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Eles viraram a página nos negócios e na vida: histórias de quem se reinventou na pandemia

30 jun 2021 | 7 min de leitura
Reinventar uma carreira ou um negócio em crise é exigente. Saiba como estas pessoas e empresas mudaram com a pandemia.

Quatro dias depois de começar o primeiro confinamento, Adérito passou a vender máscaras de proteção. Os irmãos Teixeira criaram um negócio de rosas. Jorge levou a produção de eventos para o online. E o chef Avillez desenhou uma carta especial para takeaway.

 

O que é preciso para reinventar um negócio num momento de crise? Como se muda de vida no trabalho no meio da incerteza?

 

Estas são as histórias de pessoas e empresas que saltaram para o desconhecido durante a pandemia e conseguiram criar novas oportunidades.

 

 

José Avillez: “um profissional tem de saber reinventar-se”

Os primeiros efeitos da pandemia obrigaram-no a fechar 6 dos 20 restaurantes que tinha e, já em 2021, encerrou mais um. José Avillez, chef com 2 estrelas Michelin graças ao seu Belcanto, sabe bem o que é a reinvenção.

 

Quatro dias depois de começar o primeiro confinamento, Adérito passou a vender máscaras de proteção. Os irmãos Teixeira criaram um negócio de rosas. Jorge levou a produção de eventos para o online. E o chef Avillez desenhou uma carta especial para takeaway.

 

O que é preciso para reinventar um negócio num momento de crise? Como se muda de vida no trabalho no meio da incerteza?

 

Estas são as histórias de pessoas e empresas que saltaram para o desconhecido durante a pandemia e conseguiram criar novas oportunidades.

 

 

José Avillez: “um profissional tem de saber reinventar-se”

Os primeiros efeitos da pandemia obrigaram-no a fechar 6 dos 20 restaurantes que tinha e, já em 2021, encerrou mais um. José Avillez, chef com 2 estrelas Michelin graças ao seu Belcanto, sabe bem o que é a reinvenção.

 

 

“A pandemia foi um grande teste à nossa capacidade de recriar”, diz José Avillez ao Santander.

 

Aconteceu tudo muito rápido naqueles primeiros meses de 2020, no meio da incerteza. “Tivemos de ser ainda mais rápidos a reagir”. E essa reação rápida passou por evitar o desperdício dos bens alimentares que tinham quando fecharam portas.

"Aproveitámos todos os perecíveis e doámos sob forma de refeição a quem mais precisava."

José Avillez, o único chef português na lista dos melhores 100 no mundo, deitou mãos à obra para planear o futuro desde muito cedo: “tivemos de repensar a nossa estrutura de restaurantes para takeaway”.

 

Logo em abril de 2020, no Bairro do Avillez, projeto lisboeta, passaram a fazer refeições para levantar no restaurante ou entregar em casa. As doses individuais cresceram em tamanho e tornaram-se doses familiares. As encomendas deviam ser feitas de véspera.

 

Pelo caminho, os pratos com assinatura do chef português passaram a estar disponíveis nos serviços digitais de encomenda de comida com entrega em casa, numa carta especial desenhada em exclusivo para takeaway.

 

No início de 2021, quando a pandemia de COVID-19 conheceu um pico grave em Portugal, José Avillez antecipou-se e fechou portas de forma preventiva para proteger as suas equipas.

 

A reabertura dos seus espaços foi finalmente agendada para 19 de abril.

 

 

Como Adérito Ribeiro transformou os fornecedores em clientes

Assim como José Avillez, Adérito Ribeiro fez uma das análises mais importantes numa crise. Parou, refletiu e decidiu como reagir. O processo foi rápido e, aos primeiros dias do primeiro confinamento, em 2020, tinha em marcha a solução.

 

 

Sim, uma parte de saber reinventar-se é traçar os primeiros passos, procurar respostas para os problemas mais imediatos. Melhor ainda se conseguir fazê-lo já a pensar no futuro.

 

Claro que não há como saber o que virá, mas alguma capacidade de análise crítica deixa antever possíveis caminhos.

 

Adérito Ribeiro percebeu que o material de proteção contra a COVID-19 tinha procura e ia ser necessário durante algum tempo. Já passa mais de um ano desde que começámos, em Portugal, a usar máscaras todos os dias.

 

“Tinha um negócio de distribuição de apoio à restauração, mas veio a pandemia e meteu travão a fundo”, conta o empresário de Oliveira de Azeméis. O mundo parou e Portugal parou com ele, “mas não consegui ficar quieto”.

 

Motivou-o a dificuldade em esperar que a solução lhe aparecesse sozinha. “Estar em casa no sofá à espera de que as coisas aconteçam não era para mim”, explica.

 

Então, decidiu pôr em marcha uma ideia em que já andava a pensar.

 

“Reinventei o meu negócio e nem cheguei a ter de despedir ninguém”, relata, com o alívio na voz.

 

Do apoio à restauração, criou a softparticle, com que começou a distribuir as tão procuradas máscaras, para as quais havia procura urgente e crescente. Desde aí, já diversificou a sua oferta e passou a vender outros materiais de proteção como dispensadores de álcool gel.

"Transformámos fornecedores em clientes e voltámos ao ativo em grande velocidade."

“Transformámos fornecedores em clientes e voltámos ao ativo em grande velocidade”, conclui Adérito Ribeiro.

 

O empresário já tinha uma equipa treinada na distribuição, tinha uma rede de contactos com que trabalhava e bastou mudar de perspetiva para passar a considerar os fornecedores como potenciais clientes.

 

Lição n.º 2 das nossas histórias: pode não ser preciso inventar a roda, talvez a solução esteja mais perto do que parece.

