Finanças

Mais emprego em 2026? Especialistas falam em “otimismo cauteloso”

5 minutos de leitura
Publicado a 30 Dezembro 2025
Senhora sentada numa secretária num escritório a analisar currículos e a fazer uma video chamada com candidatos

Entrar em 2026 com um emprego estável continua a ser uma preocupação para muitas famílias. Depois de anos marcados por pandemia, inflação e juros a subir, é natural perguntar se o novo ano traz finalmente algum alívio. 

 

E, apesar da cautela, os sinais são animadores: tudo indica que o emprego vai continuar a crescer, ainda que a um ritmo moderado e com mudanças importantes na forma como trabalhamos.

 

 

Onde está o mercado de trabalho neste final de 2025?

O ponto de partida é relativamente positivo. Em outubro de 2025, a taxa de desemprego em Portugal recuou para 5,9%, o valor mais baixo desde fevereiro de 2022. A taxa de subutilização do trabalho (que inclui desempregados, pessoas em part-time involuntário e quem gostaria de trabalhar mas não procura ativamente) está nos 10,1%, o nível mais baixo em mais de dez anos.

 

Em paralelo, a população empregada ronda os 5,3 milhões de pessoas, perto de máximos históricos, o que mostra um mercado de trabalho globalmente robusto, apesar de alguns sinais de abrandamento em setores mais expostos às exportações.

 

 

O que as empresas planeiam para o início de 2026?

A maioria das empresas não está a planear cortes significativos e muitas querem mesmo reforçar equipas. Segundo o ManpowerGroup Employment Outlook Survey para o 1.º trimestre de 2026, em Portugal:

 

  • 38% dos empregadores dizem que vão aumentar o número de colaboradores
  • 17% admitem reduzir pessoal
  • 42% planeiam manter as equipas como estão.

 

Daqui resulta uma projeção de criação líquida de emprego de +19% no arranque de 2026. É uma melhoria de 5 pontos percentuais em relação ao último trimestre de 2025 e 1 ponto acima do início de 2025.

 

Ou seja, o saldo é claramente positivo, mas não eufórico. Os empregadores continuam “otimistas, mas cautelosos”. A contratação está muito ligada ao crescimento das próprias empresas, a novos projetos e a iniciativas que criam funções diferentes, mas também há pressão para ganhar eficiência. Parte das reduções de pessoal que as empresas admitem está relacionada com automação, reorganização interna e consolidação de funções.

 

Que setores parecem ter mais fôlego?

Não há uma lista fechada, mas, cruzando as previsões com as medidas em curso, destacam-se:

 

  • Construção e reabilitação: beneficiam da redução do IVA para 6% em construção de habitação até 648 mil euros e dos incentivos ligados ao arrendamento de rendas moderadas. Isto tende a puxar emprego em obras, engenharia, arquitetura e serviços associados
  • Habitação e serviços imobiliários: medidas como o IMT Jovem, a isenção de IMT em casas até cerca de 106 mil euros e benefícios fiscais nas rendas podem manter o setor ativo
  • Tecnologia, serviços partilhados e funções ligadas à IA: as empresas estão a investir forte em digitalização e automação, o que cria procura por perfis qualificados, mesmo que elimine algumas tarefas mais repetitivas
  • Turismo, restauração e serviços pessoais: dependem do ciclo económico, mas partem de níveis de procura elevados e continuam a ter dificuldade em preencher muitas vagas.

O que dizem as previsões oficiais do Governo?

No Orçamento do Estado para 2026, o Governo prevê:

 

  • Crescimento do PIB de cerca de 2,3%
  • Emprego a crescer 0,9% em 2026
  • Taxa de desemprego em 6,0%, ligeiramente abaixo dos 6,1% estimados para 2025 e dos 6,4% registados em 2024.

 

Traduzindo: não se espera um “boom”, mas sim a continuidade de um mercado de trabalho relativamente apertado, com desemprego baixo em comparação com a última década.

 

Leia no nosso artigo sobre outras medidas do Orçamento do Estado para 2026 que impactam a carteira dos portugueses.

