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Nos últimos anos, falar de juros tornou-se quase tão comum como falar do tempo. Depois de um período de subidas rápidas e, mais recentemente, várias descidas, muitos portugueses querem saber o que espera o futuro dos juros.
A resposta começa finalmente a ganhar forma. Segundo o mais recente inquérito do Banco Central Europeu (BCE), realizado em outubro de 2025 junto de 68 analistas monetários, o cenário mais provável é este: taxas de juro estáveis durante vários anos, com pouca margem para grandes oscilações até 2028.
O inquérito do BCE — uma das ferramentas mais importantes para perceber como o mercado antecipa a política monetária — aponta para um período prolongado de estabilidade:
É a taxa diretora mais relevante para a evolução da Euribor. Os analistas antecipam que fique nos 2% até ao primeiro trimestre de 2028, subindo ligeiramente para 2,25% no segundo trimestre de 2028.
O cenário base mantém a inflação entre 1,7% e 2,1% nos próximos anos, tanto na medida geral como na inflação subjacente. Ou seja: a inflação deixa de ser um problema urgente, o que reduz a pressão para novas subidas de juros.
A Zona Euro deverá crescer entre 0,1% e 0,4% por trimestre, sem grandes acelerações, mas também sem sinais de recessão prolongada.
Os analistas apontam para um desemprego próximo de 6,3%, um número historicamente favorável para a região.
Este conjunto cria um contexto raro: as condições económicas permitem ao BCE “não mexer” nas taxas durante bastante tempo.
Ainda assim, o BCE tem sublinhado que as decisões continuam a ser tomadas reunião a reunião, mantendo todas as opções em aberto, embora o cenário central continue a ser de estabilidade.
Aqui juntamos duas fontes importantes:
Ambas vão na mesma direção, embora com nuances. Ora veja.
Na prática, as projeções são muito semelhantes entre si e alinham-se com o que o BCE transmite: uma Euribor baixa nos próximos dois anos, seguida de subidas muito graduais.
Grande parte das projeções divulgadas por instituições como o BCE ou o Conselho de Finanças Públicas usa a Euribor a 3 meses como referência. Tal acontece porque é o indexante mais sensível às decisões do BCE e o que permite medições mais rigorosas ao longo do tempo.
Se tem crédito habitação indexado à Euribor, seja a 3, 6 ou 12 meses, estas previsões ajudam a ter uma ideia do futuro próximo:
São ainda previsões e podem mudar consoante a economia evolua, mas ajudam a ter uma ideia do que esperar nos próximos anos.
As razões são várias e, ao contrário do que aconteceu em 2022 e 2023, todas elas jogam a favor da estabilidade:
Para grande parte das famílias portuguesas, sim. Depois de um período desafiante com prestações a subir mês após mês, entrar num ciclo de previsibilidade é uma ajuda importante.
E claro, com juros mais estáveis, torna-se mais fácil construir poupança, organizar o orçamento e tomar decisões financeiras com mais segurança.
Com inflação controlada, economia estável e expectativas alinhadas entre BCE, analistas e instituições independentes, estamos a entrar numa fase menos turbulenta.
Naturalmente, estas previsões dependem sempre da evolução da economia e da inflação, mas o cenário base para os próximos anos é de estabilidade — algo que muitos portugueses estavam a precisar.
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