Finanças

Taxa fixa, mista ou variável: qual a melhor opção para si?

8 minutos de leitura
Publicado a 26 outubro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Senhora sentada a fazer contas na calculadora enquanto analisa documentos

Não existe uma taxa perfeita para todos, e entender as diferenças pode ajudar a escolher a que mais se adequa a si. A taxa variável acompanha a Euribor; a taxa fixa garante sempre a mesma prestação (mas começa mais cara); a taxa mista é fixa nos primeiros anos e variável depois. 

 

Em 2026, com o BCE a subir os juros e a Euribor a 6 meses perto dos 3%, esta decisão pesa mais. Explicamos como funciona cada taxa, quanto custa hoje e como escolher a sua.

 

 

Taxa fixa, mista e variável: o que significam

O que distingue as três modalidades é se a taxa de juro pode mudar ao longo do contrato e a partir de quando. Para facilitar a comparação, nos créditos para aquisição ou construção de habitação própria permanente, o banco tem de incluir na Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE) uma simulação para cada modalidade e apresentar a proposta no regime que escolher. Esta regra está no artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 74-A/2017, de 23 de junho, na redação dada pelo Decreto-Lei n.º 20-B/2023, de 22 de março.

 

Taxa variável indexada à Euribor

Na taxa variável, a taxa de juro resulta de uma soma simples:

 

Taxa de juro = indexante (normalmente a Euribor) + spread

  • Indexante: é a taxa de referência. Em Portugal é, geralmente, a Euribor, com prazos de 3, 6 ou 12 meses
  • Spread: é a margem do banco. Ao contrário da Euribor, o spread do crédito habitação é definido para cada contrato, tendo em conta o seu risco de crédito, a relação entre o valor do empréstimo e o valor da casa e o custo de financiamento do banco.

 

Em regra, o spread mantém-se; o que muda é a Euribor. E não muda todos os meses: o banco só pode rever o indexante com a periodicidade do respetivo prazo. Se o seu contrato estiver indexado à Euribor a 6 meses, a taxa é revista de seis em seis meses.

 

Um pormenor útil: o valor aplicado não é o da Euribor no dia da revisão, mas a média das cotações diárias do mês anterior. Por exemplo, num crédito com Euribor a 3 meses contratado em abril, a taxa dos meses de maio, junho e julho é calculada com a média da Euribor a 3 meses de março.

 

Taxa fixa

A taxa é definida no início e não muda durante todo o empréstimo. Mas há um pormenor a ter em conta: essa segurança tem um preço. Como o banco assume o risco de manter a taxa durante muitos anos, a taxa fixa costuma começar mais alta do que a variável. Em agosto de 2026, a taxa média dos novos créditos à habitação própria permanente foi de 3,83% na fixa e de 3,23% na variável, segundo o Banco de Portugal. A fixa representou apenas 2,60% do montante dos novos empréstimos nesse mês.

 

Taxa mista (fixa + variável)

Na taxa mista, o contrato tem duas fases:

  1. Um período inicial com taxa fixa, em que a prestação não se altera
  2. Um período seguinte com taxa variável (Euribor + spread).

 

Em Portugal, o período fixo ronda os dois anos (prazo mediano), por isso a proteção cobre só o início do empréstimo. Antes de concluir se a taxa mista compensa no seu caso, confirme na FINE quanto tempo dura a taxa fixa.

Tabelo explicativa das vantagens e desvantagens de cada tipo de taxa
 Taxa variávelTaxa fixaTaxa mista
Como funcionaEuribor + spread, revista a cada 3, 6 ou 12 mesesTaxa igual durante todo o contratoTaxa fixa no período inicial; depois, Euribor + spread
Taxa média nos novos créditos (agosto de 2026)3,23%cerca de 3,8%2,86%
Previsibilidade da prestaçãoBaixaTotalTotal no período fixo, baixa depois
Se a Euribor subirA prestação sobe na revisão seguinteNão mudaNão muda no período fixo; sobe depois
Se a Euribor descerA prestação desceNão beneficiaSó beneficia depois do período fixo
Comissão máxima por reembolso antecipado0,5% do capital reembolsado0,5% do capital reembolsado2% no período fixo; 0,5% no período variável
Principal vantagemAproveita as descidas dos juros e tem a comissão de reembolso antecipado mais baixaEstabilidade total do orçamentoProteção nos primeiros anos, atualmente com a taxa média mais baixa
Principal desvantagemExposição total às subidasCusto inicial mais alto e não aproveita descidasProteção curta e incerteza no momento da passagem a variável

Médias do Banco de Portugal, não propostas: a taxa que lhe oferecerem depende do seu perfil e do banco.

 

Desde dezembro de 2022, a taxa média da mista tem ficado sempre abaixo da variável, o que ajuda a explicar a sua popularidade. Seja qual for a modalidade, compare propostas pela TAEG, que, ao contrário da TAN, inclui comissões, seguros e outros encargos.

