Finanças

Como analisar uma simulação de crédito habitação e escolher a melhor proposta

3 minutos de leitura
Atualizado a 7 setembro 2026
Escrito por Rute Ferreira
Mulher e homem a analisar um documento em papel. Na mesa têm cadernos e dispositivos eletrónicos.

A prestação mensal é apenas um dos elementos a considerar numa proposta de crédito habitação. O prazo, o tipo de taxa, os seguros e os produtos associados também influenciam o valor que irá pagar.

 

Antes de tomar uma decisão, consulte a FINE e compare propostas com condições semelhantes. Explicamos-lhe a que deve estar atento.

 

 

O que é uma simulação de crédito habitação?

Uma simulação apresenta uma estimativa das condições do empréstimo com base nas informações fornecidas, como o valor do imóvel, o montante pretendido, o prazo e os rendimentos do agregado familiar.

 

Permite perceber se o crédito se enquadra no seu orçamento, mas não significa que tenha sido aprovado. A decisão depende da avaliação da sua solvabilidade, da análise da documentação e, entre outros elementos, da avaliação do imóvel.

 

Sempre que é feita uma simulação, a instituição ou o intermediário de crédito deve disponibilizar uma Ficha de Informação Normalizada Europeia, conhecida como FINE. Este documento reúne informação sobre o montante, a taxa de juro, a prestação, a TAEG, o MTIC, os seguros, as comissões e os produtos associados.

 

Se o empréstimo for aprovado, recebe uma nova FINE com as condições efetivamente aprovadas e a minuta do contrato.

 

 

Como analisar uma simulação de crédito habitação?

Comece por confirmar se a simulação corresponde ao valor de que necessita e se as condições apresentadas podem ser mantidas ao longo do tempo.

 

Montante financiado e entrada inicial

O rácio entre o montante do empréstimo e o valor do imóvel é designado por LTV, sigla de loan-to-value.

 

Como regra geral, o Banco de Portugal recomenda que o financiamento não ultrapasse:

  • 90% do valor do imóvel, quando se destina a habitação própria e permanente;
  • 80% nas restantes finalidades.

Para este cálculo considera-se o menor valor entre o preço de compra e a avaliação. Se uma casa custar 200 mil euros, mas for avaliada em 190 mil euros, a percentagem de financiamento será calculada sobre os 190 mil euros.

 

Estes limites são recomendações dirigidas às instituições e não significam que o banco seja obrigado a financiar essa percentagem. Pode aprovar um montante inferior ou recusar o crédito após avaliar a situação do cliente.

 

Em 2026, os jovens elegíveis para a garantia pública podem obter um financiamento entre 85% e 100% do valor da primeira habitação própria e permanente, em contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026. O acesso depende do cumprimento das condições do regime e não dispensa a aprovação do crédito pela instituição. 

 

Prazo do crédito

Um prazo mais longo reduz normalmente a prestação mensal, mas prolonga o pagamento de juros. Um prazo mais curto aumenta a prestação, embora possa diminuir o custo total do empréstimo.

 

Nas avaliações de solvabilidade realizadas desde 1 de agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda que o prazo não ultrapasse:

  • 40 anos, quando o mutuário tem até 35 anos
  • 35 anos, quando o mutuário tem mais de 35 anos.

Se existirem vários mutuários, considera-se a idade do mais velho. A instituição pode, ainda assim, definir um prazo inferior.

 

Analise a prestação, mas confirme também se o prazo escolhido é compatível com os seus objetivos e com a idade que terá no final do contrato.

 

Atenção ao limite exato: quem já completou 35 anos, ainda que há apenas um dia, deixa de poder aceder ao prazo de 40 anos e fica sujeito ao máximo de 35 anos. Considere o seguinte exemplo: um cliente que complete 35 anos a 10 de março ainda pode obter um prazo de até 40 anos se a avaliação de solvabilidade ocorrer nesse dia. A partir de 11 de março, passa a ter mais de 35 anos e o prazo máximo recomendado desce para 35 anos.

