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Entrar em 2026 com um emprego estável continua a ser uma preocupação para muitas famílias. Depois de anos marcados por pandemia, inflação e juros a subir, é natural perguntar se o novo ano traz finalmente algum alívio.
E, apesar da cautela, os sinais são animadores: tudo indica que o emprego vai continuar a crescer, ainda que a um ritmo moderado e com mudanças importantes na forma como trabalhamos.
O ponto de partida é relativamente positivo. Em outubro de 2025, a taxa de desemprego em Portugal recuou para 5,9%, o valor mais baixo desde fevereiro de 2022. A taxa de subutilização do trabalho (que inclui desempregados, pessoas em part-time involuntário e quem gostaria de trabalhar mas não procura ativamente) está nos 10,1%, o nível mais baixo em mais de dez anos.
Em paralelo, a população empregada ronda os 5,3 milhões de pessoas, perto de máximos históricos, o que mostra um mercado de trabalho globalmente robusto, apesar de alguns sinais de abrandamento em setores mais expostos às exportações.
A maioria das empresas não está a planear cortes significativos e muitas querem mesmo reforçar equipas. Segundo o ManpowerGroup Employment Outlook Survey para o 1.º trimestre de 2026, em Portugal:
Daqui resulta uma projeção de criação líquida de emprego de +19% no arranque de 2026. É uma melhoria de 5 pontos percentuais em relação ao último trimestre de 2025 e 1 ponto acima do início de 2025.
Ou seja, o saldo é claramente positivo, mas não eufórico. Os empregadores continuam “otimistas, mas cautelosos”. A contratação está muito ligada ao crescimento das próprias empresas, a novos projetos e a iniciativas que criam funções diferentes, mas também há pressão para ganhar eficiência. Parte das reduções de pessoal que as empresas admitem está relacionada com automação, reorganização interna e consolidação de funções.
Não há uma lista fechada, mas, cruzando as previsões com as medidas em curso, destacam-se:
No Orçamento do Estado para 2026, o Governo prevê:
Traduzindo: não se espera um “boom”, mas sim a continuidade de um mercado de trabalho relativamente apertado, com desemprego baixo em comparação com a última década.
Leia no nosso artigo sobre outras medidas do Orçamento do Estado para 2026 que impactam a carteira dos portugueses.
Algumas decisões orçamentais têm impacto direto ou indireto no mercado de trabalho:
No conjunto, estas medidas apontam para um ambiente que tenta conciliar contas públicas controladas com algum estímulo ao emprego, sobretudo em segmentos específicos como jovens e construção.
Em paralelo, o Governo tem em cima da mesa o pacote “Trabalho XXI”, uma proposta de reforma profunda do Código do Trabalho com mais de 100 alterações, que vão da parentalidade aos despedimentos, passando pelo teletrabalho, contratos a prazo e banco de horas.
Patrões olham para a reforma como uma oportunidade de ganhar flexibilidade; sindicatos consideram-na um “ataque aos trabalhadores” e convocaram uma greve geral para 11 de dezembro, a primeira conjunta em mais de uma década.
Se o pacote for aprovado na sua essência, pode ter efeitos mistos:
Neste momento, tudo ainda está em negociação e a versão final pode ficar bastante diferente da proposta inicial. Por isso, quando se fala de 2026, esta reforma entra mais na categoria “fator de incerteza” do que de dado adquirido.
Olhar só para números de emprego já não chega. O relatório State of the C-Suite 2026, da International Workplace Group (IWG), mostra que 95% dos CEO esperam um 2026 mais positivo e 84% acreditam numa melhoria da economia global. Ao mesmo tempo, praticamente todos querem mais controlo de custos e já estão a cortar cerca de 10% nos orçamentos.
Como é que pensam fazê-lo?
Isto não significa necessariamente menos emprego, mas sim empregos diferentes. Perfis com competências digitais, capacidade de trabalhar com ferramentas de IA, análise de dados e foco em relação com o cliente tendem a ganhar espaço. Funções mais repetitivas ou facilmente automatizáveis podem perder peso.
Este não deverá ser um ano de explosão no emprego, mas os dados sugerem estabilidade e algum crescimento. A grande questão será menos “haverá trabalho?” e mais “como vão mudar as condições, os contratos e as competências necessárias?”. Preparar-se para essa transição pode ser o maior diferencial para quem procura novas oportunidades.
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