Finanças

Inflação em Portugal: o que esperar no final de 2025 e início de 2026 (e como proteger o seu orçamento)

7 minutos de leitura
Publicado a 22 Dezembro 2025
Demonstração da evolução da taxa de inflação com moedas

Portugal entra no último trimestre de 2025 com sinais de estabilização da inflação: a estimativa publicada recentemente pelo INE, aponta 2,4%, menos 0,4 pontos percentuais face aos 2,8% de agosto.

 

É uma boa notícia para as famílias, que sentiram nos últimos dois anos o peso do aumento do custo de vida. Ainda assim, é um momento que pede atenção. A inflação pode estar mais perto da meta do BCE, mas continua sensível à energia e ao custo dos serviços.

 

Vamos ver o que esperar até março de 2026 e, sobretudo, como proteger o seu orçamento e evitar possíveis riscos.

 

 

O que mudou até aqui (2025 em resumo)

A inflação não seguiu uma linha reta ao longo de 2025. Houve avanços, recuos e uma elevada dependência dos custos da energia:

  • Março: 1,9% (mínimo do ano)
  • Abril: inflação voltou a subir e ultrapassou os 2%
  • Julho: acelerou para 2,6%
  • Agosto: atingiu 2,8%
  • Setembro: recuou para 2,4%.

Estas oscilações refletem o que tem marcado o ano: energia mais cara em períodos de maior procura, serviços com preços persistentes e alimentos frescos que continuam sensíveis a condições climáticas e cadeias logísticas.

 

Para as famílias, isto traduziu-se num cenário conhecido: mesmo quando a inflação recua, os preços não voltam ao nível de antes. Ou seja, o custo de vida estabiliza, mas não “desce”.

 

 

Portugal vs. Zona Euro: último trimestre de 2025

De acordo com o portal de dados Eurostat, o Índice Harmonizado de Preços do Consumidor (IHPC) português ficou em 1,9%, enquanto a zona euro subiu ligeiramente para 2,2%. O que demonstra que Portugal está ligeiramente abaixo da média europeia neste indicador.

 

Subjacente, alimentos e energia

Inflação subjacente

 

Em Portugal, a inflação subjacente (exclui energia e alimentos não transformados) recuou de 2,4% em agosto para valores próximos de 2,0% em setembro. No agregado da zona euro, a subjacente tem permanecido perto de 2,3%–2,4% em 2025, espelhando moderação gradual nos serviços e bens.

 

Isto significa que os serviços estão finalmente a abrandar, o que é um bom sinal para a estabilidade em 2026.

 

Alimentos não transformados

 

Os frescos continuam a impactar fortemente em Portugal, com variações homólogas próximas de 7% no fim do verão. Na zona euro, o grupo alimentos, álcool e tabaco estava em 3,0% em setembro, sinal de pressão alimentar superior em Portugal.

 

Energia

 

Em agosto, os preços da energia em Portugal ficaram praticamente iguais aos do ano passado (cerca de -0,2%), o que ajudou a travar a inflação. Na zona euro, a energia também “pesou” menos em setembro (de -2,0% para -0,4%), por isso o efeito negativo foi menor. Ainda assim, no inverno a energia continua a ser o fator que mais pode fazer a inflação oscilar.

 

 

Expectativas para o 1.º trimestre de 2026

As projeções do Banco de Portugal apontam para inflação a estabilizar entre 1,8 e 2,0%, praticamente em sintonia com a meta do BCE.

 

As projeções do BCE para a área do euro apontam 2,1% em 2025 e 1,7% em 2026, com descida gradual da subjacente à medida que arrefecem salários e serviços. Se o cenário se confirmar, Portugal deverá manter-se em linha ou ligeiramente abaixo da média europeia no arranque de 2026.

 

 

Como isto impacta o seu bolso?

1. Energia: preparar a fatura do inverno

O IVA reduzido de 6% aplica-se aos primeiros 200 kWh/mês (300 kWh para famílias numerosas) para contratos até 6,9 kVA, em vigor desde 1 de janeiro de 2025 (de acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, possivelmente mantendo-se em 2026, salvo alteração no Orçamento de Estado de 2026.

 

2. Crédito habitação: estabilidade, mas atenção

Com a inflação a rondar 2%, o Banco Central Europeu pretende manter as taxas estáveis. Segundo as projeções do BCE publicadas em setembro de 2025, a inflação na área do euro deverá situar-se em 2,1% em 2025 e 1,7% em 2026. É uma boa altura para simular cenários de taxa fixa vs variável e ponderar amortizações parciais.