 

Taxa de juro e prestação mensal

O crédito habitação pode ter três tipos de taxa:

  • Fixa: mantém-se durante o período acordado, tornando a prestação de capital e juros mais previsível
  • Variável: resulta geralmente da soma do spread com um indexante, como a Euribor, e é revista periodicamente
  • Mista: começa com uma taxa fixa e passa depois para uma taxa variável.

Na FINE, confirme a TAN e, nas taxas variáveis ou mistas, o spread, o prazo da Euribor e a frequência de revisão. Verifique também quanto tempo dura uma eventual taxa inicial e quais serão as condições aplicadas posteriormente.

 

Avalie ainda se a prestação cabe no orçamento familiar. Desde 1 de agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda que o rácio DSTI, que relaciona as prestações dos créditos com o rendimento líquido, não ultrapasse 45%. Este limite admite algumas exceções e não garante a aprovação do empréstimo.

 

TAEG e MTIC

A TAEG representa o custo anual global do crédito. Inclui juros e outros encargos, como comissões, determinados impostos, seguros exigidos e custos de uma conta necessária para gerir o empréstimo.

 

É um dos principais indicadores para comparar propostas com o mesmo prazo e modalidade de reembolso. Contudo, não inclui, por exemplo, as comissões de reembolso antecipado, os custos notariais ou os encargos por incumprimento.

 

O MTIC corresponde ao capital emprestado acrescido dos juros e restantes custos considerados. Nos créditos com taxa variável ou mista, é uma estimativa: se as taxas ou os encargos mudarem, o valor final também poderá ser diferente.

Seguros, comissões e produtos associados

Confirme que seguros são exigidos, quanto custam e se os prémios podem aumentar ao longo do contrato.

 

O seguro de vida não é obrigatório por lei, embora possa ser exigido pela instituição. Nos edifícios em propriedade horizontal, é obrigatório o seguro contra incêndio. Pode contratar os seguros noutra entidade, desde que ofereçam uma proteção equivalente, mas deve verificar se essa escolha altera o spread.

 

Analise também as comissões. A instituição só pode cobrar uma comissão pela análise e decisão do pedido, além dos custos relacionados com a avaliação do imóvel.

 

Cartões, domiciliação de rendimentos ou outros serviços podem dar acesso a um spread reduzido. Estes produtos são facultativos, pelo que deve comparar a poupança obtida com o respetivo custo.

 

Amortização e condições futuras

O crédito habitação pode ser amortizado total ou parcialmente antes do fim do prazo.

 

A comissão máxima de reembolso antecipado corresponde a:

  • 0,5% do capital amortizado, durante um período de taxa variável
  • 2% do capital amortizado, durante um período de taxa fixa.

Estes são limites máximos. O contrato pode prever uma comissão inferior ou mesmo a sua isenção. Também não há lugar ao pagamento desta comissão quando a amortização é motivada pela morte, desemprego ou deslocação profissional de um dos titulares.

  • Antes de escolher, confirme ainda:
  • O que acontece após uma taxa fixa ou promoção temporária
  • Quanto aumenta o spread se cancelar produtos associados
  • Que custos terá se amortizar ou transferir o crédito
  • Se existem condições que dependem da manutenção de determinados produtos.

 

Como comparar propostas de crédito habitação?

Para que a comparação seja útil, peça simulações com o mesmo montante, prazo e tipo de taxa. Uma prestação mais baixa pode resultar apenas de um prazo superior ou de condições promocionais temporárias.

 

Ao comparar, tenha em conta:

  1. A TAEG e o MTIC
  2. A prestação inicial e a prestação prevista após o período fixo ou promocional
  3. O custo dos seguros
  4. As comissões e despesas iniciais
  5. Os produtos necessários para manter o spread reduzido
  6. A capacidade do orçamento para suportar uma eventual subida da prestação.

Pode organizar a informação num quadro simples:

 

Tabela explicativa dos elementos a comprar em duas simulações de crédito habitação
ElementoProposta AProposta B
Montante financiado  
Prazo  
Tipo de taxa  
TAN e spread  
Prestação inicial  
Prestação futura estimada  
TAEG  
MTIC  
Seguros e produtos associados  
Custos iniciais  

 

A proposta mais adequada não é necessariamente a que apresenta o spread ou a prestação inicial mais baixos. O custo global e as condições que podem mudar ao longo do contrato também devem pesar na decisão.

