Bem-estar

O que fazer para ser produtivo: 15 hábitos para trabalhar melhor

9 minutos de leitura
Publicado a 1 setembro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Mulher jovem a trabalhar sentada a trabalhar  ao computador e feliz

Há dias em que responde a dezenas de mensagens, participa em reuniões e resolve pequenos pedidos, mas termina o trabalho com a sensação de que pouco avançou.

 

Afinal, o que fazer para ser produtivo? Conheça 15 hábitos que podem ajudar a organizar melhor o dia, reduzir distrações e aproveitar o tempo de forma mais consciente.

 

 

Produtividade não é trabalhar mais horas

Ser produtivo não significa preencher todos os minutos do dia, responder imediatamente a cada mensagem ou aceitar todas as tarefas que surgem.

 

Produtividade significa conseguir dedicar tempo e atenção ao trabalho que produz resultados, reduzindo o esforço gasto em atividades que apenas criam uma sensação de movimento, como procurar documentos, alternar constantemente entre aplicações ou participar em reuniões sem um objetivo definido.

 

Também não significa fazer tudo. Uma pessoa produtiva sabe distinguir o que precisa de ser feito agora, o que pode esperar, o que pode ser delegado e o que não é realmente necessário.

 

Antes de começar o dia, pode ser útil trocar a pergunta “Como vou conseguir fazer tudo?” por uma pergunta mais concreta:

 

  • Qual é o resultado mais importante que preciso de alcançar hoje?

 

Esta mudança ajuda a orientar o tempo para aquilo que tem maior valor, em vez de tentar simplesmente reduzir uma lista interminável de tarefas.

 

 

Hábitos diários para aumentar a produtividade

Não é necessário alterar toda a rotina de uma só vez. Em muitos casos, pequenas mudanças na forma como planeia e executa o trabalho são suficientes para melhorar a concentração e reduzir a sensação de sobrecarga.

 

1. Planeie o dia antes de começar

Entrar no dia de trabalho sem saber por onde começar facilita a dispersão. Os primeiros minutos acabam frequentemente ocupados com a consulta de emails, mensagens e pedidos que podem não ser prioritários.

 

Reserve entre cinco e dez minutos no final do dia anterior, ou logo no início da manhã, para identificar:

  • As tarefas que precisam de ser concluídas
  • Os compromissos já marcados
  • Os prazos mais próximos
  • O trabalho que exige maior concentração
  • Os assuntos que dependem de outras pessoas.

 

O objetivo não é planear cada minuto, mas ter uma direção clara antes de começar.

 

2. Escolha três prioridades

Uma lista com 20 tarefas pode ajudar a não esquecer nada, mas não indica necessariamente o que deve ser feito primeiro.

 

Escolha até três prioridades para o dia. Estas devem corresponder aos resultados que mais contribuem para os seus objetivos, que têm um prazo próximo ou que desbloqueiam o trabalho de outras pessoas.

 

As restantes tarefas continuam registadas, mas deixam de competir todas ao mesmo tempo pela sua atenção.

 

Caso surja um novo pedido urgente, avalie o impacto nas prioridades já definidas. Em vez de acrescentar automaticamente mais uma tarefa ao dia, confirme qual das anteriores deve ser adiada.

 

3. Transforme projetos em ações concretas

“Preparar apresentação”, “organizar documentos” ou “tratar do orçamento” são tarefas demasiado abrangentes. Quando uma atividade parece grande ou pouco clara, torna-se mais difícil começar.

 

Divida-a em passos concretos. Por exemplo:

  • Reunir os dados necessários
  • Definir a estrutura da apresentação
  • Preparar os primeiros cinco diapositivos
  • Rever os números
  • Pedir validação à equipa.

 

Quanto mais clara for a primeira ação, menor será o esforço necessário para iniciar o trabalho.

 

4. Aproveite as horas em que se concentra melhor

Nem todas as pessoas têm o mesmo ritmo. Algumas conseguem desenvolver trabalho mais exigente durante a manhã, enquanto outras atingem o seu melhor nível de concentração depois do almoço.

 

Observe durante alguns dias os períodos em que trabalha com maior facilidade e tente reservar esses horários para atividades que exigem raciocínio, criatividade ou tomada de decisões.

 

As tarefas mais automáticas, como arquivar documentos, atualizar sistemas ou responder a mensagens simples, podem ficar para períodos de menor energia.

 

Sempre que tiver margem para organizar a agenda, evite preencher as horas de maior concentração com reuniões dispersas.

 

5. Concentre-se numa tarefa de cada vez

Responder a uma mensagem enquanto participa numa reunião e tenta terminar um documento pode parecer eficiente. Na realidade, cada mudança obriga a interromper uma linha de raciocínio e a recuperar o contexto da tarefa anterior.

