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Finanças
Se tem uma casa fria no inverno, quente no verão e com contas cada vez mais altas, vale a pena perceber que apoios existem e, sobretudo, quais estão efetivamente abertos.
Em 2026, os apoios do Fundo Ambiental e dos programas associados à transição energética estão integrados numa estratégia pública coordenada pela Agência para o Clima (ApC), que assume a gestão do fundo e de vários programas financiados pelo PRR. O objetivo mantém-se claro: ajudar famílias, empresas e autarquias a reduzirem consumos, melhorarem a eficiência energética e adotarem soluções mais sustentáveis.
Importa, no entanto, sublinhar que o cenário se alterou de forma significativa ao longo do primeiro semestre de 2026: os principais programas dirigidos às famílias encerraram candidaturas e os novos apoios anunciados ainda não têm aviso publicado.
Veja quais são os apoios que existem atualmente, as novidades anunciadas, e como se pode candidatar.
O Fundo Ambiental financia políticas públicas relacionadas com:
Para além de apoiar municípios, empresas e organizações, o fundo financia programas destinados diretamente aos consumidores, como incentivos à eficiência energética, energias renováveis, mobilidade elétrica e substituição de equipamentos por versões mais eficientes.
Desde 2025, o Fundo Ambiental passou para a tutela da Agência para o Clima (ApC), instituto público criado pelo Decreto-Lei n.º 122/2024, de 31 de dezembro, que centraliza a gestão dos apoios nas áreas da energia e clima no âmbito do PRR.
Durante vários anos, o PAE+S foi o principal programa para pequenas obras de eficiência energética em habitações (janelas eficientes, isolamento, painéis solares, bombas de calor). O programa foi oficialmente encerrado em 2024, após um reforço extraordinário de financiamento.
Em 2026 não foram abertas novas fases deste programa.
Contudo, o fim das candidaturas ao PAE+S não significou o fim dos apoios à eficiência energética. A política pública entra numa nova fase com programas orientados para:
Esta nova fase passa, sobretudo, pela operacionalização do Fundo Social para o Clima, cujo Plano Social para o Clima 2026-2032 foi objeto de consulta pública encerrada a 18 de novembro de 2025, tendo o relatório final sido publicado a 19 de janeiro de 2026.
O Programa E-Lar teve duas fases, ambas financiadas pelo PRR, e ambas encerradas a novas candidaturas.
A 1.ª fase (aviso n.º 10/C13-i01/2025) abriu a 30 de setembro de 2025 e encerrou seis dias depois, a 5 de outubro, por esgotamento da dotação de 30 milhões de euros, com cerca de 40 mil candidaturas submetidas.
A 2.ª fase (aviso n.º 11/C13-i01/2025) foi publicada a 2 de dezembro de 2025 e recebeu candidaturas a partir de 11 de dezembro, com uma dotação global de 60,8 milhões de euros — acima dos 51,5 milhões inicialmente anunciados. A 24 de março de 2026, no âmbito das negociações do PRR em curso, o aviso foi encerrado para novas candidaturas. O programa mantém-se, ainda assim, em execução: os fornecedores podem submeter pedidos de pagamento na plataforma do Fundo Ambiental até 30 de novembro de 2026.
O objetivo era ajudar as famílias a substituir equipamentos a gás por alternativas elétricas mais eficientes.
Equipamentos que podiam ser substituídos:
Equipamentos elegíveis para apoio:
Na 2.ª fase, podiam candidatar-se dois grupos de beneficiários: pessoas singulares com Tarifa Social de Energia Elétrica (Grupo II) e outras pessoas singulares com contrato de fornecimento de eletricidade (Grupo III), em Portugal Continental.
Os novos equipamentos tinham de ser elétricos e de classe energética A ou superior. Esta exigência não se aplicava às placas elétricas e, nos termoacumuladores com mais de 30 litros, a classe mínima era B. O beneficiário devia também comprovar que o equipamento substituído estava a uso e que o novo ficava instalado na habitação.
O Governo anunciou a intenção de lançar uma 3.ª fase do programa em 2026, financiada pelo Fundo Social para o Clima. Até à data desta atualização, não foi publicado qualquer aviso no portal do Fundo Ambiental.
Este programa (aviso n.º 09/C13-i01/2025) foi formalmente encerrado a 4 de novembro de 2025, por ausência total de candidaturas. Segundo o Fundo Ambiental, a verba inicialmente afeta foi reafetada a outra medida do PRR com procura comprovada.
Destinava-se a financiar melhorias de eficiência energética em:
Os potenciais beneficiários incluíam:
As intervenções elegíveis incluíam obras estruturais de isolamento, sistemas renováveis, gestão inteligente de energia e melhorias de conforto térmico.
O programa Vale Eficiência, que permitia a famílias vulneráveis trocar janelas, aquecimento ou equipamentos por soluções energeticamente mais eficientes. A última fase ficou marcada por atrasos e por uma redução significativa do número de vales atribuídos.
