Finanças

Débito vs Crédito: qual faz mais sentido para si (e em que momentos)

8 minutos de leitura
Publicado a 19 Fevereiro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Senhora a pagar compra com um cartão

Há um evento canónico na vida de todos, e tenho quase a certeza que já lhe aconteceu. Seja numa loja, na bomba de gasolina ou a pagar um jantar e alguém diz, com toda a confiança: “Vou pagar com cartão de crédito.” Só que… na maior parte das vezes, o cartão que a pessoa está a referir é de débito. E não é por ignorância ou falta de atenção, é porque, na prática, a forma como falamos sobre cartões nem sempre bate certo com a forma como eles funcionam.

 

O problema é que esta confusão pode parecer inofensiva, mas muda tudo. 

 

E é exatamente por isso que vale a pena esclarecer, sem complicar: débito vs crédito, o que muda mesmo, quando usar cada um e como evitar surpresas.

 

 

Qual é, afinal, a diferença entre débito e crédito?

Antes de falar de cartões, vale a pena esclarecer uma coisa simples: débito e crédito não são apenas tipos de cartão, são formas diferentes de lidar com dinheiro.

 

No débito, o dinheiro já é seu. Está na conta e sai no momento em que paga. No crédito, o dinheiro ainda não é seu. Está a ser emprestado temporariamente e terá de o devolver mais tarde.

 

É esta lógica base que depois se reflete nos cartões, nas comissões, nos juros e até na forma como sentimos uma compra. O cartão é só uma ferramenta. A decisão financeira acontece antes.

 

 

O que é um cartão de débito, na prática?

O cartão de débito é o mais direto de todos: quando se paga, o dinheiro sai imediatamente da conta. É como abrir a carteira, só que em versão digital.

 

Se tem 200 euros na conta, o débito permite apenas gastar esse valor. E isso tem uma vantagem enorme: o saldo que vê é o saldo real. Ajuda muito quem quer manter controlo, sobretudo em meses mais apertados.

 

Claro que há exceções: alguns cartões podem permitir descoberto (basicamente, gastar acima do saldo), mas aí já não estamos a falar do “débito simples” que a maioria usa no dia a dia.

 

Onde o débito costuma ser a melhor escolha

O débito tende a ser perfeito para:

  • Despesas pequenas e frequentes do dia a dia
  • Quem prefere evitar a tentação de “logo se paga”
  • Situações em que se quer manter um orçamento bem fechado
  • Compras em que não precisas de flexibilidade extra.

 

 

E o que é um cartão de crédito?

O cartão de crédito funciona de forma diferente: quando se paga, não se está a gastar o dinheiro que temos na conta naquele momento. Está-se a usar uma linha de crédito com um limite máximo (o plafond) que o banco ou a entidade emissora atribui.

 

Ou seja, está a comprar agora e a pagar depois, numa data definida. E é aqui que as coisas podem correr muito bem… ou muito mal, dependendo de como se utiliza.

 

Se pagar a 100% na data certa, muitas vezes não paga juros (depende das condições do cartão, mas este é o princípio típico). Se escolher pagar só uma parte, ou o mínimo, o valor em dívida começa a acumular juros e aí o crédito fica caro.

 

Onde o crédito pode ser útil 

O crédito pode fazer sentido quando:

  • Tem uma despesa maior e prefere pagar de forma organizada (por exemplo, em prestações, se for uma opção razoável)
  • Quer flexibilidade temporária porque vai receber em breve
  • Tem um cartão com benefícios que realmente usa (cashback, seguros, pontos)
  • Precisa de uma rede de segurança para imprevistos, mas com disciplina para pagar.

 

 

 

O que é o plafond e como funciona o pagamento do cartão de crédito

Quando tem um cartão de crédito, existe sempre um plafond, ou seja, um valor máximo que pode utilizar. Esse valor não é dinheiro extra para gastar sem pensar, é apenas o limite do crédito que lhe foi concedido.

 

Tudo o que gasta vai ficando registado no extrato mensal do cartão. No final desse período, recebe um resumo com:

  • O total gasto
  • A data limite de pagamento
  • As opções de reembolso.

Aqui está o ponto-chave: pagar a 100% evita juros.

 

 

Juros, comissões e levantamentos: o detalhe que apanha muita gente

Há três pontos que vale mesmo a pena ter na cabeça, porque são os clássicos “apanhados”:

 

1) Juros

  • Débito: não há juros porque não há empréstimo
  • Crédito: pode haver juros se não pagar a totalidade do que gastou no prazo definido (ou se pagar apenas uma parte)

 

2) Levantar dinheiro com cartão de crédito

 

Levantar dinheiro com cartão de crédito (o famoso cash advance) costuma ser das operações menos vantajosas: normalmente tem comissões e pode começar a contar juros rapidamente. Se a ideia é levantar dinheiro, o débito costuma ser mais “limpo”.