 

 

Como a Euribor influencia a prestação

Em 2026, o BCE voltou a subir as taxas de juro, em junho e em setembro, e a Euribor acompanhou. A 21 de outubro, estava nos 2,670% a 3 meses, nos 3,030% a 6 meses e nos 3,263% a 12 meses. A Euribor a 6 meses é a mais usada: em agosto, servia de indexante a 40,20% do montante dos créditos com taxa variável.

 

Uma subida só chega à sua prestação na próxima data de revisão. Com a Euribor a 3 meses, sente-a mais depressa; a 12 meses, mais tarde, mas de uma só vez.

 

Quanto pesa, em euros? Num empréstimo de 150.000 euros a 30 anos, a 3,23% (a taxa média dos novos créditos com taxa variável em agosto de 2026), a prestação ronda os 651,16 euros. Cada subida de 0,5 pontos percentuais soma cerca de 42 euros por mês, e uma de 1 ponto, cerca de 85 euros. Pode fazer as contas ao seu caso com a fórmula de cálculo da prestação do crédito habitação.

 

Na taxa fixa e no período fixo da mista, a Euribor não mexe na prestação. Conta, no entanto, para a aprovação: com as novas regras do crédito habitação, o Banco de Portugal recomenda que a taxa de esforço não ultrapasse 45% do rendimento líquido, calculada com um aumento hipotético dos juros.

 

 

Qual taxa escolher consoante o seu perfil

Antes de olhar para a taxa mais baixa, responda com honestidade a quatro perguntas:

  1. Quanto pode a prestação subir sem pôr em causa o orçamento? Como referência, num crédito de 150.000 euros a 30 anos, uma subida de 1 ponto percentual custa cerca de 85 euros por mês
  2. Durante quanto tempo pretende manter esta casa e este crédito?
  3. Conta amortizar parte do empréstimo com poupanças ou prémios?
  4. Os seus rendimentos tendem a subir, a manter-se ou a descer (por exemplo, com a reforma) durante o prazo do empréstimo?

 

Com as respostas, os perfis ficam mais claros:

  • Orçamento justo e rendimentos estáveis: a previsibilidade vale mais do que a poupança inicial. A taxa fixa ou uma taxa mista com um período fixo mais longo reduzem o risco de uma subida que não consegue acomodar
  • Folga no orçamento e intenção de amortizar: a taxa variável tende a encaixar melhor. Aproveita as descidas dos juros e a comissão máxima por reembolso antecipado é de 0,5%, contra 2% na taxa fixa
  • Quer uma prestação mais baixa nos primeiros anos: a taxa mista é, hoje, a opção com a taxa média mais baixa. Faz sentido se tiver um plano para a passagem a variável, seja renegociar, transferir ou ter margem para uma prestação mais alta
  • Pode vender a casa ou transferir o crédito dentro de poucos anos: tenha cuidado com um período fixo longo. Se sair durante a fase fixa, a comissão pode chegar a 2% do capital reembolsado.

 

Antes de decidir, peça a FINE a mais do que um banco e analise cada simulação de crédito habitação com os mesmos critérios: TAEG, prazo, spread e duração do período fixo.

 

 

É possível mudar de taxa depois de contratar o crédito?

Sim. A escolha que faz hoje não é definitiva, mas mudar também não é automático nem gratuito em todos os casos. Há dois caminhos.

 

1. Renegociar com o seu banco

Pode renegociar o crédito habitação com o seu banco para alterar o regime de taxa de juro (de variável para fixa ou mista, ou o contrário), o spread, o prazo do indexante ou o prazo do empréstimo. As regras essenciais:

  • A alteração só acontece se houver acordo entre si e o banco. O banco não é obrigado a aceitar
  • O banco não pode cobrar comissões pela análise da renegociação (artigo 25.º do Decreto-Lei n.º 74-A/2017, de 23 de junho)
  • O banco não pode fazer depender a renegociação da compra de outros produtos ou serviços financeiros.

 

2. Transferir o crédito para outro banco

Transferir o crédito habitação implica reembolsar todo o empréstimo ao banco atual. A comissão máxima é de 0,5% do capital em período de taxa variável e de 2% em período de taxa fixa, mais imposto do selo (artigo 23.º do Decreto-Lei n.º 74-A/2017, de 23 de junho). 

 

Atenção: a suspensão temporária desta comissão nos créditos em período de taxa variável terminou a 31 de dezembro de 2025. Desde janeiro de 2026, o limite de 0,5% voltou a aplicar-se.

 

Tem taxa mista? Prepare o fim do período fixo

O fim do período fixo é o melhor momento para decidir se compensa mais transferir ou renegociar: a prestação passa a depender da Euribor e a comissão máxima desce de 2% para 0,5%. Segundo o Banco de Portugal, cerca de 20% dos contratos mistos de 2023 que tinham passado a taxa variável até março de 2026 foram renegociados perto da data de transição. Consulte no contrato essa data e comece a comparar propostas com alguns meses de antecedência.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.
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