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A utilização da inteligência artificial na gestão financeira já é uma realidade em vários mercados. Segundo o Global Banking Annual Review 2025, da McKinsey, 51% dos mais de 30.000 consumidores inquiridos em sete países utilizavam ferramentas de IA generativa e 23% recorriam-lhes para atividades bancárias ou financeiras. Compreender produtos financeiros, procurar informação sobre investimentos e comparar bancos estavam entre as utilizações mais frequentes
A inteligência artificial permite automatizar algumas tarefas da gestão financeira, como categorizar movimentos, resumir despesas, criar orçamentos ou comparar produtos.
Também consegue analisar grandes volumes de informação e identificar padrões que podem passar despercebidos numa análise manual.
Ainda assim, os resultados dependem dos dados fornecidos. Se estiverem incompletos ou desatualizados, as conclusões podem ser incorretas. Além disso, algumas funcionalidades apresentadas como IA limitam-se a aplicar regras automáticas simples.
As ferramentas disponíveis não funcionam todas da mesma forma. Algumas estão integradas nas aplicações dos bancos, outras pertencem a plataformas especializadas e outras são assistentes generalistas, como o ChatGPT.
A escolha deve depender da tarefa que pretende realizar e do tipo de informação a que a ferramenta terá acesso.
Uma das aplicações mais comuns da IA para gerir finanças é a análise dos gastos mensais.
Algumas apps de IA para controlar gastos conseguem:
Também pode utilizar um assistente de IA sem o ligar à conta bancária. Basta fornecer uma lista anonimizada de rendimentos e despesas e pedir ajuda para organizar o orçamento.
Por exemplo:
Tenho um rendimento líquido de 1.500 euros, 700 euros de despesas fixas e cerca de 400 euros de despesas variáveis. Cria um orçamento mensal e apresenta três possibilidades de poupança.
Confirme sempre os cálculos e inclua despesas menos frequentes, como seguros, impostos ou manutenção da casa.
A IA também pode encontrar padrões repetidos nos movimentos financeiros.
Uma aplicação pode, por exemplo, identificar várias mensalidades de plataformas digitais ou detetar que uma determinada despesa aumentou durante vários meses consecutivos.
Isso não significa que todas essas despesas devam ser eliminadas. A ferramenta apenas ajuda a reuni-las e a medir o respetivo impacto no orçamento.
Pode pedir à IA que:
Por exemplo, uma despesa mensal de 20 euros representa 240 euros ao longo de um ano. A IA pode fazer rapidamente este tipo de simulação, mas a decisão de manter ou eliminar o serviço deve continuar a considerar a sua utilidade.
Criar um fundo de emergência, pagar uma dívida ou juntar dinheiro para uma viagem são objetivos que podem ser transformados em planos mensais.
Depois de indicar o valor pretendido, o prazo e a capacidade mensal de poupança, a IA pode apresentar diferentes cenários.
Imagine que pretende juntar 3.000 euros em 18 meses. A ferramenta pode calcular quanto teria de reservar mensalmente, mostrar o efeito de começar com um montante já poupado e simular o que acontece se houver um mês em que não consiga fazer a transferência prevista.
Estas projeções não garantem que o objetivo será alcançado. Servem para perceber se o prazo é realista e que margem existe para acomodar imprevistos.
A inteligência artificial pode ajudar a organizar informações sobre contas bancárias, depósitos, créditos, seguros ou outros produtos.
Em vez de perguntar apenas “qual é a melhor proposta?”, peça uma comparação baseada em critérios concretos, como:
Pode ainda pedir que a informação seja apresentada numa tabela ou que determinados conceitos sejam explicados em linguagem mais simples.
Contudo, a comparação deve ser feita com base nos documentos atuais fornecidos pelas instituições. No crédito à habitação, por exemplo, deve confirmar os dados na Ficha de Informação Normalizada Europeia. Noutros produtos bancários, consulte a informação pré-contratual, o preçário e as condições gerais aplicáveis.
A IA não deve preencher lacunas com valores presumidos nem substituir a leitura desses documentos.
O ChatGPT e outros assistentes generalistas podem ser úteis para explicar conceitos como Euribor, TAN, TAEG, juros compostos, capitalização, diversificação ou perfil de risco.
Também pode pedir exemplos adaptados ao seu nível de conhecimento:
A vantagem está na possibilidade de fazer perguntas adicionais até o tema ficar mais claro. Ainda assim, confirme informação legal, fiscal ou contratual em fontes oficiais, sobretudo quando as regras ou os valores possam ter sido alterados.
A IA pode explicar produtos, reunir informação e ajudar a preparar perguntas, mas não deve ser a única base para investir. As ferramentas generalistas podem apresentar informação incorreta, incompleta ou desatualizada e não estão sujeitas às mesmas obrigações de uma entidade financeira autorizada.
Os robo-advisors utilizam dados sobre os objetivos e o perfil de risco do cliente para propor ou gerir carteiras. Quando prestam consultoria para investimento ou gestão de carteiras, devem cumprir as regras aplicáveis, incluindo a avaliação da adequação do serviço ao cliente.
Antes de aderir, confirme se a entidade está autorizada ou registada junto da CMVM ou de outra autoridade competente da União Europeia.
Os bancos e outros prestadores financeiros podem utilizar sistemas de inteligência artificial para identificar operações que se afastam do comportamento normal de um cliente.
Um pagamento efetuado num país diferente, várias tentativas consecutivas ou uma transferência de valor pouco habitual podem originar um alerta ou uma verificação adicional.
Estes sistemas ajudam a detetar possíveis fraudes, mas não impedem todas as operações não autorizadas. O cliente deve continuar a verificar regularmente os movimentos, proteger as credenciais de acesso e contactar de imediato a instituição quando identificar algo suspeito.
A inteligência artificial pode ser útil mesmo para quem já utiliza um orçamento ou acompanha regularmente os movimentos bancários.
Entre as principais vantagens encontram-se:
A utilidade da IA não está, portanto, em entregar o controlo total do dinheiro a um sistema automático. Está em reduzir o tempo dedicado a tarefas mecânicas e melhorar a informação disponível para decidir.
A facilidade de utilização pode levar a uma confiança excessiva nos resultados. Antes de seguir uma recomendação, confirme como foi produzida, que dados foram utilizados e se a informação está atualizada.
Quanto maior for o impacto financeiro da decisão, maior deve ser o cuidado na validação dos dados, das fontes e da entidade responsável pela ferramenta.
Não precisa de dar acesso às suas contas nem de automatizar todas as decisões. Pode começar por uma tarefa simples e sem partilhar dados sensíveis.
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