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A isenção de horário é um dos regimes mais desejados por muitos trabalhadores, principalmente aqueles que valorizam a autonomia e a gestão própria do tempo. Mas, muito embora esta modalidade tenha vantagens significativas, também levanta questões importantes. Conheça as respostas às perguntas mais frequentes.
A isenção de horário de trabalho é um regime que permite ao trabalhador exercer a sua atividade com regras diferentes das aplicáveis ao horário de trabalho habitual, de acordo com a modalidade estabelecida entre o trabalhador e a entidade empregadora. No entanto, não significa que o trabalhador deixe de estar sujeito às regras relativas ao tempo de trabalho. O regime aplicável depende da modalidade acordada e não prejudica o direito ao descanso diário, aos dias de descanso semanal e aos feriados.
A isenção de horário está prevista no Artigo 218.º do Código do Trabalho e é regulada pela Lei n.º 7/2009, que estabelece as modalidades, as condições de aplicação e os direitos e deveres dos trabalhadores isentos.
Nem todos os trabalhadores podem beneficiar deste regime. A isenção de horário aplica-se a trabalhadores que desempenhem funções específicas como:
Adicionalmente, os instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho podem prever outros casos de admissibilidade da isenção de horário.
Existem três modalidades principais de isenção de horário, que devem ser acordadas entre o trabalhador e a entidade empregadora:
1. Isenção sem sujeição aos limites máximos do período normal de trabalho: o trabalhador não fica sujeito aos limites máximos do período normal de trabalho, sem prejuízo dos direitos ao descanso diário, aos dias de descanso semanal e aos feriados
2. Aumento do período normal de trabalho: pode ser acordado um determinado aumento do período normal de trabalho, por dia ou por semana
3. Cumprimento do período normal de trabalho, mas em horário flexível: o trabalhador deve cumprir o período normal de trabalho acordado.
Se as partes não estipularem a modalidade de isenção, aplica-se a modalidade de não sujeição aos limites máximos do período normal de trabalho.
Os trabalhadores em regime de isenção de horário têm direito a uma retribuição específica, definida por instrumento de regulamentação coletiva de trabalho ou, na sua ausência, nos termos previstos no artigo 265.º do Código do Trabalho.
Nesse caso, a retribuição não pode ser inferior ao valor correspondente a uma hora de trabalho suplementar por dia ou, quando a modalidade de isenção implique a observância do período normal de trabalho, a duas horas de trabalho suplementar por semana. O trabalhador que exerça cargo de administração ou direção pode renunciar a esta retribuição.
Em regra, o trabalho prestado por um trabalhador isento de horário num dia normal de trabalho não é considerado trabalho suplementar. No entanto, se o acordo de isenção limitar a prestação a um determinado período de trabalho diário ou semanal, considera-se trabalho suplementar o que exceder esse período.
Sim, o trabalhador pode propor a aplicação do regime de isenção de horário. No entanto, a sua aplicação depende de acordo escrito entre o trabalhador e a entidade empregadora e só é possível nas situações previstas na lei ou num instrumento de regulamentação coletiva de trabalho.
Mesmo estando isentos de um horário fixo, os trabalhadores continuam obrigados a cumprir o dever de assiduidade. As empresas, no caso, devem manter um registo de entradas e saídas. Para tal, podem optar por sistemas digitais de controlo com indicação das horas de início e de fim do tempo de trabalho e das interrupções ou intervalos que nele não se incluam, de modo a permitir apurar o número de horas de trabalho prestadas por dia e por semana.
O tempo de trabalho em regime de isenção conta para a reforma, assim como em qualquer outro regime de trabalho. A retribuição auferida pelo trabalhador está sujeita às regras fiscais e contributivas aplicáveis aos rendimentos do trabalho.
A retribuição específica por isenção de horário é considerada no cálculo do subsídio de férias, enquanto contrapartida do modo específico de execução do trabalho. A sua inclusão no subsídio de Natal não deve ser assumida automaticamente, podendo depender da natureza da prestação e do regime legal, convencional ou contratual aplicável.
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