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Portugal entra no último trimestre de 2025 com sinais de estabilização da inflação: a estimativa publicada recentemente pelo INE, aponta 2,4%, menos 0,4 pontos percentuais face aos 2,8% de agosto.
É uma boa notícia para as famílias, que sentiram nos últimos dois anos o peso do aumento do custo de vida. Ainda assim, é um momento que pede atenção. A inflação pode estar mais perto da meta do BCE, mas continua sensível à energia e ao custo dos serviços.
Vamos ver o que esperar até março de 2026 e, sobretudo, como proteger o seu orçamento e evitar possíveis riscos.
A inflação não seguiu uma linha reta ao longo de 2025. Houve avanços, recuos e uma elevada dependência dos custos da energia:
Estas oscilações refletem o que tem marcado o ano: energia mais cara em períodos de maior procura, serviços com preços persistentes e alimentos frescos que continuam sensíveis a condições climáticas e cadeias logísticas.
Para as famílias, isto traduziu-se num cenário conhecido: mesmo quando a inflação recua, os preços não voltam ao nível de antes. Ou seja, o custo de vida estabiliza, mas não “desce”.
De acordo com o portal de dados Eurostat, o Índice Harmonizado de Preços do Consumidor (IHPC) português ficou em 1,9%, enquanto a zona euro subiu ligeiramente para 2,2%. O que demonstra que Portugal está ligeiramente abaixo da média europeia neste indicador.
Inflação subjacente
Em Portugal, a inflação subjacente (exclui energia e alimentos não transformados) recuou de 2,4% em agosto para valores próximos de 2,0% em setembro. No agregado da zona euro, a subjacente tem permanecido perto de 2,3%–2,4% em 2025, espelhando moderação gradual nos serviços e bens.
Isto significa que os serviços estão finalmente a abrandar, o que é um bom sinal para a estabilidade em 2026.
Alimentos não transformados
Os frescos continuam a impactar fortemente em Portugal, com variações homólogas próximas de 7% no fim do verão. Na zona euro, o grupo alimentos, álcool e tabaco estava em 3,0% em setembro, sinal de pressão alimentar superior em Portugal.
Energia
Em agosto, os preços da energia em Portugal ficaram praticamente iguais aos do ano passado (cerca de -0,2%), o que ajudou a travar a inflação. Na zona euro, a energia também “pesou” menos em setembro (de -2,0% para -0,4%), por isso o efeito negativo foi menor. Ainda assim, no inverno a energia continua a ser o fator que mais pode fazer a inflação oscilar.
As projeções do Banco de Portugal apontam para inflação a estabilizar entre 1,8 e 2,0%, praticamente em sintonia com a meta do BCE.
As projeções do BCE para a área do euro apontam 2,1% em 2025 e 1,7% em 2026, com descida gradual da subjacente à medida que arrefecem salários e serviços. Se o cenário se confirmar, Portugal deverá manter-se em linha ou ligeiramente abaixo da média europeia no arranque de 2026.
O IVA reduzido de 6% aplica-se aos primeiros 200 kWh/mês (300 kWh para famílias numerosas) para contratos até 6,9 kVA, em vigor desde 1 de janeiro de 2025 (de acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, possivelmente mantendo-se em 2026, salvo alteração no Orçamento de Estado de 2026.
Com a inflação a rondar 2%, o Banco Central Europeu pretende manter as taxas estáveis. Segundo as projeções do BCE publicadas em setembro de 2025, a inflação na área do euro deverá situar-se em 2,1% em 2025 e 1,7% em 2026. É uma boa altura para simular cenários de taxa fixa vs variável e ponderar amortizações parciais.
Os preços dos frescos continuam a ser o ponto mais sensível para as famílias. Mesmo com a inflação mais controlada, frutas, legumes e peixe mantêm variações mais intensas, sobretudo fora de época.
Como reduzir o impacto no orçamento:
Pequenos ajustes consistentes ao longo do mês podem representar uma poupança significativa no final do trimestre.
Com a inflação a estabilizar perto dos 2%, os aumentos das rendas previstos para 2026 deverão ser menos expressivos do que nos anos anteriores. No entanto, tudo depende da cláusula de atualização prevista no contrato.
O que verificar:
Para quem tem arrendamento renovável:
Em 2026, o contexto é favorável a renegociações equilibradas, não a aumentos bruscos.
Com a inflação projetada entre 1,8% e 2,0%, o objetivo é simples: proteger o poder de compra e, se possível, ganhar terreno ao longo do ano.
Estratégias possíveis:
Para quem admite algum risco, obrigações de empresas estáveis podem ser uma opção de médio prazo.
A aproximação da inflação ao intervalo dos 2% traz algo raro nos últimos anos: previsibilidade. E isso muda decisões, tanto no lado das empresas como dos investidores.
Com preços mais estáveis, torna-se mais fácil:
No entanto, o inverno continua a ser um período sensível devido à energia. Empresas com consumo elevado podem beneficiar de:
Quanto menor a exposição aos custos energéticos, maior a proteção contra novas oscilações da inflação.
A inflação estável perto dos 2% muda o perfil de risco:
2026 favorece horizontes de investimento de médio prazo, com mais equilíbrio entre segurança e rentabilidade.
O último trimestre de 2025 marca um ponto de viragem, com a inflação a diminuir de 2,8% (agosto) para 2,4% (setembro). No primeiro trimestre de 2026, espera-se que se mantenha a tendência e a inflação fique na casa dos 1,8% a 2,0%.
Isto significa que entramos em 2026 com um cenário mais estável. É importante privilegiar soluções cujo retorno líquido supere a inflação, para proteger o poder de compra e começar o ano com o orçamento mais resiliente.
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