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Todos os anos, o IRS levanta as mesmas dúvidas: vou pagar mais ou menos? Vou receber reembolso? Em 2026, as respostas não passam por grandes cortes nem por mudanças radicais, mas por ajustes que tornam o imposto um pouco mais justo e previsível.
As novas tabelas trazem um ligeiro alívio fiscal, sobretudo para quem ganha rendimentos baixos e médios, e alinham melhor o imposto mensal com o valor final a pagar.
Perceber o que muda, e como isso se reflete no dia a dia, ajuda a evitar surpresas e a aproveitar melhor as novas regras.
Há três alterações centrais no IRS de 2026:
Na prática, uma maior fatia do rendimento passa a estar protegida de taxas mais elevadas, o que se traduz num imposto ligeiramente mais leve para a maioria das pessoas.
A atualização dos escalões é uma das mudanças mais importantes, e também das menos visíveis. Ao subir os limites de cada escalão, evita-se que aumentos salariais, muitas vezes destinados apenas a compensar a inflação, se traduzam automaticamente num IRS mais alto.
A isto junta-se a redução das taxas do 2.º ao 5.º escalão, que beneficia sobretudo quem aufere salários baixos, médios e médios-altos. Mesmo contribuintes em escalões superiores acabam por sentir o efeito, graças à progressividade do imposto.
O resultado raramente é um grande aumento imediato no rendimento mensal, mas sim poupanças distribuídas ao longo do ano, que podem somar algumas dezenas, ou mesmo mais de uma centena, de euros no total anual.
A retenção na fonte continua a ser um dos temas que mais dúvidas gera. Em 2026, as tabelas aproximam ainda mais o IRS descontado mensalmente do imposto real devido no final do ano.
Isto significa duas coisas ao mesmo tempo:
Receber menos reembolso não significa pagar mais IRS. Na maioria dos casos, significa apenas que o imposto foi sendo pago de forma mais equilibrada ao longo do ano, evitando grandes acertos no final.
Para muitos contribuintes, esta maior previsibilidade acaba por ser uma vantagem na gestão do orçamento mensal.
Para perceber melhor o impacto das novas tabelas, vale a pena olhar para alguns cenários simples. Os valores não são extraordinários, mas ajudam a ilustrar o efeito real das mudanças.
Estes exemplos mostram que o IRS de 2026 suaviza o esforço fiscal de forma transversal, sobretudo para quem se encontra nos escalões baixos e médios.
Em 2026, o salário mínimo sobe para 920 euros e o mínimo de existência é atualizado para 12.880 euros anuais. Isto garante que quem aufere rendimentos até este valor continua totalmente isento de IRS.
Mesmo quem ganha ligeiramente acima deste patamar beneficia do reforço, já que uma parte do rendimento fica protegida de tributação. É uma medida-chave para assegurar que o imposto não compromete o essencial do orçamento das famílias com rendimentos mais baixos.
Uma boa notícia que se mantém em 2026 é a isenção de IRS sobre os prémios de produtividade, até ao limite legal. Quando atribuídos pelas empresas e cumpridas as condições previstas, estes prémios não entram para o cálculo do imposto.
Na prática, isto permite que muitos trabalhadores recebam um rendimento extra sem agravamento fiscal, desde que as empresas cumpram os critérios de valorização salarial definidos no âmbito da concertação social.
O Orçamento do Estado 2026 reforça também o papel das deduções no apuramento final do IRS. Mantêm-se as deduções associadas a despesas gerais e familiares, saúde, educação e habitação, mas surgem novidades relevantes.
Passa a ser possível deduzir parte do IVA gasto em livros, espetáculos, concertos, teatro, museus e outras atividades culturais, desde que seja pedida fatura com NIF. Estas despesas juntam-se às já conhecidas deduções associadas a restauração, cabeleireiros, oficinas, ginásios ou veterinários.
No caso da habitação, continuam em discussão medidas relacionadas com rendas e arrendamento acessível, que poderão ter impacto direto no IRS, embora algumas ainda dependam de regulamentação final.
Aproveitar melhor o IRS de 2026 não exige decisões complexas, mas atenção ao detalhe ao longo do ano. Pedir sempre fatura com NIF, sobretudo em despesas dedutíveis, continua a ser um dos gestos mais simples e eficazes.
Também é importante acompanhar a retenção mensal e perceber se o rendimento líquido reflete as novas tabelas. Em alguns casos, perceber antecipadamente que o reembolso será menor ajuda a planear melhor o orçamento.
Antes de entregar a declaração de IRS, vale a pena confirmar alguns pontos essenciais no Portal das Finanças: a composição do agregado familiar, os rendimentos declarados, as despesas comunicadas e os dados bancários para eventual reembolso.
Erros simples ou dados desatualizados podem fazer a diferença entre pagar, receber ou atrasar o acerto final do imposto.
Em 2026, o IRS passa a funcionar de forma um pouco mais silenciosa, mas também mais alinhada com a realidade das famílias. O imposto pesa menos nos detalhes do dia a dia e exige menos correções no final do ano, o que traz maior previsibilidade à gestão do orçamento.
Num contexto em que cada decisão financeira conta, conhecer estas regras não é apenas uma questão fiscal. É uma forma de manter controlo, antecipar cenários e fazer escolhas mais informadas ao longo do ano.
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