 

3. Compras do dia a dia

Os preços dos frescos continuam a ser o ponto mais sensível para as famílias. Mesmo com a inflação mais controlada, frutas, legumes e peixe mantêm variações mais intensas, sobretudo fora de época.

 

Como reduzir o impacto no orçamento:

  • Privilegie produtos da época para pagar menos
  • Dê preferência a marcas de distribuição quando a qualidade é equivalente
  • Planeie as refeições da semana antes de ir às compras
  • Compare preços entre supermercados (as diferenças podem ser grandes)
  • Aproveite promoções apenas em itens que já consome regularmente.

Pequenos ajustes consistentes ao longo do mês podem representar uma poupança significativa no final do trimestre.

 

4. Renda e contratos

Com a inflação a estabilizar perto dos 2%, os aumentos das rendas previstos para 2026 deverão ser menos expressivos do que nos anos anteriores. No entanto, tudo depende da cláusula de atualização prevista no contrato.

 

O que verificar:

  • Se a atualização anual está indexada ao coeficiente de atualização de renda publicado todos os anos
  • Se há limite de aumento anual ou se pode ser negociado diretamente entre as partes
  • Se existem obras ou melhorias previstas que possam justificar revisão de valor

Para quem tem arrendamento renovável:

  • Vale a pena falar com antecedência com o senhorio, sobretudo em contratos de longa duração
  • A previsibilidade da inflação facilita acordos mais estáveis para ambas as partes.

Em 2026, o contexto é favorável a renegociações equilibradas, não a aumentos bruscos.

 

5. Poupança e investimento

Com a inflação projetada entre 1,8% e 2,0%, o objetivo é simples: proteger o poder de compra e, se possível, ganhar terreno ao longo do ano.

 

Estratégias possíveis:

  • Certificados do Tesouro: podem oferecer rendimento próximo ou acima da inflação, dependendo da série em vigor
  • Depósitos a prazo com taxas atualizadas podem voltar a ser competitivos, sobretudo para horizontes curtos (6 a 12 meses)
  • PPR conservadores oferecem equilíbrio entre segurança e rendimento, sendo úteis para quem prefere estabilidade

Para quem admite algum risco, obrigações de empresas estáveis podem ser uma opção de médio prazo.

 

 

Impacto em empresas e investidores

A aproximação da inflação ao intervalo dos 2% traz algo raro nos últimos anos: previsibilidade. E isso muda decisões, tanto no lado das empresas como dos investidores.

 

Para empresas

Com preços mais estáveis, torna-se mais fácil:

  • Planear salários sem receio de perder competitividade ou agravar custos fixos
  • Definir preços de produtos e serviços com maior segurança, evitando aumentos bruscos que possam afastar clientes
  • Negociar contratos de fornecimento de energia, matérias-primas e logística com maior margem para obter melhores condições.

No entanto, o inverno continua a ser um período sensível devido à energia. Empresas com consumo elevado podem beneficiar de:

  • Auditorias de eficiência (redução de perdas e consumo desnecessário)
  • Contratos de energia com preços indexados revistos
  • Investimento em soluções de autoconsumo (painéis solares, por exemplo)

Quanto menor a exposição aos custos energéticos, maior a proteção contra novas oscilações da inflação.

 

Para investidores

A inflação estável perto dos 2% muda o perfil de risco:

  • Obrigações ganham atratividade, sobretudo títulos do Estado e dívida corporativa de empresas sólidas, já que a volatilidade tende a ser menor
  • Ações de empresas com margens estáveis (energia, telecomunicações, consumo básico) podem beneficiar de ciclos económicos mais previsíveis
  • Para quem investe a curto prazo, depósitos e produtos de taxa garantida voltam a ser alternativas válidas (desde que o retorno líquido supere a inflação).

2026 favorece horizontes de investimento de médio prazo, com mais equilíbrio entre segurança e rentabilidade.

 

 

O último trimestre de 2025 marca um ponto de viragem, com a inflação a diminuir de 2,8% (agosto) para 2,4% (setembro). No primeiro trimestre de 2026, espera-se que se mantenha a tendência e a inflação fique na casa dos 1,8% a 2,0%.

 

Isto significa que entramos em 2026 com um cenário mais estável. É importante privilegiar soluções cujo retorno líquido supere a inflação, para proteger o poder de compra e começar o ano com o orçamento mais resiliente.

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