Finanças

Abrir conta em Portugal sendo estrangeiro: o que precisa de saber

4 minutos de leitura
Publicado a 22 outubro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Mulher jovem sentada num sofá numa área de convívio com os pés apoiados na mala de viagem

O processo para abrir conta bancária em Portugal sendo estrangeiro depende, sobretudo, da situação de residência, dos documentos disponíveis e das condições definidas por cada banco. 

 

Veja o que deve ter em conta antes de começar.

 

 

É possível um estrangeiro abrir conta bancária em Portugal?

Sim. Não é necessário ter nacionalidade portuguesa para abrir uma conta bancária em Portugal e também é possível fazê-lo sendo não residente.

 

As instituições financeiras têm, no entanto, de cumprir regras de identificação e de prevenção do branqueamento de capitais. Além disso, podem definir requisitos próprios consoante a conta e o perfil do cliente. Por isso, os documentos e os canais disponíveis não são necessariamente iguais em todos os bancos.

 

No Santander, um cliente estrangeiro que esteja em Portugal pode abrir conta num balcão. A abertura online também é possível para cidadãos estrangeiros que tenham igualmente nacionalidade portuguesa e Cartão de Cidadão português. 

 

 

Documentos necessários para abrir conta sendo estrangeiro

Antes de se dirigir ao banco, confirme que tem toda a documentação pedida pela instituição. Segundo o Banco de Portugal, a abertura de uma conta implica a recolha e comprovação de vários dados de identificação, incluindo a identidade, morada, situação profissional e número de identificação fiscal.

 

De forma geral, pode ser necessário apresentar:

  • Documento de identificação válido, como passaporte, autorização de residência ou outro documento público aceite
  • Número de identificação fiscal, ou número equivalente emitido por uma autoridade estrangeira, nos casos admitidos
  • Comprovativo de morada, incluindo a morada de residência permanente e, se for diferente, o domicílio fiscal
  • Informação sobre a profissão e entidade patronal, quando existam
  • Outros documentos pedidos pelo banco para verificar a identidade, a situação do cliente ou a finalidade da conta.

 

A legislação bancária admite, para efeitos de identificação, um NIF ou número equivalente emitido por uma autoridade estrangeira. No entanto, cada banco pode pedir documentação adicional. 

 

No Santander, para a abertura de conta ao balcão, é solicitado um documento com o NIF dos titulares. Aos clientes de nacionalidade estrangeira são ainda pedidos comprovativos de morada, profissão e entidade patronal. Se tiverem nacionalidade de um país fora do Espaço Schengen, com exceção do Reino Unido, é também pedida autorização de residência. 

 

Ainda não tem NIF português? Os cidadãos estrangeiros podem pedi-lo junto da Autoridade Tributária, saiba como no nosso artigo.

Conta de residente ou de não residente: qual a diferença? 

A distinção depende sobretudo da residência habitual do cliente. Na abertura de conta, o banco recolhe também informação sobre o domicílio fiscal, caso seja diferente.

  • Residente: em termos gerais, é quem tem residência habitual em Portugal
  • Não residente: quem mantém a residência habitual no estrangeiro pode abrir uma conta em Portugal, desde que cumpra os requisitos definidos pela instituição
  • Residência fiscal: é um conceito distinto. Para efeitos de IRS, uma pessoa pode ser considerada residente em Portugal, por exemplo, se permanecer no país mais de 183 dias, seguidos ou interpolados, num período de 12 meses com início ou fim no ano em causa, ou se aqui tiver habitação em condições que indiquem intenção de a manter como residência habitual
  • Mudança de residência: qualquer alteração deve ser comunicada ao banco e, quando implique uma mudança do estatuto de residência fiscal, também à Autoridade Tributária.

 

 

Como abrir conta presencialmente vs. online ou à distância

A legislação permite que uma conta bancária seja aberta presencialmente ou à distância. Nos processos digitais, a identidade pode ser confirmada através de meios eletrónicos reconhecidos, como a Chave Móvel Digital, ou por videoconferência, consoante o sistema utilizado pelo banco.

