista pode ser uma ajuda preciosa. O mesmo se aplica a quem está a dar os primeiros passos na vida financeira e precisa de tempo para criar uma reserva. Também pode ser uma escolha estratégica:
“Há quem a use com o objetivo de amortizar durante o período fixo, aproveitando esse ‘balão de oxigénio’ inicial”, explica.
E, claro, há fases mais instáveis (como uma mudança de trabalho ou a chegada de um filho) em que a estabilidade da prestação pode ser uma mais-valia.
No curto e médio prazo, o grande trunfo da taxa mista é mesmo a previsibilidade. Durante o período fixo, a prestação mantém-se inalterada, o que facilita bastante o planeamento.
“É mais fácil fazer um orçamento, definir metas de poupança e não viver com a ansiedade mensal das oscilações da Euribor”, defende Catarina.
Ainda que, em muitos casos, essa estabilidade inicial implique uma taxa mais elevada do que na variável, para muitas famílias esse é um custo que compensa.
O desafio, segundo a especialista, está em não cair na armadilha do “depois logo se vê”. Quando termina o período fixo, o crédito passa a ter uma taxa variável e a prestação fica sujeita às flutuações do mercado. Por isso, Catarina aconselha a ter bem presente a data de transição, o indexante associado (3, 6 ou 12 meses) e a simular o pior cenário possível.
“É fundamental perceber até onde pode subir a prestação sem comprometer o orçamento familiar”, defende.
A previsibilidade de hoje tem de ser aproveitada para preparar a incerteza de amanhã.
Mas, afinal, como escolher entre taxa variável, fixa ou mista? Catarina propõe uma explicação simples: a variável é indicada para quem aceita jogar com o mercado e convive bem com revisões regulares da prestação. A fixa garante previsibilidade durante todo o contrato, ideal para quem privilegia segurança. Já a mista junta as duas abordagens — e é precisamente por isso que tem atraído tantos olhares. Para quem valoriza estabilidade, mas não quer “fechar a porta” a eventuais descidas de juros, parece ser o tal meio-termo.
Ainda assim, Catarina deixa um alerta:
“Estamos sempre a trabalhar com eventualidades. A taxa mista dá um fôlego no orçamento, mas essa folga deve ser bem usada.”
E essa utilização passa, por exemplo, por reforçar a poupança ou avançar com um plano de amortização antecipada.
Catarina deixa algumas sugestões:
Quanto à amortização antecipada, pode ser uma boa escolha — desde que não comprometa a saúde financeira da família.
“Antes de amortizar, é importante garantir que o orçamento mensal está equilibrado e que existe uma reserva que cubra imprevistos, como despesas médicas ou avarias em casa”, reforça.
Para quem não domina os termos nem os cenários, o medo de “escolher mal” é real. Catarina reconhece esse receio e dá um conselho que aplica a todas as áreas das finanças pessoais: tomar decisões com base na realidade de cada família.
“O melhor para uns não é necessariamente o melhor para outros. É preciso olhar para o agregado familiar, estabilidade profissional, e para o que realmente valorizam.” Por isso, recomenda fazer simulações, testar cenários e fazer perguntas difíceis: “Se a prestação subir 300 euros, conseguimos manter o essencial? Vivemos mês a mês ou temos um fundo de emergência?”
Na sua experiência, a literacia financeira faz toda a diferença.
“As pessoas ouvem falar em taxa mista, fixa ou variável, mas muitas vezes não sabem o que isso significa no dia a dia. O vocabulário técnico afasta mais do que aproxima.”
Traduzir conceitos como Euribor, spread ou revisão da prestação para exemplos práticos é, para Catarina, uma das chaves para decisões mais conscientes — e menos stressantes.
No final, quisemos saber que conselhos daria a uma família com filhos pequenos e orçamento estável, à procura da melhor opção. Catarina não hesita: começa-se sempre pelas contas. Só depois entram os fatores emocionais ou de estilo de vida.
“Fazemos simulações, avaliamos a margem de conforto de cada opção, e ponderamos a existência de poupanças ou reservas. Muitas vezes, este exercício já mostra claramente qual é o caminho mais tranquilo.”
E, como última nota, identifica um erro comum: decidir com base apenas no valor da prestação no momento da contratação, ignorando o que pode acontecer no futuro.
“Contratar crédito habitação sem perceber como funciona a Euribor, o spread ou os prazos é como entrar num jogo sem conhecer as regras. E isso, inevitavelmente, aumenta os riscos.”
Uma coisa é certa: quando se trata de crédito habitação, escolher bem vai muito além de comparar números. É, acima de tudo, conhecer a própria realidade e ter clareza sobre o que nos dá tranquilidade.
Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.
A sua opinião ajuda-nos a melhorar continuamente os conteúdos dos nossos artigos.
Gostaria de deixar uma sugestão específica?
Pode fazê-lo no campo de comentário abaixo.
Finanças
Calcular prestação da casa: o que considerar para fazer escolhas seguras
Finanças
O segredo para poupar e controlar o orçamento? Experimente o 50/30/20
Finanças
Aprenda a gerir o seu dinheiro e a poupar todos os meses
Informação de tratamento de dados
O Banco Santander Totta, S.A. é o responsável pelo tratamento dos dados pessoais recolhidos.
O Banco pode ser contactado na Rua da Mesquita, 6, Centro Totta, 1070-238 Lisboa.
O Encarregado de Proteção de Dados do Banco poderá ser contactado na referida morada e através do seguinte endereço de correio eletrónico: privacidade@santander.pt.
Os dados pessoais recolhidos neste fluxo destinam-se a ser tratados para a finalidade envio de comunicações comerciais e/ou informativas pelo Santander.
O fundamento jurídico deste tratamento assenta no consentimento.
Os dados pessoais serão conservados durante 5 anos, ou por prazo mais alargado, se tal for exigido por lei ou regulamento ou se a conservação for necessária para acautelar o exercício de direitos, designadamente em sede de eventuais processos judiciais, sendo posteriormente eliminados.
Assiste, ao titular dos dados pessoais, os direitos previstos no Regulamento Geral de Proteção de Dados, nomeadamente o direito de solicitar ao Banco o acesso aos dados pessoais transmitidos e que lhe digam respeito, à sua retificação e, nos casos em que a lei o permita, o direito de se opor ao tratamento, à limitação do tratamento e ao seu apagamento, direitos estes que podem ser exercidos junto do responsável pelo tratamento para os contactos indicados em cima. O titular dos dados goza ainda do direito de retirar o consentimento prestado, sem que tal comprometa a licitude dos tratamentos efetuados até então.
Ao titular dos dados assiste ainda o direito de apresentar reclamações relacionadas com o incumprimento destas obrigações à Comissão Nacional da Proteção de Dados, por correio postal, para a morada Av. D. Carlos I, 134 - 1.º, 1200-651 Lisboa, ou, por correio eletrónico, para geral@cnpd.pt (mais informações em https://www.cnpd.pt/).
Para mais informação pode consultar a nossa política de privacidade (https://www.santander.pt/politica-privacidade).