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Saiba quanto pode pedir de crédito à habitação

3 minutos de leitura
Atualizado a 6 agosto 2026
Casal analisa quanto pode pedir de crédito à habitação

Aquele que é um dos maiores passos da vida, pode ser igualmente um dos mais assustadores. E uma das perguntas que mais nos colocamos, nesta fase, é: “quanto é que será que o banco me empresta?” A resposta não é direta, mas há forma de perceber até onde se pode ir.

 

 

O que influencia o valor do crédito habitação?

À pergunta “quanto posso pedir de crédito habitação?” respondemos-lhe já que não há um valor fixo igual para todos. Cada caso é um caso e o montante que pode pedir depende de vários fatores. Os principais são:

 

  • Rendimento mensal: quanto maior for, maior será a capacidade de pagar as prestações. E isso pode traduzir-se num crédito mais elevado
  • Taxa de esforço: os bancos calculam que não deve gastar mais de 45% do seu rendimento líquido mensal com prestações de crédito (incluindo o crédito habitação) e essa percentagem é chamada taxa de esforço
  • Valor da casa: os bancos não emprestam 100% do valor. Regra geral, financiam até 90% no caso de habitação própria e permanente e até 80% nas restantes finalidades
  • Idade: o prazo do crédito depende da sua idade. Quanto mais novo for, maior o prazo possível, e prestações mais baixas. Atenção, porém, um prazo mais longo significa também mais juros pagos ao longo da vida do crédito
  • Outros créditos e histórico bancário: se já tiver outros empréstimos ou um histórico de incumprimentos, isso pode reduzir a margem de financiamento.

 

 

Então, existe um limite?

Sim, embora não seja um teto absoluto. O Banco de Portugal definiu recomendações para proteger os consumidores (e os bancos). Aqui estão os principais limites a ter em conta:

 

  • LTV (Loan-to-Value): mede a relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel. Para habitação própria e permanente, o banco empresta até 90% do menor valor entre o preço de compra e a avaliação do imóvel. Para imóveis destinados a outras finalidades (como segunda habitação ou investimento), o máximo é 80%
  • DSTI (Debt Service-to-Income): é o tal rácio que define a percentagem do rendimento que pode ser usada para pagar créditos. Regra geral, não deve ultrapassar os 45%. Ainda assim, cada banco dispõe de uma margem: em cada semestre, até 10% do montante total de crédito que concede pode ir além desse limite, mediante justificação
  • Prazo máximo: depende da sua idade. Até aos 35 anos, pode ir até 40 anos de prazo. Acima dos 35 anos, o máximo é de 35 anos. E há ainda um efeito indireto da idade. Se, no fim do contrato, o titular tiver mais de 70 anos, o banco tem de assumir que o seu rendimento será mais baixo nessa fase (uma redução de pelo menos 20%, proporcional aos anos do contrato em que ultrapassa os 70 anos de idade), o que pode diminuir o montante financiável. Muitos bancos fixam também, por política interna, uma idade máxima para o fim do contrato (frequentemente 75 anos), mas esse limite varia de instituição para instituição.

 

Mas há uma exceção: jovens entre os 18 e os 35 anos  que comprem a primeira habitação própria e permanente podem obter financiamento até 100% do valor, ao abrigo da garantia pública do Estado (que cobre até 15% do valor da transação). Aplica-se a imóveis até 450.000 euros e abrange contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026. Saiba mais sobre a Garantia Pública, no nosso artigo.

Quem já completou 35 anos, ainda que há apenas um dia, deixa de poder aceder ao prazo de 40 anos e fica sujeito ao máximo de 35 anos. Exemplo prático: um cliente que complete 35 anos a 10 de março ainda pode obter um prazo até 40 anos se a avaliação de solvabilidade ocorrer nesse dia. A partir de 11 de março, passa a ter mais de 35 anos e o prazo máximo recomendado desce para 35 anos.

Porque é que usar um simulador é tão importante?

Antes de dar qualquer passo, é fundamental perceber quanto pode pedir ao banco para comprar casa. E a melhor forma de começar é mesmo com um simulador.

 

Um bom simulador para este efeito deve pedir-lhe informações como:

 

  • A sua idade (ou a idade do titular mais velho)
  • Os rendimentos líquidos mensais do agregado familiar
  • Se tem outros créditos em curso
  • Qual o montante disponível para dar de entrada
  • A finalidade da casa (1.ª ou 2.ª habitação)
  • E a localização do imóvel.

 

Com estes dados, consegue-se estimar com alguma precisão o valor máximo que pode pedir emprestado, tendo em conta a taxa de esforço recomendada e os limites de financiamento impostos pelos bancos.

 

Mas há outro ponto importante: não basta saber o valor que o banco pode emprestar, é preciso garantir que o valor da prestação cabe no seu orçamento mensal. O simulador de crédito habitação do Santander permite-lhe testar diferentes cenários ao introduzir dados como:

 

  • O preço da casa
  • O tipo de habitação (1.ª ou 2.ª)
  • A localização
  • O número de titulares
  • E o tipo de taxa (fixa, variável ou mista).

 

Com base nestas informações, pode ver logo qual será o valor da prestação mensal e perceber se está confortável com esse encargo.

Utilizar o simulador é uma excelente forma de começar a planear a compra da casa, testar opções e perceber o impacto no dia a dia. Porque pedir crédito habitação é mais do que fazer contas - é garantir que o passo que está prestes a dar é mesmo sustentável.

 

 

E se o valor do crédito não chegar?

É frustrante, mas acontece. Descobre a casa ideal, faz contas, e depois o banco diz que não empresta o suficiente. Quando isso acontece, é uma dor de cabeça, sabemos, mas há formas de contornar a situação:

 

  • Aumentar a entrada inicial: quanto mais conseguir poupar antes, menor será o montante a pedir ao banco e poderá negociar melhores condições
  • Reduzir ou acabar com outros créditos: isso melhora a sua taxa de esforço e pode aumentar a capacidade de endividamento
  • Negociar melhor com os bancos: nem todos oferecem o mesmo. Vale a pena comparar propostas
  • Melhorar o histórico de crédito: pequenas mudanças no comportamento financeiro podem fazer diferença (pagar sempre as prestações a tempo, evitar entrar em incumprimento ou reduzir o uso do cartão de crédito).

 

Uma coisa é certa: quanto mais preparado estiver, melhor. Não se trata apenas de saber quanto o banco pode emprestar, mas de perceber se consegue aguentar esse compromisso a longo prazo.

 

Por isso, o melhor caminho é este: usar um simulador, conhecer os seus números e planear bem antes de dar o passo. Comprar casa é uma decisão grande e, para muitos, única. Vale a pena fazê-la com os pés bem assentes na terra.

 

Se ainda tiver dúvidas, simule, informe-se e, se necessário, fale com um especialista. Mais vale investir tempo agora do que arrepender-se depois.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

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