 

3) Comissões do cartão

 

Muitos cartões de débito têm uma comissão anual de disponibilização, embora existam bancos e campanhas em que essa comissão pode ser reduzida ou até isenta em certas condições. Nos cartões de crédito, a comissão pode existir ou não, dependendo do produto e das vantagens associadas. O ponto aqui é simples: antes de escolher, olhe para o custo total e não só para o que “parece fixe”.

 

Quando compara cartões, não olhe apenas para a comissão anual ou para o “benefício” mais apelativo. Compare sempre o conjunto: juros, custos de levantamento, seguros incluídos e condições de pagamento. Um cartão barato mal usado sai caro. Um cartão com custos claros, bem gerido, pode sair muito barato.

 

 

Cartão de crédito, conta bancária e “score”: o que precisa de saber

Nem sempre é obrigatório ter uma conta ordenado para ter um cartão de crédito. Em muitos casos, basta associar o cartão a uma conta para pagamento do extrato mensal, mesmo que seja noutro banco.

 

Quanto ao chamado “score” ou historial de crédito, o cartão de crédito não é negativo por si só. Pelo contrário: quando bem utilizado e pago a tempo, pode contribuir positivamente para o seu perfil financeiro. O problema surge quando há atrasos, pagamentos mínimos constantes ou utilização excessiva do plafond.

 

Aqui, mais uma vez, a palavra-chave é gestão.

 

Quando usar débito e quando usar crédito (na vida real)

Estes são cenários comuns, daqueles que acontecem a toda a gente.

 

Débito: para manter o chão firme

Se está a tentar:

  • Controlar gastos
  • Reduzir compras por impulso
  • Viver com um orçamento bem definido.

Ou seja, o débito é o seu melhor amigo. Não porque seja “mais responsável” por definição, mas porque dá uma coisa preciosa: limites automáticos.

 

Crédito: para usar com estratégia

O crédito é ótimo quando é usado como ferramenta e não como muleta. Por exemplo:

  • Concentra despesas mensais e paga tudo a 100% quando recebe
  • Aproveitar um benefício real (cashback ou seguros) sem cair na tentação do “já agora”
  • Cobre um imprevisto e resolve logo no mês seguinte.

O crédito torna-se perigoso quando passa a ser um hábito para “tapar buracos”. Aí pode começar a viver um mês à frente e, de repente, o seu salário já chega com destino marcado.

 

 

Segurança e fraudes: débito e crédito são iguais?

Em caso de fraude, o cartão de crédito tende a oferecer maior proteção ao consumidor, porque o dinheiro ainda não saiu da sua conta. Muitas entidades bloqueiam a transação, investigam e só depois fazem o débito.

 

No cartão de débito, o dinheiro sai imediatamente. Embora existam mecanismos de proteção, o impacto inicial pode ser maior, sobretudo se a conta ficar temporariamente sem saldo.

 

Independentemente do cartão, há regras básicas que fazem mesmo a diferença:

  • Ativar notificações de movimentos
  • Usar autenticação forte nas compras online
  • Nunca partilhar dados do cartão
  • Bloquear o cartão imediatamente em caso de suspeita.

 

 

Como escolher sem stress (e sem se enganar a si próprio)

Em vez de “qual é o melhor?”, faça estas perguntas simples:

 

1) Eu consigo pagar a 100% todos os meses?

Se sim, o cartão de crédito pode ser uma ferramenta útil. Se não, o débito vai dar-lhe mais segurança.

 

2) Eu gasto por impulso quando tenho margem?

Se sim, cuidado com crédito. Não é sobre força de vontade, é sobre contexto. Se se conhece, proteja-se.

 

3) Eu preciso mesmo dos benefícios?

Cashback e pontos são ótimos quando são consequência de gastos que já tinhas. Se começa a gastar mais para “ganhar”, está a perder.

 

4) Quero simplicidade ou flexibilidade?

Débito é simplicidade. Crédito é flexibilidade. O ideal é ter clareza sobre o que precisa nesta fase da tua vida.

 

 

Usar os dois, cada um no seu papel

Muita gente funciona melhor com uma regra simples:

  • Débito para o dia a dia (mantém o controlo e evita derrapagens)
  • Crédito para situações específicas (imprevistos, viagens, compras maiores e benefícios), sempre com pagamento total planeado.

É como ter dois “modos”. Um modo estabilidade e um modo estratégia.

 

 

Crédito vs Débito não é uma batalha, é uma escolha inteligente por contexto

No fundo, o cartão de débito ajuda a viver dentro do que tem.

 

E o cartão de crédito ajuda a gerir timing e benefícios, desde que não perca a mão.

 

Se quer uma regra de ouro para levar daqui:

 

Use o débito para se manter no controlo e use o crédito só quando tiver um plano claro para pagar.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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