 

Isto não significa, porém, que todos os bancos disponibilizem as mesmas opções a todos os clientes.

 

No Santander, os cidadãos estrangeiros podem abrir conta num balcão em Portugal, apresentando a documentação necessária. Já a abertura online por um cidadão estrangeiro está atualmente disponível se este tiver também nacionalidade portuguesa e Cartão de Cidadão português. Caso contrário, a abertura deve ser realizada num balcão.

 

Antes de começar o processo, é também aconselhável consultar as condições da conta, incluindo eventuais valores mínimos de abertura e comissões. O banco deve disponibilizar informação pré-contratual, nomeadamente a Ficha de Informação Normalizada e o documento de informação sobre comissões.

 

 

Direito à conta de serviços mínimos bancários

Existe ainda um regime específico para quem reúne as condições de acesso a uma conta de serviços mínimos bancários.

 

Esta conta inclui um conjunto de serviços considerados básicos, como conta à ordem, cartão de débito, levantamentos, débitos diretos, homebanking e determinados tipos de transferências. Em 2026, o custo anual máximo destes serviços corresponde a 1% do Indexante dos Apoios Sociais, ou 5,37 euros.

 

Em regra, para abrir uma conta de serviços mínimos bancários, o cliente não pode ser titular de outra conta de depósito à ordem em Portugal. Existem, contudo, exceções previstas na lei, nomeadamente quando tenha sido notificado de que a outra conta será encerrada e em determinadas situações de contitularidade.

 

Ser estrangeiro não impede, por si só, o acesso. O regime abrange consumidores com direito a residir num Estado-Membro da União Europeia e inclui também pessoas sem domicílio fixo, requerentes de asilo e determinadas pessoas às quais não tenha sido concedida autorização de residência mas cuja expulsão seja impossível por motivos de facto ou de direito.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.
  • finanças

    Que tipos de contas bancárias existem?

  • finanças

    Como escolher o melhor banco para abrir conta

  • finanças

    Vai viver em Portugal? Saiba como arrendar casa sendo estrangeiro

Informação de tratamento de dados

O Banco Santander Totta, S.A. é o responsável pelo tratamento dos dados pessoais recolhidos.

O Banco pode ser contactado na Rua da Mesquita, 6, Centro Totta, 1070-238 Lisboa.

O Encarregado de Proteção de Dados do Banco poderá ser contactado na referida morada e através do seguinte endereço de correio eletrónico: privacidade@santander.pt.

Os dados pessoais recolhidos neste fluxo destinam-se a ser tratados para a finalidade envio de comunicações comerciais e/ou informativas pelo Santander.

O fundamento jurídico deste tratamento assenta no consentimento.

Os dados pessoais serão conservados durante 5 anos, ou por prazo mais alargado, se tal for exigido por lei ou regulamento ou se a conservação for necessária para acautelar o exercício de direitos, designadamente em sede de eventuais processos judiciais, sendo posteriormente eliminados.

Assiste, ao titular dos dados pessoais, os direitos previstos no Regulamento Geral de Proteção de Dados, nomeadamente o direito de solicitar ao Banco o acesso aos dados pessoais transmitidos e que lhe digam respeito, à sua retificação e, nos casos em que a lei o permita, o direito de se opor ao tratamento, à limitação do tratamento e ao seu apagamento, direitos estes que podem ser exercidos junto do responsável pelo tratamento para os contactos indicados em cima. O titular dos dados goza ainda do direito de retirar o consentimento prestado, sem que tal comprometa a licitude dos tratamentos efetuados até então.

Ao titular dos dados assiste ainda o direito de apresentar reclamações relacionadas com o incumprimento destas obrigações à Comissão Nacional da Proteção de Dados, por correio postal, para a morada Av. D. Carlos I, 134 - 1.º, 1200-651 Lisboa, ou, por correio eletrónico, para geral@cnpd.pt (mais informações em https://www.cnpd.pt/).

Para mais informação pode consultar a nossa política de privacidade (https://www.santander.pt/politica-privacidade).