 

 

Medidas do Orçamento para 2026 que mexem com o emprego

Algumas decisões orçamentais têm impacto direto ou indireto no mercado de trabalho:

 

  • Salário mínimo sobe para 920 euros no privado e a remuneração base da Função Pública para cerca de 935 euros. Isto aumenta o rendimento disponível de quem ganha menos e apoia o consumo interno, mas também pressiona custos em setores com margens reduzidas, onde as empresas podem ser mais prudentes na contratação
  • Redução adicional do IRS nos escalões intermédios e atualização das tabelas de retenção alivia ligeiramente a carga fiscal sobre o trabalho, o que ajuda a manter o consumo, ainda que o efeito seja moderado
  • Complemento Solidário para Idosos sobe para 672 euros e o teto do subsídio de desemprego também aumenta, reforçando a rede de segurança para quem está mais vulnerável
  • Incentivo ao Regresso ao Trabalho Jovem: jovens desempregados até aos 30 anos podem acumular 35% do subsídio de desemprego com o novo salário, até junho de 2026. A ideia é facilitar o regresso ao mercado de trabalho e compensar salários de entrada mais baixos num contexto em que o desemprego jovem continua bem acima da média.

 

No conjunto, estas medidas apontam para um ambiente que tenta conciliar contas públicas controladas com algum estímulo ao emprego, sobretudo em segmentos específicos como jovens e construção.

 

 

A grande incógnita: a reforma da lei laboral

Em paralelo, o Governo tem em cima da mesa o pacote “Trabalho XXI”, uma proposta de reforma profunda do Código do Trabalho com mais de 100 alterações, que vão da parentalidade aos despedimentos, passando pelo teletrabalho, contratos a prazo e banco de horas.

 

Patrões olham para a reforma como uma oportunidade de ganhar flexibilidade; sindicatos consideram-na um “ataque aos trabalhadores” e convocaram uma greve geral para 11 de dezembro, a primeira conjunta em mais de uma década.

 

Se o pacote for aprovado na sua essência, pode ter efeitos mistos:

 

  • Para as empresas, regras mais flexíveis em contratos a termo, despedimentos e teletrabalho podem reduzir o risco percecionado de contratar, o que em teoria favorece a criação de postos de trabalho
  • Para os trabalhadores, há medo de mais precariedade, menor proteção em caso de conflito e maior pressão para aceitar condições menos favoráveis.

 

Neste momento, tudo ainda está em negociação e a versão final pode ficar bastante diferente da proposta inicial. Por isso, quando se fala de 2026, esta reforma entra mais na categoria “fator de incerteza” do que de dado adquirido. 

 

IA, trabalho híbrido e o tipo de emprego que pode mudar

Olhar só para números de emprego já não chega. O relatório State of the C-Suite 2026, da International Workplace Group (IWG), mostra que 95% dos CEO esperam um 2026 mais positivo e 84% acreditam numa melhoria da economia global. Ao mesmo tempo, praticamente todos querem mais controlo de custos e já estão a cortar cerca de 10% nos orçamentos.

 

Como é que pensam fazê-lo?

 

  • Investindo em inteligência artificial e automação, que podem reduzir entre 20% e 40% os custos operacionais
  • Apostando no trabalho flexível e híbrido, que permite cortar até 55% nos custos com escritórios
  • Reforçando iniciativas de produtividade, com 82% dos executivos a planear aumentar o investimento em IA e automação.

 

Isto não significa necessariamente menos emprego, mas sim empregos diferentes. Perfis com competências digitais, capacidade de trabalhar com ferramentas de IA, análise de dados e foco em relação com o cliente tendem a ganhar espaço. Funções mais repetitivas ou facilmente automatizáveis podem perder peso.

 

 

Este não deverá ser um ano de explosão no emprego, mas os dados sugerem estabilidade e algum crescimento. A grande questão será menos “haverá trabalho?” e mais “como vão mudar as condições, os contratos e as competências necessárias?”. Preparar-se para essa transição pode ser o maior diferencial para quem procura novas oportunidades.

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