 

Para reduzir esta alternância:

  • Feche os separadores de que não precisa
  • Trabalhe com apenas um documento aberto
  • Termine uma etapa antes de mudar de assunto
  • Anote as ideias ou pedidos que surgirem, sem os resolver imediatamente
  • Reserve períodos próprios para consultar mensagens.

 

Nem sempre é possível evitar interrupções, mas é possível impedir que cada notificação passe a controlar o ritmo do dia.

 

6. Trabalhe por blocos de concentração

Em vez de tentar manter o foco durante várias horas seguidas, divida o trabalho em períodos com início e fim definidos.

 

Uma das estratégias mais conhecidas é a técnica Pomodoro, criada por Francesco Cirillo. Na sua versão clássica, alterna períodos de 25 minutos de trabalho com pausas curtas de cinco minutos. Depois de quatro ciclos, é feita uma pausa mais longa.

 

O tempo pode ser adaptado à tarefa. Algumas pessoas preferem blocos de 45 ou 50 minutos, seguidos de uma pausa de dez minutos. O mais relevante é criar um período protegido no qual sabe exatamente o que vai fazer.

 

Antes de iniciar cada bloco:

  1. Escolha uma tarefa concreta
  2. Defina o resultado esperado
  3. Silencie as notificações
  4. Coloque um temporizador
  5. Registe as interrupções para tratar mais tarde.

 

7. Agrupe tarefas semelhantes

Alternar constantemente entre chamadas, emails, documentos e reuniões consome tempo e atenção.

 

Sempre que possível, junte atividades semelhantes no mesmo período. Pode, por exemplo:

  • Responder a emails duas ou três vezes por dia
  • Fazer várias chamadas seguidas
  • Tratar das tarefas administrativas no mesmo bloco
  • Rever vários documentos de uma só vez
  • Agrupar reuniões em determinados períodos.

 

Esta técnica, por vezes designada por task batching, reduz o número de mudanças de contexto ao longo do dia.

 

Não deve, no entanto, adiar mensagens que sejam realmente urgentes ou necessárias para evitar que o trabalho de outras pessoas fique bloqueado.

 

8. Defina horários para consultar mensagens

Manter o email e as plataformas de comunicação sempre abertas cria a expectativa de que tudo deve ser respondido imediatamente.

 

Escolha momentos específicos para consultar mensagens, tendo em conta as exigências da sua função. Em muitos trabalhos, pode ser suficiente verificar a caixa de entrada no início da manhã, antes ou depois do almoço e perto do final do dia.

 

Durante os períodos de concentração, utilize as opções “Não incomodar”, “Foco” ou de suspensão de notificações disponíveis no computador e nas aplicações de comunicação. Algumas ferramentas permitem, ainda, definir horários durante os quais as notificações ficam automaticamente suspensas.

 

Caso trabalhe em equipa, deixe claro quando estará indisponível e quando voltará a responder. Assim, reduzir notificações não será confundido com falta de acompanhamento.

 

9. Termine o dia com uma revisão rápida

Antes de fechar o computador, reserve alguns minutos para perceber:

  • O que ficou concluído
  • O que precisa de continuar no dia seguinte
  • Que tarefa deixou de ser prioritária
  • De quem aguarda uma resposta
  • Qual será o primeiro passo da manhã seguinte.

 

Esta revisão reduz o tempo perdido a reconstruir o contexto no início do dia e ajuda a encerrar mentalmente o trabalho.

 

Também permite identificar padrões. Se determinada tarefa for adiada durante vários dias, talvez seja demasiado vaga, dependa de informação em falta ou já não tenha a prioridade inicialmente atribuída.

Organização do espaço e das ferramentas de trabalho

A produtividade não depende apenas de disciplina. Um ambiente desorganizado, documentos difíceis de encontrar e ferramentas a mais podem criar pequenos obstáculos que se repetem dezenas de vezes ao longo do dia.

 

10. Mantenha apenas o necessário no espaço de trabalho

Uma secretária não precisa de estar completamente vazia, mas deve permitir encontrar rapidamente aquilo de que precisa.

 

Retire documentos antigos, copos, embalagens, cabos e objetos que já não utiliza. Mantenha perto de si apenas o material relacionado com o trabalho atual.

 

O mesmo princípio pode ser aplicado ao ambiente digital:

  • Elimine atalhos que já não utiliza
  • Feche separadores antigos
  • Organize os ficheiros por pastas
  • Dê nomes claros aos documentos
  • Evite guardar várias versões sem indicação da mais recente.

 

Um sistema simples tende a funcionar melhor do que uma estrutura muito detalhada que ninguém consegue manter.

 

11. Crie regras simples para guardar documentos

Grande parte do tempo perdido não está na execução das tarefas, mas na procura da informação necessária para as realizar.

