Finanças

A carga fiscal em 2025: o que temos visto até agora e o que está por vir

5 minutos de leitura
Publicado a 27 Novembro 2025
Mãos seguram em dinheiro em notas

Falar de impostos nunca é o tema favorito de ninguém. Mas é impossível ignorar o impacto que têm no nosso dia a dia. Basta olhar para o recibo do salário, o preço dos combustíveis ou a conta do supermercado para perceber que o peso do Estado está sempre presente.

 

Em 2025, esse peso voltou a dar que falar. Depois de um ano marcado por promessas de alívio fiscal no Orçamento do Estado, a pergunta que se impõe é simples: pagámos menos impostos ou continuamos a sentir o mesmo aperto?

 

 

O que se entende por “carga fiscal”?

É um termo que normalmente se refere à proporção que os impostos e contribuições sociais representam em relação à economia, isto é, quanto pagamos em função daquilo que produzimos.

 

Em Portugal, um indicador frequentemente usado é o rácio entre as receitas fiscais e o Produto Interno Bruto (PIB).

 

 

Onde estávamos em 2024?

Para compreender 2025, convém olhar primeiro ao ano anterior, que será a base de comparação.

 

O Instituto Nacional de Estatística (INE) estimou, em março de 2025, a carga fiscal de 2024 em 35,7% do PIB. Uma atualização de setembro de 2025 fixou o valor em 35,2% do PIB. As receitas fiscais e contributivas totalizaram cerca de 101,8 mil milhões de euros.

 

Isto mostra duas coisas: primeiro, que o peso dos impostos continuou elevado; segundo, que há revisões nos dados que devem levar-nos a alguma cautela (os valores podem diferir consoante as metodologias ou data de reporte).

 

 

Carga fiscal em 2025 (até ao momento)

Em outubro de 2025 ainda não há dados fechados para o ano completo, mas já existem sinais claros sobre a evolução da receita e o impacto das medidas do Orçamento do Estado.

 

Eis os principais pontos:

 

1. Medidas fiscais no âmbito do Orçamento do Estado para 2025

A proposta do OE 2025 previa uma receita total de 133,8 mil milhões de euros, um crescimento de 6,4% face a 2024, impulsionado pelas receitas fiscais e pelas contribuições sociais.

 

No campo dos impostos, o Relatório do Orçamento do Estado 2025 detalha um conjunto de medidas de alívio fiscal para famílias e empresas:

  • Atualização dos escalões de IRS em 4,62%, aumento do mínimo de existência e dedução específica indexada a 8,54 IAS para rendimentos até cerca de 40 mil euros
  • Alargamento do regime IRS Jovem até aos 35 anos, com isenção parcial nos primeiros 10 anos de atividade (categorias A e B)
  • Redução da taxa de IRC: geral de 21% para 20% e, nas PME, de 17% para 16% nos primeiros 50 mil euros de matéria coletável.

 

Resumindo, o OE 2025 combina um alívio seletivo para famílias e microempresas, com crescimento da receita pública. Um equilíbrio entre alívio e consolidação orçamental.

2. Evolução das receitas fiscais e contributivas

  • De acordo com o INE e a Entidade Orçamental, as receitas fiscais e contributivas continuaram a crescer em 2025. As sínteses mensais de execução orçamental mostram uma subida de 11,2% nos impostos indiretos até junho de 2025, impulsionada pelo IVA e pelo ISP
  • Segundo a proposta do Governo para o Orçamento do Estado 2026, o peso dos impostos indiretos na receita fiscal deverá atingir 52,9% em 2025 e 53,5% em 2026, de acordo com as projeções oficiais apresentadas
  • Ainda mais recente, um artigo do “ECO” aponta que, para 2025, se estima um aumento de 4,8% nas receitas de impostos diretos e 8,4% nas receitas de impostos indiretos.

 

3. Atenção ao risco de agravamento da carga fiscal em 2026

Para 2026, o Governo prevê atualizar os escalões de IRS em 3,51%, segundo a fórmula automática que conjuga inflação e produtividade. Caso os salários cresçam acima deste valor, a taxa efetiva poderá subir ligeiramente.

«Este ano paguei menos imposto»… Verdade ou mito?

É frequente ouvirmos: “este ano paguei menos imposto”. E em muitos casos pode ser verdade: se o rendimento se ajustar ou se usufruir de deduções/benefícios. Por exemplo, o aumento do mínimo de existência, a dedução específica mais elevada e o regime de IRS Jovem podem fazer diferença para muitos agregados.

 

Mas atenção: pagar menos imposto individualmente não significa necessariamente que a carga fiscal do país está mais leve, porque a média global ou o rácio sobre o PIB pode estar estável ou até a subir.

 

De facto, embora algumas medidas aliviem famílias ou jovens, o peso global dos impostos (diretos + indiretos + contribuições) continua elevado. E o crescimento das receitas (sobretudo impulsionado por impostos indiretos) pode contrabalançar os “bons” sinais de alívio.

 

 

O que podemos esperar da carga fiscal em 2026?

A proposta do Orçamento do Estado para 2026 já está disponível para consulta pública, e as primeiras contas confirmam aquilo que muitos analistas antecipavam: a carga fiscal praticamente não se altera.

O Executivo projeta que os impostos e contribuições representem 34,7% do PIB, ligeiramente abaixo dos 34,8% estimados para 2025.

 

O aumento global da receita, de cerca de 2,8 mil milhões de euros, resulta sobretudo da evolução económica positiva — mais emprego e mais consumo — e não de novos impostos.

 

Para as famílias, o impacto será moderado:

  • Escalões de IRS atualizados em 3,51%, abaixo do crescimento salarial esperado, o que pode fazer subir ligeiramente a taxa efetiva
  • Impostos indiretos, como o IVA e os impostos sobre consumo, mantêm peso elevado, o que pode diluir parte do alívio nas taxas diretas
  • Mantêm-se medidas de apoio como o IRS Jovem, as deduções específicas para trabalhadores e pensionistas e o alívio fiscal para famílias com filhos.

 

 

Em resumo, 2026 será um ano de continuidade fiscal: sem agravamentos, mas também sem reduções expressivas - um orçamento de equilíbrio entre estabilidade e consolidação das finanças públicas.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

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