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Não existe uma taxa perfeita para todos, e entender as diferenças pode ajudar a escolher a que mais se adequa a si. A taxa variável acompanha a Euribor; a taxa fixa garante sempre a mesma prestação (mas começa mais cara); a taxa mista é fixa nos primeiros anos e variável depois.
Em 2026, com o BCE a subir os juros e a Euribor a 6 meses perto dos 3%, esta decisão pesa mais. Explicamos como funciona cada taxa, quanto custa hoje e como escolher a sua.
O que distingue as três modalidades é se a taxa de juro pode mudar ao longo do contrato e a partir de quando. Para facilitar a comparação, nos créditos para aquisição ou construção de habitação própria permanente, o banco tem de incluir na Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE) uma simulação para cada modalidade e apresentar a proposta no regime que escolher. Esta regra está no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 74-A/2017, de 23 de junho, na redação dada pelo Decreto-Lei n.º 20-B/2023, de 22 de março.
Na taxa variável, a taxa de juro resulta de uma soma simples:
Taxa de juro = indexante (normalmente a Euribor) + spread
Em regra, o spread mantém-se; o que muda é a Euribor. E não muda todos os meses: o banco só pode rever o indexante com a periodicidade do respetivo prazo. Se o seu contrato estiver indexado à Euribor a 6 meses, a taxa é revista de seis em seis meses.
Um pormenor útil: o valor aplicado não é o da Euribor no dia da revisão, mas a média das cotações diárias do mês anterior. Por exemplo, num crédito com Euribor a 3 meses contratado em abril, a taxa dos meses de maio, junho e julho é calculada com a média da Euribor a 3 meses de março.
A taxa é definida no início e não muda durante todo o empréstimo. Mas há um pormenor a ter em conta: essa segurança tem um preço. Como o banco assume o risco de manter a taxa durante muitos anos, a taxa fixa costuma começar mais alta do que a variável. Em agosto de 2026, a taxa média dos novos créditos à habitação própria permanente foi de 3,83% na fixa e de 3,23% na variável, segundo o Banco de Portugal. A fixa representou apenas 2,60% do montante dos novos empréstimos nesse mês.
Na taxa mista, o contrato tem duas fases:
Em Portugal, o período fixo ronda os dois anos (prazo mediano), por isso a proteção cobre só o início do empréstimo. Antes de concluir se a taxa mista compensa no seu caso, confirme na FINE quanto tempo dura a taxa fixa.
| Taxa variável | Taxa fixa | Taxa mista | |
|---|---|---|---|
| Como funciona | Euribor + spread, revista a cada 3, 6 ou 12 meses | Taxa igual durante todo o contrato | Taxa fixa no período inicial; depois, Euribor + spread |
| Taxa média nos novos créditos (agosto de 2026) | 3,23% | cerca de 3,8% | 2,86% |
| Previsibilidade da prestação | Baixa | Total | Total no período fixo, baixa depois |
| Se a Euribor subir | A prestação sobe na revisão seguinte | Não muda | Não muda no período fixo; sobe depois |
| Se a Euribor descer | A prestação desce | Não beneficia | Só beneficia depois do período fixo |
| Comissão máxima por reembolso antecipado | 0,5% do capital reembolsado | 0,5% do capital reembolsado | 2% no período fixo; 0,5% no período variável |
| Principal vantagem | Aproveita as descidas dos juros e tem a comissão de reembolso antecipado mais baixa | Estabilidade total do orçamento | Proteção nos primeiros anos, atualmente com a taxa média mais baixa |
| Principal desvantagem | Exposição total às subidas | Custo inicial mais alto e não aproveita descidas | Proteção curta e incerteza no momento da passagem a variável |
Médias do Banco de Portugal, não propostas: a taxa que lhe oferecerem depende do seu perfil e do banco.
Desde dezembro de 2022, a taxa média da mista tem ficado sempre abaixo da variável, o que ajuda a explicar a sua popularidade. Seja qual for a modalidade, compare propostas pela TAEG, que, ao contrário da TAN, inclui comissões, seguros e outros encargos.
Em 2026, o BCE voltou a subir as taxas de juro, em junho e em setembro, e a Euribor acompanhou. A 21 de outubro, estava nos 2,670% a 3 meses, nos 3,030% a 6 meses e nos 3,263% a 12 meses. A Euribor a 6 meses é a mais usada: em agosto, servia de indexante a 40,20% do montante dos créditos com taxa variável.
Uma subida só chega à sua prestação na próxima data de revisão. Com a Euribor a 3 meses, sente-a mais depressa; a 12 meses, mais tarde, mas de uma só vez.
Quanto pesa, em euros? Num empréstimo de 150.000 euros a 30 anos, a 3,23% (a taxa média dos novos créditos com taxa variável em agosto de 2026), a prestação ronda os 651,16 euros. Cada subida de 0,5 pontos percentuais soma cerca de 42 euros por mês, e uma de 1 ponto, cerca de 85 euros. Pode fazer as contas ao seu caso com a fórmula de cálculo da prestação do crédito habitação.
Na taxa fixa e no período fixo da mista, a Euribor não mexe na prestação. Conta, no entanto, para a aprovação: com as novas regras do crédito habitação, o Banco de Portugal recomenda que a taxa de esforço não ultrapasse 45% do rendimento líquido, calculada com um aumento hipotético dos juros.
Antes de olhar para a taxa mais baixa, responda com honestidade a quatro perguntas:
Com as respostas, os perfis ficam mais claros:
Antes de decidir, peça a FINE a mais do que um banco e analise cada simulação de crédito habitação com os mesmos critérios: TAEG, prazo, spread e duração do período fixo.
Sim. A escolha que faz hoje não é definitiva, mas mudar também não é automático nem gratuito em todos os casos. Há dois caminhos.
1. Renegociar com o seu banco
Pode renegociar o crédito habitação com o seu banco para alterar o regime de taxa de juro (de variável para fixa ou mista, ou o contrário), o spread, o prazo do indexante ou o prazo do empréstimo. As regras essenciais:
2. Transferir o crédito para outro banco
Transferir o crédito habitação implica reembolsar todo o empréstimo ao banco atual. A comissão máxima é de 0,5% do capital em período de taxa variável e de 2% em período de taxa fixa, mais imposto do selo (artigo 23.º do Decreto-Lei n.º 74-A/2017, de 23 de junho).
Atenção: a suspensão temporária desta comissão nos créditos em período de taxa variável terminou a 31 de dezembro de 2025. Desde janeiro de 2026, o limite de 0,5% voltou a aplicar-se.
O fim do período fixo é o melhor momento para decidir se compensa mais transferir ou renegociar: a prestação passa a depender da Euribor e a comissão máxima desce de 2% para 0,5%. Segundo o Banco de Portugal, cerca de 20% dos contratos mistos de 2023 que tinham passado a taxa variável até março de 2026 foram renegociados perto da data de transição. Consulte no contrato essa data e comece a comparar propostas com alguns meses de antecedência.
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