Família

Está a pensar em ter um filho? Saiba quais os gastos a ter em conta em 2026

8 minutos de leitura
Publicado a 7 julho 2026
Escrito por Rute Ferreira
Bebé seguro pelo pai a dar os primeiros passos

Não existe um valor único para todas as famílias, mas há despesas que vale a pena antecipar: do acompanhamento da gravidez ao enxoval, alimentação, saúde, creche e imprevistos. Neste artigo, explicamos os principais gastos a considerar, que apoios podem aliviar o orçamento e como preparar financeiramente a chegada do bebé com mais segurança. 

 

 

Que despesas devo considerar no orçamento familiar?

Ter um filho pode representar um acréscimo no orçamento familiar próximo dos 800 a 900 euros por mês. O valor oficial mais recente do INE aponta para cerca de 811 euros mensais, mas esta referência deve ser lida como uma média estatística, não como uma conta fixa para todas as famílias.

 

O valor pode variar muito consoante a idade da criança, a existência de vaga em creche gratuita, o recurso ao SNS ou ao privado, a necessidade de leite adaptado, a rede de apoio familiar e as escolhas de consumo de cada agregado.

 

Despesas fixas vs. despesas variáveis

As despesas fixas são aquelas que passam a repetir-se todos os meses e que são mais difíceis de cortar a curto prazo. Com um bebé, podem incluir:

  • Creche, ama ou apoio familiar pago
  • Seguro de saúde ou reforço de plano de saúde
  • Consultas regulares no privado, se for essa a opção
  • Aumento de despesas da casa, como água, eletricidade e gás
  • Prestação de crédito ou renda, caso a família mude para uma casa maior.

 

As despesas variáveis dependem mais do consumo e das escolhas de cada família. Aqui entram:

  • Fraldas e toalhitas
  • Leite adaptado, quando aplicável
  • Roupa e calçado
  • Produtos de higiene
  • Medicamentos e farmácia
  • Brinquedos
  • Deslocações
  • Pequenas compras de última hora.

 

A diferença é importante porque as despesas variáveis podem ser ajustadas com mais facilidade. Já as fixas devem ser simuladas antes do nascimento, sobretudo se existir a possibilidade de recorrer a creches privadas.

 

 

Checklist de despesas: da gravidez ao primeiro ano

O primeiro erro é pensar apenas no enxoval. O carrinho, o berço e a cadeira são importantes, mas não contam a história toda. O verdadeiro impacto financeiro surge da combinação entre despesas iniciais e despesas mensais.

 

Durante a gravidez

De acordo com o gov.pt, as grávidas portuguesas ou estrangeiras que residam em Portugal há mais de 90 dias têm direito a consultas gratuitas durante a gravidez e até 60 dias após o parto. No Serviço Nacional de Saúde (SNS), o acompanhamento inclui consultas, exames clínicos e análises regulares.

 

Sempre que sejam acompanhadas nos serviços do SNS, as grávidas podem ainda receber até três cheques-dentista, utilizáveis até 60 dias após o parto.

 

Mesmo assim, podem existir custos associados à gravidez, como:

  • Deslocações para consultas e exames
  • Vitaminas ou suplementos recomendados
  • Roupa de grávida
  • Almofada de amamentação
  • Aulas de preparação para o parto, quando não gratuitas
  • Consultas ou exames no privado, caso a família opte por essa via
  • Eventual seguro de saúde ou copagamentos.

 

No privado, o custo varia muito consoante o hospital, o médico, o seguro e o tipo de parto. Por isso, o mais prudente é pedir uma estimativa completa antes de decidir: consultas, ecografias, análises, urgências, parto, anestesia, internamento e eventuais atos médicos extra.

 

Antes do nascimento: o enxoval essencial

O enxoval pode ser uma das maiores despesas iniciais, mas também uma das mais fáceis de controlar. O segredo está em separar “essencial desde o primeiro dia” de “útil mais tarde” e de “bonito, mas dispensável”.

 

No essencial, considere:

  • Cama, berço ou alcofa segura
  • Colchão adequado
  • Cadeira auto
  • Carrinho ou sistema de transporte
  • Roupa básica para recém-nascido
  • Fraldas
  • Produtos de higiene
  • Banheira ou apoio de banho
  • Mantas
  • Biberões, se aplicável
  • Muda-fraldas ou solução equivalente
  • Termómetro
  • Primeiros produtos de farmácia recomendados pelo pediatra.

 

O que pode esperar? Brinquedos em excesso, roupa de muitos tamanhos, acessórios duplicados e equipamentos que só serão usados meses depois. Muitos bebés crescem rápido e há peças que deixam de servir quase sem uso.

 

Primeiro mês de vida do bebé

No primeiro mês, muitas despesas já foram feitas antes do nascimento. Ainda assim, há custos que começam logo a aparecer:

  • Fraldas
  • Toalhitas ou alternativas reutilizáveis
  • Produtos de higiene
  • Consultas de seguimento
  • Farmácia
  • Roupa extra, se o tamanho inicial não servir
  • Leite adaptado, quando necessário
  • Acessórios de alimentação
  • Deslocações
  • Pequenos imprevistos.