 

 

Nasceram rosas no caminho dos irmãos Teixeira

Márcio trabalhava em eventos e Diogo em Marketing digital. Mas a pandemia apanhou os irmãos Teixeira de surpresa ao deixá-los sem trabalho.

 

 

“Ficámos sem emprego e sem saber logo como reagir”, lembra Márcio. “Mas a surpresa maior ainda estava por vir e fomos nós que a criámos”, acrescenta.

"Ficámos sem emprego e sem saber logo como reagir."

Os irmãos Teixeira dedicaram-se a um projeto pessoal que lhes permitiu passar do trabalho por conta de outrem para um projeto próprio. Próprio e quase familiar, porque a inspiração surgiu de uma estufa que tinha pertencido aos seus avós.

 

“Chama-se Lux n’ Roses e entrega bouquets de luxo personalizados feitos com rosas frescas”, explica Diogo Teixeira enquanto o seu irmão conta que “as rosas são tudo” no caso deste projeto nascido no Porto.

 

A pandemia atirou-os para fora da zona de conforto e a ideia que tiveram fê-los construir algo fora da caixa.

 

Quantos empreendedores criaram negócios de sucesso a partir de sonhos? Quantos encontraram coragem para transformar um projeto pessoal numa empresa?

 

Mas nem sempre parece o momento certo para arriscar, não é? A pandemia criou essa oportunidade para Márcio e Diogo.

 

 

O espetáculo segue dentro de momentos com Jorge Pina

As salas de espetáculo fecharam portas logo cedo e tem sido com incertezas que a cultura começou a desconfinar.

 

 

Jorge Pina e a sua equipa têm uma experiência e história de mais de 30 anos na produção de eventos. “Os bastidores do espetáculo são o palco da minha vida e da de todos os que trabalham comigo na AudioMatrix”, relata.

 

“Quando a pandemia começou a cancelar todos os eventos, senti que eram as nossas vidas que iam ficar em stand by”. Até quando, ninguém sabia. Mas uma coisa era certa: “não podíamos ficar parados”. Com convicção, Jorge projetou a sua empresa de Caneças para muito longe e seguiu o que tantas outras organizações, em todo o mundo, começaram a fazer: passou para o online.

 

Lembra-se de assistir a um concerto na internet durante o confinamento? Talvez tenha assistido a uma aula online ou feito desporto com os seus colegas de ginásio à distância. Assim fizeram Jorge e a sua equipa, quando passaram a filmar e a produzir eventos online.

 

“Reagimos, reinventámos o nosso dia a dia, interpretámos novos papéis sem nunca despedir ninguém”, sublinha. 

 

Ainda sem estar reposta a intensa agenda de espetáculos que Portugal tinha antes da pandemia, Jorge acredita que “o espetáculo vai seguir dentro de momentos” e orgulha-se das pessoas que trabalham consigo. Vai seguir “com novas infraestruturas e uma equipa incrivelmente versátil, capaz de ultrapassar todos os obstáculos imprevistos dos espetáculos”.

 

Não existe fórmula nem segredo para a coragem de pôr mãos à obra, sobretudo quando existem outras vidas a depender de um negócio, mas há elementos indispensáveis. Jorge fala do essencial: “a pandemia não cancelou a nossa criatividade nem a nossa dedicação e muito menos as nossas vidas.”

"A pandemia não cancelou a nossa criatividade nem a nossa dedicação e muito menos as nossas vidas."

3 lições rápidas de quem se reinventou na pandemia

Qualquer gestor experimentado podia falar de cor sobre estas lições, mas por vezes elas são tão óbvias que escapam nos momentos em que a ansiedade e a incerteza tomam conta das nossas vidas.

 

Qualquer empreendedor falaria sobre o risco e a coragem que é precisa para ir em frente e que, num momento de crise, é substituída pela necessidade em forma de empurrão.

 

É certo que, para muitos, os confinamentos obrigaram a fechar portas de forma definitiva. Mas, se puder, no trabalho e na vida, inspire-se por estas ideias de pessoas para quem a pandemia foi o virar de página.

 

 

1. Acontecimentos inesperados merecem reações rápidas

Tratar do problema por partes é uma forma de conseguir respostas no imediato e até de alcançar algum nível de motivação para as fases seguintes.

 

Assim como José Avillez decidiu entregar os alimentos que iam estragar-se dentro de pouco tempo para ajudar pessoas que estavam a precisar, convém olhar aos desafios que requerem respostas rápidas.

 

Ficar preso no momento, surpreendido por algo que não podia ter sido previsto, pode comprometer o sucesso da resposta global.

 

 

2. As pessoas estão no centro da ação

Proteger as pessoas. Não despedir. Recuperar trabalho.

 

Nestas histórias, vimos os dois lados: de quem procurou formas de garantir os postos de trabalho daqueles que dependiam de si e de quem se reinventou depois de um despedimento.

 

Muitas empresas colocaram os seus colaboradores no centro das primeiras medidas de reação à COVID-19. Algumas fecharam portas para proteger as pessoas, outras trataram de fornecer os materiais de proteção necessários para que os trabalhadores pudessem continuar a garantir o serviço e manter-se seguros ao mesmo tempo.

 

 

3. Soluções criativas à vista

Por vezes, basta alargar um pouco o nosso horizonte de possibilidades para ver um pouco mais além. É como se diz por aí: nada se cria, tudo se reinventa.

 

Em crise, faça uma lista dos seus recursos. Que tecnologias estão disponíveis? Quem está preparado para assumir responsabilidades e tarefas? O que é que podemos usar para construir respostas alternativas?

 

Vai surpreender-se com a capacidade humana de pensar em soluções criativas, porque, todos sabemos, a necessidade é a mãe da invenção.

 

 

 

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

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