 

Defina uma estrutura comum para ficheiros e pastas. Por exemplo:

  • Cliente > Projeto > Ano > Tipo de documento

 

Adote também uma convenção para os nomes dos ficheiros, incluindo elementos como o projeto, o conteúdo, a data ou a versão:

  • Projeto_Orçamento_2026_VersãoFinal

 

Caso trabalhe em equipa, confirme que todos utilizam o mesmo local para guardar informação. Um documento não deve estar num email, a versão seguinte numa conversa e a versão final no computador de uma única pessoa.

 

12. Utilize uma ferramenta central para gerir tarefas

Um caderno pode ser suficiente para uma lista pessoal simples. No entanto, quando existem vários projetos, prazos, responsáveis e dependências, pode ser útil utilizar uma ferramenta digital.

 

O sistema escolhido deve permitir perceber rapidamente:

  • O que está por fazer
  • O que está em curso
  • O que está concluído
  • Quem é responsável
  • Qual é o prazo
  • Que informação é necessária.

 

Evite utilizar várias ferramentas para a mesma finalidade. Se parte das tarefas estiver num caderno, outra parte no email e outra numa aplicação, aumenta o risco de perder informação.

 

Também não é necessário implementar todas as funcionalidades disponíveis. Comece com uma lista simples e acrescente níveis de detalhe apenas quando forem necessários.

 

 

Bem-estar físico e mental como base da produtividade

Técnicas de planeamento não compensam continuamente a falta de descanso, o excesso de trabalho ou um posto pouco confortável.

 

Para manter um desempenho consistente, é necessário gerir não apenas o tempo, mas também a energia e a capacidade de concentração.

 

13. Faça pausas e mude de posição

Trabalhar durante várias horas sem se levantar pode causar desconforto e dificultar a manutenção da atenção.

 

As pausas não precisam ser longas. Pode aproveitar alguns minutos para:

  • Levantar-se
  • Alongar
  • Ir buscar água
  • Caminhar durante uma chamada
  • Descansar os olhos do ecrã
  • Mudar de posição.

 

A Organização Mundial da Saúde recomenda limitar o tempo passado em comportamentos sedentários e salienta que qualquer quantidade de atividade física é preferível à ausência de movimento. A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho também recomenda pausas curtas e movimento ao longo do dia de trabalho.

 

14. Proteja o descanso e as rotinas básicas

Quando existe cansaço acumulado, tarefas simples podem exigir mais tempo, surgem mais erros e torna-se mais difícil decidir o que fazer primeiro.

 

Procure manter horários de sono regulares, fazer refeições que lhe permitam sustentar a energia ao longo do dia e ter água disponível enquanto trabalha.

 

A atividade física também pode contribuir para a saúde mental, para o sono e para o bem-estar geral.

 

Não encare estas rotinas como tempo retirado à produtividade. São parte das condições necessárias para conseguir trabalhar de forma consistente.

 

15. Estabeleça limites realistas para a carga de trabalho

Quando todas as tarefas são urgentes, nenhuma está verdadeiramente priorizada.

 

Antes de aceitar um novo pedido, confirme:

  • Qual é o prazo
  • Qual é o resultado esperado
  • Que prioridade tem face ao trabalho atual
  • Se existe informação suficiente para começar
  • Que outra tarefa terá de ser adiada.

 

Dizer “não” nem sempre significa recusar definitivamente. Pode significar explicar que não consegue assumir o pedido naquele prazo, propor outra data ou pedir ajuda para redefinir prioridades.

 

A produtividade sustentável não consiste em aumentar indefinidamente o número de tarefas realizadas. Consiste em distribuir o trabalho de forma compatível com o tempo e os recursos disponíveis.

 

 

Produtividade no teletrabalho e no escritório

As principais distrações variam consoante o local de trabalho.

 

Em teletrabalho, procure separar a vida profissional da pessoal: escolha uma zona específica para trabalhar, defina prioridades no início do dia e feche as aplicações profissionais quando terminar. Evite trabalhar regularmente no sofá ou na cama, sobretudo por questões de postura e ergonomia.

 

No escritório, as interrupções podem surgir através de conversas, reuniões não planeadas e pedidos presenciais. Para proteger os períodos de concentração, pode:

  • Utilizar auscultadores, quando adequado
  • Reservar uma sala para tarefas mais exigentes
  • Bloquear períodos de foco no calendário
  • Indicar à equipa quando precisa de trabalhar sem interrupções
  • Agrupar reuniões, evitando que fiquem espalhadas por todo o dia.

 

Num modelo híbrido, procure manter o mesmo sistema de tarefas e documentação, independentemente do local onde está. Desta forma, não perde tempo a reconstruir o contexto sempre que muda entre casa e escritório.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.
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