 

É também nesta fase que muitas famílias percebem que compraram coisas a mais ou que falta exatamente aquilo que parecia secundário. Por isso, faz sentido manter uma pequena reserva para compras urgentes no primeiro mês.

 

Dos 4 aos 12 meses: quando surgem novas despesas

À medida que o bebé cresce, o tipo de despesa muda. Algumas compras iniciais deixam de pesar, mas entram novas rubricas:

  • Alimentação complementar
  • Cadeira de refeição
  • Roupa de tamanhos maiores
  • Calçado, mais tarde
  • Consultas de pediatria
  • Vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação, se recomendadas pelo médico
  • Brinquedos adequados à idade
  • Segurança em casa
  • Creche ou ama, quando os pais regressam ao trabalho.

 

É aqui que o orçamento deve deixar de ser apenas “quanto custa o bebé?” e passar a ser “quanto custa a nova rotina da família?”.

 

Creche privada em Portugal: quanto pode pesar no orçamento?

A creche é uma das despesas mais relevantes no primeiro ano, sobretudo quando os pais regressam ao trabalho.

 

Em 2026, deve começar a verificar se existe vaga abrangida pela medida Creche Feliz. O portal gov.pt indica que todas as crianças nascidas a partir de 1 de setembro de 2021 têm direito a creches e amas gratuitas, embora o acesso dependa da existência de vagas próximas da residência ou do local de trabalho.

 

A Segurança Social indica que os pedidos de vaga para creches abrangidas passaram a ser feitos exclusivamente online, através do Portal ou da app da Segurança Social. A antiga app Creche Feliz foi descontinuada e as suas funcionalidades integradas nestes canais. A informação disponível refere também a possibilidade de procurar vagas gratuitas em creches aderentes, incluindo rede solidária e rede lucrativa aderente. 

 

Se não houver vaga gratuita, ou se a família optar por uma creche privada fora da rede abrangida, o custo pode variar bastante. Antes de decidir, peça sempre o valor total mensal, incluindo:

  • Inscrição
  • Mensalidade
  • Alimentação
  • Seguro
  • Fraldas, se aplicável
  • Prolongamento de horário
  • Atividades extra
  • Períodos de férias
  • Caução ou taxa de reserva.

 

Esta é uma das rubricas em que mais compensa comparar opções, visitar instituições e confirmar o que está incluído.

 

Apoios e deduções que podem aliviar os custos

 

Além de planear as despesas, confirme também se tem direito a apoios sociais ou benefícios fiscais. Em 2026, vale a pena ter em conta:

  • Abono pré-natal: apoio atribuído durante a gravidez, em função dos rendimentos do agregado familiar. Em 2026, os valores mensais variam entre 88,43 euros e 190,98 euros nos quatro primeiros escalões
  • Abono de família: prestação mensal para crianças e jovens. Para crianças até aos 36 meses, os valores em 2026 variam entre 88,43 euros e 190,98 euros, consoante o escalão de rendimentos
  • Majorações: famílias monoparentais e famílias com mais crianças podem ter direito a valores adicionais
  • Creche Feliz: se existir vaga abrangida pela medida, a creche pode não ter custo para a família. Caso contrário, a creche privada deve ser considerada como uma das principais despesas mensais
  • IRS: os dependentes dão direito a deduções específicas e algumas despesas, como creche, podem ser consideradas despesas de educação, desde que cumpram as regras fiscais aplicáveis.

Como poupar e preparar o futuro financeiro do seu filho

Preparar financeiramente a chegada de um filho não significa cortar tudo. Significa decidir melhor.

 

Comece por fazer três cenários:

  • Cenário essencial: SNS, enxoval contido, artigos emprestados ou em segunda mão, creche gratuita se houver vaga
  • Cenário intermédio: algumas consultas no privado, enxoval novo em parte, margem para despesas de farmácia e alimentação
  • Cenário confortável: acompanhamento privado, enxoval novo, seguro de saúde, creche privada e maior reserva para imprevistos.

 

Depois, defina uma reserva para três momentos: gravidez, nascimento e regresso ao trabalho. Este último é muitas vezes esquecido, mas pode ser o mais pesado se implicar creche, ama ou redução de rendimento.

 

Algumas formas práticas de poupar:

  • Peça sempre fatura com NIF
  • Valide as faturas no Portal das Finanças
  • Confirme se tem direito a abono pré-natal e abono de família
  • Procure vaga na rede Creche Feliz com antecedência
  • Compre apenas o essencial antes do nascimento
  • Aceite roupa e equipamentos emprestados, desde que estejam em bom estado e sejam seguros
  • Compare preços por unidade, sobretudo em fraldas
  • Evite duplicar acessórios
  • Use o baby shower de forma prática, com lista de necessidades reais
  • Crie uma poupança mensal automática para despesas futuras.

 

 

Ter um filho é uma decisão profundamente pessoal, mas também financeira. Não significa que seja preciso ter tudo controlado ao cêntimo antes do nascimento, mas sim perceber que despesas podem surgir, que apoios existem e onde é possível fazer escolhas mais equilibradas.

 

Mais do que comprar tudo antes do bebé chegar, o importante é preparar a família para uma nova fase com segurança, informação e alguma flexibilidade. Porque o orçamento conta, mas a tranquilidade também.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

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