Finanças

Juros estáveis até 2028? O que dizem os analistas

4 minutos de leitura
Publicado a 13 Janeiro 2026
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Nos últimos anos, falar de juros tornou-se quase tão comum como falar do tempo. Depois de um período de subidas rápidas e, mais recentemente, várias descidas, muitos portugueses querem saber o que espera o futuro dos juros.

 

A resposta começa finalmente a ganhar forma. Segundo o mais recente inquérito do Banco Central Europeu (BCE), realizado em outubro de 2025 junto de 68 analistas monetários, o cenário mais provável é este: taxas de juro estáveis durante vários anos, com pouca margem para grandes oscilações até 2028.

 

 

O que mostram as previsões do BCE?

O inquérito do BCE — uma das ferramentas mais importantes para perceber como o mercado antecipa a política monetária — aponta para um período prolongado de estabilidade:

 

Taxa de depósitos estabilizada nos 2% até 2028

É a taxa diretora mais relevante para a evolução da Euribor. Os analistas antecipam que fique nos 2% até ao primeiro trimestre de 2028, subindo ligeiramente para 2,25% no segundo trimestre de 2028.

 

Inflação controlada e próxima da meta de 2%

O cenário base mantém a inflação entre 1,7% e 2,1% nos próximos anos, tanto na medida geral como na inflação subjacente. Ou seja: a inflação deixa de ser um problema urgente, o que reduz a pressão para novas subidas de juros.

 

Crescimento económico lento, mas estável

A Zona Euro deverá crescer entre 0,1% e 0,4% por trimestre, sem grandes acelerações, mas também sem sinais de recessão prolongada.

 

Taxa de desemprego baixa e estável

Os analistas apontam para um desemprego próximo de 6,3%, um número historicamente favorável para a região. 

 

Este conjunto cria um contexto raro: as condições económicas permitem ao BCE “não mexer” nas taxas durante bastante tempo.

 

Ainda assim, o BCE tem sublinhado que as decisões continuam a ser tomadas reunião a reunião, mantendo todas as opções em aberto, embora o cenário central continue a ser de estabilidade.

 

 

E a Euribor? Qual a previsão?

Aqui juntamos duas fontes importantes:

 

 

Ambas vão na mesma direção, embora com nuances. Ora veja.

 

Euribor a 3 meses (projeções BCE):

  • Abaixo dos 2% até final de 2026
  • A subir gradualmente a partir de 2027
  • A atingir cerca de 2,30% no final de 2028.

 

Euribor a 3 meses (projeções CFP):

  • Descer para 1,9% em 2026 e 2027
  • Subir novamente em 2028 (2,1%)
  • Atingir 2,3% em 2029.

 

Na prática, as projeções são muito semelhantes entre si e alinham-se com o que o BCE transmite: uma Euribor baixa nos próximos dois anos, seguida de subidas muito graduais.

 

Grande parte das projeções divulgadas por instituições como o BCE ou o Conselho de Finanças Públicas usa a Euribor a 3 meses como referência. Tal acontece porque é o indexante mais sensível às decisões do BCE e o que permite medições mais rigorosas ao longo do tempo.

O que isto significa para o crédito habitação?

Se tem crédito habitação indexado à Euribor, seja a 3, 6 ou 12 meses, estas previsões ajudam a ter uma ideia do futuro próximo:

 

  1. Prestação mais baixa em 2026 e 2027 (sobretudo contratos a 3 meses). Com previsões a apontar para a Euribor a 3 meses nos 1,9%, muitos contratos deverão refletir esta descida. Já a Euribor a 6 e 12 meses deverá ficar ligeiramente acima, mas também estável
  2. Estabilidade prolongada até 2028. Os analistas esperam “poucos sustos” no que toca a juros. Para muitas famílias, isto traduz-se numa prestação previsível e mais fácil de planear
  3. Pequenas subidas a partir de 2028. Nada abrupto: a Euribor deverá subir apenas alguns décimos, acompanhando a ligeira subida prevista na taxa de depósitos do BCE.

 

São ainda previsões e podem mudar consoante a economia evolua, mas ajudam a ter uma ideia do que esperar nos próximos anos.

 

 

Porque é que o BCE pode manter os juros estáveis durante tanto tempo?

As razões são várias e, ao contrário do que aconteceu em 2022 e 2023, todas elas jogam a favor da estabilidade:

 

  • A inflação está controlada: mantém-se em torno dos 2%, exatamente onde o BCE quer
  • A economia está a crescer devagar: e subir juros num contexto de crescimento frágil poderia travar demasiado a dinâmica económica
  • O desemprego está baixo: ou seja, não há sinais de desequilíbrios no mercado de trabalho que exijam aperto monetário
  • Os mercados já interiorizaram este cenário: e isso reduz a volatilidade e o risco de surpresas.

 

 

Então, isto é uma boa notícia?

Para grande parte das famílias portuguesas, sim. Depois de um período desafiante com prestações a subir mês após mês, entrar num ciclo de previsibilidade é uma ajuda importante.

 

  • Quem tem casa: paga menos (ou mantém) num horizonte de vários anos
  • Quem quer comprar: pode planear melhor, com menor risco de oscilações
  • Quem está a renegociar crédito: encontra um ambiente mais favorável.

 

E claro, com juros mais estáveis, torna-se mais fácil construir poupança, organizar o orçamento e tomar decisões financeiras com mais segurança.

 

Com inflação controlada, economia estável e expectativas alinhadas entre BCE, analistas e instituições independentes, estamos a entrar numa fase menos turbulenta. 

 

Naturalmente, estas previsões dependem sempre da evolução da economia e da inflação, mas o cenário base para os próximos anos é de estabilidade — algo que muitos portugueses estavam a precisar.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

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