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Finanças
Comprar casa mais tarde na vida já não é tão raro como era antigamente. Seja porque a estabilidade financeira só chegou mais tarde, porque houve uma mudança de vida ou, simplesmente, porque agora é que faz sentido dar esse passo, a verdade é que muitas pessoas começam a pensar em crédito habitação já com 40, 50 ou, até, 60 anos.
Mas será que ainda é possível? Até que idade se pode pedir um crédito? E o que muda com o passar dos anos?
Sim. As regras em vigor ligam o prazo máximo do crédito à idade de quem o contrata: quanto mais idade tiver no momento em que pede o empréstimo, menos anos tem para o pagar. Quanto mais idade tiver no momento em que pede o empréstimo, menos anos tem para o pagar.
Tal acontece porque o Banco de Portugal quer garantir que os empréstimos não se prolongam até idades demasiado avançadas, tanto para proteger quem pede o crédito, como para manter os bancos mais estáveis. Para isso, define prazos máximos que dependem da idade de quem contrata o crédito.
É mais simples do que parece. O cálculo baseia-se numa fórmula muito direta:
Idade do titular mais velho + prazo do empréstimo = idade no final do contrato
E aqui é importante distinguir duas coisas.
Por um lado, há uma prática comercial: a maioria dos bancos define, por política interna, uma idade máxima no fim do contrato, frequentemente 75 anos, embora varie de instituição para instituição. Não é uma regra do Banco de Portugal, mas condiciona, na prática, o prazo que se consegue obter.
Por outro lado, há uma regra do Banco de Portugal ligada à idade: se, no fim do contrato, o titular tiver mais de 70 anos, o banco é obrigado a assumir que o seu rendimento será mais baixo nessa fase (uma redução de pelo menos 20%, proporcional ao peso, no prazo total, dos anos em que ultrapassa os 70). Esta regra não se aplica se, no momento da análise, já estiver reformado.
Exemplo (com um banco que aplique o limite comercial de 75 anos):
Note que, se o crédito tiver dois titulares, o banco considera a idade do mais velho. Esta regra é importante e pode afetar bastante o prazo possível.
Para além do limite dos 75 anos no fim do contrato, também existem prazos máximos para novos créditos, definidos pelo Banco de Portugal:
Quem já completou 35 anos, ainda que há apenas um dia, deixa de poder aceder ao prazo de 40 anos e fica sujeito ao máximo de 35 anos. Exemplo prático: um cliente que complete 35 anos a 10 de março ainda pode obter um prazo até 40 anos se a avaliação de solvabilidade ocorrer nesse dia. A partir de 11 de março, passa a ter mais de 35 anos e o prazo máximo recomendado desce para 35 anos.
LTV significa Loan-To-Value, ou seja, a percentagem do valor do imóvel que o banco está disposto a financiar. É uma medida importante para controlar os riscos do crédito e também depende da finalidade do empréstimo.
As regras mais comuns são estas:
Quanto mais conseguir dar de entrada inicial, menor será o valor do crédito e maior a probabilidade de aprovação, principalmente se tiver uma idade mais avançada.
Sim, é possível, embora existam mais exigências. Mas há soluções! Aliás, alguns bancos já criaram campanhas específicas para clientes mais velhos, como o Crédito Habitação Sénior, por exemplo. Nestes casos, o prazo pode ir até aos 40 anos, mesmo que a idade final do mutuário ultrapasse os 75 anos. Ainda assim, estas soluções estão sempre sujeitas aos limites de prazo definidos pelo Banco de Portugal e à política de cada instituição quanto à idade no fim do contrato. Qualquer flexibilização depende de garantias adicionais e de avaliação caso a caso.
E, para isso são exigidas garantias adicionais:
Tenha em mente que estas exceções não são a norma e requerem sempre avaliação caso a caso pelo banco.
Se está a entrar numa fase mais avançada da vida e quer pedir crédito habitação, há algumas estratégias que podem facilitar a aprovação:
Adicionalmente, ter uma taxa de esforço controlada, uma fonte de rendimento estável e manter um bom histórico bancário são sempre pontos a favor.
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