De acordo com declarações do Ministério do Ambiente e Energia noticiadas em abril de 2026, o Governo assumiu o compromisso de regularizar os pagamentos em atraso ainda durante o ano, apontando para o encerramento definitivo da medida.
Ainda assim, como se trata de uma iniciativa alinhada com os objetivos nacionais de eficiência energética, não está excluída a possibilidade de o Governo vir a relançar o apoio através de novo aviso ou de um formato atualizado. Por agora, recomenda-se acompanhar o site do Fundo Ambiental para verificar eventuais novidades.
É um dos principais mecanismos de incentivo à mobilidade limpa e abrange várias tipologias de veículos e equipamentos, com regras distintas para cada uma.
Em 2026 decorreu a 2.ª fase do incentivo à aquisição de veículos de emissões nulas (VEN 2025/2026), com uma dotação de 10 milhões de euros e candidaturas entre 11 de junho e 27 de julho de 2026, ou até ao esgotamento dos incentivos disponíveis por tipologia. O período de candidaturas está encerrado.
Os valores aplicados foram:
O abate é exigido apenas na tipologia dos ligeiros de passageiros. São elegíveis faturas emitidas a partir de 1 de janeiro de 2025 e o beneficiário fica obrigado a manter a propriedade do veículo ou do equipamento durante, pelo menos, 24 meses, não sendo permitida a exportação dos veículos apoiados.
A medida assenta na Resolução do Conselho de Ministros n.º 134-C/2024, com a reprogramação temporal dos encargos plurianuais operada pelas RCM n.os 28/2026 e 83/2026.
Historicamente, o Fundo Ambiental previu apoios à instalação de:
Os concursos, valores e prazos variam de ano para ano e dependem do orçamento disponível do Fundo Ambiental.
Em 2026, não existe aviso aberto dirigido a particulares nesta área. O Governo já sinalizou publicamente a intenção de criar um apoio à instalação de painéis solares e baterias em moldes semelhantes ao E-Lar, eventualmente integrado numa nova fase deste programa, mas até à data não foi publicado qualquer aviso.
Os avisos de 2026 nesta área destinam-se a outros beneficiários. É o caso do AAC n.º 02/2026, de apoio a investimentos em eficiência energética, produção e armazenamento de energia, com uma dotação de 15 milhões de euros financiada pelo Fundo Ambiental, dirigido a produtores agrícolas regantes, produtores de leite e associações de regantes, com candidaturas entre 2 e 30 de junho de 2026 através do portal do IFAP. Existe ainda o aviso «Flexibilidade de Rede e Armazenamento», reforçado em 20 milhões de euros em abril de 2026.
Não existe, em 2026, um programa autónomo de incentivo ao abate de veículos antigos. O abate mantém-se, contudo, como condição de acesso ao incentivo à aquisição de ligeiros de passageiros 100% elétricos no âmbito da Mobilidade Verde – Passageiros, que exige o abate de um veículo a combustível fóssil com mais de 10 anos.
Trata-se de um instrumento com impacto direto na renovação da frota automóvel, na redução das emissões e na segurança rodoviária, pelo que poderá voltar a ser equacionado pelo Governo em futuras iniciativas, sobretudo num contexto de foco crescente na sustentabilidade e na transição energética.
O Fundo Ambiental tem historicamente financiado projetos ligados à agricultura sustentável, conservação da natureza, melhoria da qualidade do ar e redução de emissões poluentes, através de concursos específicos lançados ao longo do ano. Estes apoios abrangem iniciativas como práticas agrícolas mais eficientes, proteção da fauna e flora, gestão sustentável da água e projetos de adaptação climática.
Em 2026, foram lançados vários avisos nestas áreas, entre os quais o Programa «Floresta Azul – Restauro Ecológico de Pradarias Marinhas» (AAC n.º 04/2026), a criação de novas OIGP 2.0 para as áreas florestais atingidas pela tempestade Kristin (Aviso-Convite n.º 09/C08-i01.01/2026) e o Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível Através do Pastoreio.
Quem estiver interessado deve acompanhar os avisos publicados no Portal do Fundo Ambiental.
Enquadrados pelo Despacho n.º 7100/2024, de 27 de junho, no âmbito da reforma RP-C21-r44 do PRR, os Espaços Cidadão Energia começaram a entrar em funcionamento em 2025 e apoiam os cidadãos em temas relacionados com:
São geridos por municípios, comunidades intermunicipais e entidades locais, com apoio do Fundo Ambiental, e e coordenação técnica da ADENE – Agência para a Energia. A meta prevista é a criação de, pelo menos, 50 balcões, concebidos para se manterem em funcionamento, no mínimo, até 2030.
Os avisos de abertura são publicados no portal do Fundo Ambiental.
Cada aviso indica:
As candidaturas são submetidas exclusivamente online.
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