Finanças

Prazo máximo do crédito habitação: como a idade influencia o empréstimo

3 minutos de leitura
Atualizado a 4 agosto 2026
Escrito por Rute Ferreira
Mãos unidas a segurar chaves de casa nova. Símbolo de união e lar.

Contratar um crédito habitação é uma decisão de longo prazo - literalmente. E quando se fala em “longo”, o prazo que se escolhe para pagar o empréstimo é uma das decisões mais importantes de todo o processo. O que muitos não sabem é que esse prazo tem limites definidos, e que esses limites estão diretamente ligados à idade de quem pede o crédito.

 

As regras em vigor ligam a duração máxima do empréstimo à idade de quem pede o crédito, com o objetivo de reduzir o risco tanto para os bancos como para as famílias.

 

 

Qual é o prazo máximo para o crédito habitação?

Depende da idade de quem pede o crédito. A regra é clara e foi criada com um objetivo: reduzir o risco, tanto para os bancos como para as famílias. Assim, os prazos máximos passaram a ser os seguintes:

  • Até aos 35 anos: pode contratar um crédito com prazo até 40 anos
  • Mais de 35 anos: o crédito deve ser pago no máximo em 35 anos.

 

É importante sublinhar que, se o crédito tiver dois titulares, é sempre considerada a idade do mais velho para aplicar estas regras. 

 

Quem já completou 35 anos, ainda que há apenas um dia, deixa de poder aceder ao prazo de 40 anos e fica sujeito ao máximo de 35 anos. Exemplo prático: um cliente que complete 35 anos a 10 de março ainda pode obter um prazo até 40 anos se a avaliação de solvabilidade ocorrer nesse dia. A partir de 11 de março, passa a ter mais de 35 anos e o prazo máximo recomendado desce para 35 anos.

 

 

Existe também um limite de idade?

Regra geral, os bancos impõem um limite de idade no final do contrato de crédito, que costuma ser os 75 anos. Isto significa que o prazo escolhido para o empréstimo, somado à idade do titular mais velho, não deve ultrapassar os 75 anos no final do crédito.

 

Por exemplo:

  • Quem tem 45 anos pode pedir um crédito com prazo até 30 anos (45 + 30 = 75)
  • Aos 60 anos, o prazo máximo será de 15 anos
  • Com 65 anos, o prazo já se reduz para 10 anos.

 

Contudo, é importante sublinhar que este não é um limite legal nem obrigatório para todos os bancos. Trata-se de uma prática adotada pela maioria das instituições, mas podem existir exceções, especialmente se houver fiadores mais jovens, uma situação financeira sólida ou outras garantias que diminuam o risco do empréstimo.

 

Há ainda uma regra do próprio Banco de Portugal ligada à idade no fim do contrato, distinta deste limite comercial: se o crédito terminar quando o titular já tiver mais de 70 anos, o banco é obrigado a assumir, no cálculo da taxa de esforço, que o rendimento será mais baixo nessa fase (uma redução de pelo menos 20%, proporcional ao peso dos anos acima dos 70 no prazo total). Esta regra não se aplica se o titular já estiver reformado no momento da análise, mas, nos restantes casos, pode reduzir o montante que consegue obter quando o contrato se estende para além dos 70 anos. 

 

Por isso, quem estiver próximo deste limite de idade deve confirmar as condições específicas com o banco, já que cada instituição pode ter critérios diferentes.

Qual é o impacto do prazo na prestação mensal?

A matemática é simples: quanto mais curto for o prazo, maior será o valor da prestação mensal.

 

Tal acontece porque o montante do crédito tem de ser devolvido num período mais reduzido. O resultado? Mensalidades mais pesadas. Mas vamos a um exemplo.

 

Para um crédito de 100 mil euros, a uma taxa anual de cerca de 3,95% (Euribor a 12 meses de julho de 2026, ~2,95%, mais um spread de 1%):

  • Com 40 anos de prazo (idade até 35 anos), a prestação ronda os 437 euros por mês
  • Com 35 anos de prazo (idade superior a 35 anos), fica em cerca de 465 euros.

Nota: estes valores são meramente indicativos e variam consoante a Euribor em vigor e o spread negociado com o banco.

 

Há vantagens em ter um prazo mais curto?

Sim, e não são poucas. Apesar da prestação mensal ser mais elevada, há uma poupança significativa no custo total do crédito. Isto porque o cliente vai pagar juros durante menos tempo. No fim, o valor total que sai do bolso acaba por ser menor.

 

Adicionalmente, como o crédito dura menos tempo, paga seguros (vida e multirriscos) durante menos anos, o que reduz o total gasto nesses encargos ao longo da vida do empréstimo.

 

 

O que fazer em idades mais avançadas?

Contratar crédito habitação depois dos 50 anos não é impossível, mas pode exigir alguma estratégia. Eis algumas dicas que ajudam a aumentar as hipóteses de aprovação:

  • Ter um fiador mais jovem, com uma situação financeira sólida, frequentemente exigido pelos bancos em contratos que se estendem até idades mais avançadas
  • Adicionar um segundo titular ao crédito
  • Dar uma entrada inicial mais elevada, para pedir menos dinheiro ao banco.

 

Tudo isto reduz o risco do empréstimo aos olhos da instituição financeira, o que acaba por facilitar a aprovação e proporcionar condições mais favoráveis.

 

O crédito habitação vai acompanhar a vida durante muitos anos e, por isso, vale mesmo a pena parar para pensar no prazo que se escolhe. A decisão é de longo prazo, mas começa com informação no presente.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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