 

 

O que acontece depois de o crédito ser aprovado?

Quando o empréstimo é aprovado, a instituição entrega uma FINE com as condições aprovadas e a minuta do contrato.

 

A instituição fica vinculada a essas condições durante, pelo menos, 30 dias. Durante os primeiros sete dias após a apresentação da proposta, o cliente não pode aceitá-la, uma vez que existe um período mínimo e obrigatório de reflexão.

 

Estes prazos permitem analisar a documentação, comparar propostas e esclarecer dúvidas antes de assinar.

 

 

Checklist antes de escolher uma proposta

Antes de tomar uma decisão, confirme:

O montante cobre o valor de que necessita?

A prestação cabe no orçamento com alguma margem?

As propostas têm o mesmo prazo e tipo de taxa?

Sabe quanto pagará depois do período inicial?

  • Comparou a TAEG e o MTIC?
  • Somou o custo dos seguros e dos produtos associados?
  • Sabe o que acontece se deixar de manter esses produtos?
  • Conhece as condições para amortizar ou transferir o crédito?

Analisar uma simulação de crédito habitação exige olhar além da primeira prestação. Compare o custo global, confirme o que pode mudar ao longo do contrato e escolha uma solução que continue a caber no seu orçamento no futuro.

Os conteúdos apresentados não dispensam a consulta das entidades públicas ou privadas especialistas em cada matéria.

Rute Ferreira

Copywriter especializada em finanças

Rute Ferreira

Falo muito, e escrevo ainda mais. Estudei Marketing e Publicidade a sonhar com grandes campanhas, mas foi na escrita que encontrei casa. Hoje, entre cafés pela secretária e gatos a passearem pelo teclado, descomplico temas financeiros complexos e escrevo sempre de pessoas, para pessoas.

Soluções de Crédito Habitação

Quer comprar casa? Escolha uma das opções:

Informação de tratamento de dados

O Banco Santander Totta, S.A. é o responsável pelo tratamento dos dados pessoais recolhidos.

O Banco pode ser contactado na Rua da Mesquita, 6, Centro Totta, 1070-238 Lisboa.

O Encarregado de Proteção de Dados do Banco poderá ser contactado na referida morada e através do seguinte endereço de correio eletrónico: privacidade@santander.pt.

Os dados pessoais recolhidos neste fluxo destinam-se a ser tratados para a finalidade envio de comunicações comerciais e/ou informativas pelo Santander.

O fundamento jurídico deste tratamento assenta no consentimento.

Os dados pessoais serão conservados durante 5 anos, ou por prazo mais alargado, se tal for exigido por lei ou regulamento ou se a conservação for necessária para acautelar o exercício de direitos, designadamente em sede de eventuais processos judiciais, sendo posteriormente eliminados.

Assiste, ao titular dos dados pessoais, os direitos previstos no Regulamento Geral de Proteção de Dados, nomeadamente o direito de solicitar ao Banco o acesso aos dados pessoais transmitidos e que lhe digam respeito, à sua retificação e, nos casos em que a lei o permita, o direito de se opor ao tratamento, à limitação do tratamento e ao seu apagamento, direitos estes que podem ser exercidos junto do responsável pelo tratamento para os contactos indicados em cima. O titular dos dados goza ainda do direito de retirar o consentimento prestado, sem que tal comprometa a licitude dos tratamentos efetuados até então.

Ao titular dos dados assiste ainda o direito de apresentar reclamações relacionadas com o incumprimento destas obrigações à Comissão Nacional da Proteção de Dados, por correio postal, para a morada Av. D. Carlos I, 134 - 1.º, 1200-651 Lisboa, ou, por correio eletrónico, para geral@cnpd.pt (mais informações em https://www.cnpd.pt/).

Para mais informação pode consultar a nossa política de privacidade (https://www.santander.pt/politica-privacidade).