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Finanças
Há um evento canónico na vida de todos, e tenho quase a certeza que já lhe aconteceu. Seja numa loja, na bomba de gasolina ou a pagar um jantar e alguém diz, com toda a confiança: “Vou pagar com cartão de crédito.” Só que… na maior parte das vezes, o cartão que a pessoa está a referir é de débito. E não é por ignorância ou falta de atenção, é porque, na prática, a forma como falamos sobre cartões nem sempre bate certo com a forma como eles funcionam.
O problema é que esta confusão pode parecer inofensiva, mas muda tudo.
E é exatamente por isso que vale a pena esclarecer, sem complicar: débito vs crédito, o que muda mesmo, quando usar cada um e como evitar surpresas.
Antes de falar de cartões, vale a pena esclarecer uma coisa simples: débito e crédito não são apenas tipos de cartão, são formas diferentes de lidar com dinheiro.
No débito, o dinheiro já é seu. Está na conta e sai no momento em que paga. No crédito, o dinheiro ainda não é seu. Está a ser emprestado temporariamente e terá de o devolver mais tarde.
É esta lógica base que depois se reflete nos cartões, nas comissões, nos juros e até na forma como sentimos uma compra. O cartão é só uma ferramenta. A decisão financeira acontece antes.
O cartão de débito é o mais direto de todos: quando se paga, o dinheiro sai imediatamente da conta. É como abrir a carteira, só que em versão digital.
Se tem 200 euros na conta, o débito permite apenas gastar esse valor. E isso tem uma vantagem enorme: o saldo que vê é o saldo real. Ajuda muito quem quer manter controlo, sobretudo em meses mais apertados.
Claro que há exceções: alguns cartões podem permitir descoberto (basicamente, gastar acima do saldo), mas aí já não estamos a falar do “débito simples” que a maioria usa no dia a dia.
O débito tende a ser perfeito para:
O cartão de crédito funciona de forma diferente: quando se paga, não se está a gastar o dinheiro que temos na conta naquele momento. Está-se a usar uma linha de crédito com um limite máximo (o plafond) que o banco ou a entidade emissora atribui.
Ou seja, está a comprar agora e a pagar depois, numa data definida. E é aqui que as coisas podem correr muito bem… ou muito mal, dependendo de como se utiliza.
Se pagar a 100% na data certa, muitas vezes não paga juros (depende das condições do cartão, mas este é o princípio típico). Se escolher pagar só uma parte, ou o mínimo, o valor em dívida começa a acumular juros e aí o crédito fica caro.
O crédito pode fazer sentido quando:
Quando tem um cartão de crédito, existe sempre um plafond, ou seja, um valor máximo que pode utilizar. Esse valor não é dinheiro extra para gastar sem pensar, é apenas o limite do crédito que lhe foi concedido.
Tudo o que gasta vai ficando registado no extrato mensal do cartão. No final desse período, recebe um resumo com:
Aqui está o ponto-chave: pagar a 100% evita juros.
Há três pontos que vale mesmo a pena ter na cabeça, porque são os clássicos “apanhados”:
1) Juros
2) Levantar dinheiro com cartão de crédito
Levantar dinheiro com cartão de crédito (o famoso cash advance) costuma ser das operações menos vantajosas: normalmente tem comissões e pode começar a contar juros rapidamente. Se a ideia é levantar dinheiro, o débito costuma ser mais “limpo”.
Muitos cartões de débito têm uma comissão anual de disponibilização, embora existam bancos e campanhas em que essa comissão pode ser reduzida ou até isenta em certas condições. Nos cartões de crédito, a comissão pode existir ou não, dependendo do produto e das vantagens associadas. O ponto aqui é simples: antes de escolher, olhe para o custo total e não só para o que “parece fixe”.
Quando compara cartões, não olhe apenas para a comissão anual ou para o “benefício” mais apelativo. Compare sempre o conjunto: juros, custos de levantamento, seguros incluídos e condições de pagamento. Um cartão barato mal usado sai caro. Um cartão com custos claros, bem gerido, pode sair muito barato.
Nem sempre é obrigatório ter uma conta ordenado para ter um cartão de crédito. Em muitos casos, basta associar o cartão a uma conta para pagamento do extrato mensal, mesmo que seja noutro banco.
Quanto ao chamado “score” ou historial de crédito, o cartão de crédito não é negativo por si só. Pelo contrário: quando bem utilizado e pago a tempo, pode contribuir positivamente para o seu perfil financeiro. O problema surge quando há atrasos, pagamentos mínimos constantes ou utilização excessiva do plafond.
Aqui, mais uma vez, a palavra-chave é gestão.
Estes são cenários comuns, daqueles que acontecem a toda a gente.
Se está a tentar:
Ou seja, o débito é o seu melhor amigo. Não porque seja “mais responsável” por definição, mas porque dá uma coisa preciosa: limites automáticos.
O crédito é ótimo quando é usado como ferramenta e não como muleta. Por exemplo:
O crédito torna-se perigoso quando passa a ser um hábito para “tapar buracos”. Aí pode começar a viver um mês à frente e, de repente, o seu salário já chega com destino marcado.
Em caso de fraude, o cartão de crédito tende a oferecer maior proteção ao consumidor, porque o dinheiro ainda não saiu da sua conta. Muitas entidades bloqueiam a transação, investigam e só depois fazem o débito.
No cartão de débito, o dinheiro sai imediatamente. Embora existam mecanismos de proteção, o impacto inicial pode ser maior, sobretudo se a conta ficar temporariamente sem saldo.
Independentemente do cartão, há regras básicas que fazem mesmo a diferença:
Em vez de “qual é o melhor?”, faça estas perguntas simples:
Se sim, o cartão de crédito pode ser uma ferramenta útil. Se não, o débito vai dar-lhe mais segurança.
Se sim, cuidado com crédito. Não é sobre força de vontade, é sobre contexto. Se se conhece, proteja-se.
Cashback e pontos são ótimos quando são consequência de gastos que já tinhas. Se começa a gastar mais para “ganhar”, está a perder.
Débito é simplicidade. Crédito é flexibilidade. O ideal é ter clareza sobre o que precisa nesta fase da tua vida.
Muita gente funciona melhor com uma regra simples:
É como ter dois “modos”. Um modo estabilidade e um modo estratégia.
No fundo, o cartão de débito ajuda a viver dentro do que tem.
E o cartão de crédito ajuda a gerir timing e benefícios, desde que não perca a mão.
Se quer uma regra de ouro para levar daqui:
Use o débito para se manter no controlo e use o crédito só quando tiver um plano claro para pagar.
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