Patrícia Soares Santos | Podcast Santander
Mudar o mundo
Episódio 2

Patrícia Soares dos Santos

09 dez 2021 | 11 min

Aos 9 meses de idade, Patrícia Soares dos Santos foi diagnosticada com Atrofia Espinhal do Tipo 2. Esta doença rara nunca foi um obstáculo para que a Patrícia realizasse os seus sonhos. Neste segundo episódio do podcast “Mudar o Mundo” by Santander, descobrimos a reviravolta que a sua vida levou.

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"O trabalho no Santander deu-me aquilo que era, se calhar, impensável ter: a independência."

 

O seu problema de saúde nunca foi um fator impeditivo para que a Patrícia estudasse, trabalhasse e realizasse os seus sonhos.

 

A Atrofia Espinal Progressiva do Tipo 2 é uma doença genética. Já nasci com a doença, foi diagnosticada aos 9 meses. Por isso, desde sempre que sei e sempre aceitei as limitações que tinha. Sempre estive em escolas normais, públicas, no ensino normal - foi tudo muito normal, dentro das minhas limitações. Nunca me senti limitada.

 

A transição para o mercado de trabalho

Comecei a inserir-me no mercado de trabalho ainda na altura da escola, porque tive estágios e íamos para empresas. A primeira barreira que senti foi exatamente num estágio: uma agência de turismo disse à escola que não me podiam aceitar como estagiária porque eu ia estar no atendimento ao público e isso ia ser mau para a imagem da empresa.

 

Não fiquei triste ou revoltada por estar numa cadeira de rodas, mas fiquei revoltada com aquela empresa. Pensei: “como é que é possível uma empresa conhecida ainda ter este tipo de pensamento?”.

 

Fui para outro estágio e correu super bem. Quando acabei a escola, enviava currículos mas punha sempre uma nota a dizer que estava numa cadeira de rodas. Fui chamada para entrevistas talvez 2 ou 3 vezes em 5 anos.

 

A Associação Salvador e a entrada para o Santander

Tive conhecimento, através das redes sociais, do projeto de empregabilidade da Associação Salvador. Falei com o Salvador, falei com a associação e inscrevi-me. Na entrevista com o Santander, senti logo que havia uma abertura muito grande: era o primeiro caso, havia necessidades que eu precisava, para as quais o banco não estava adaptado, mas disseram-me logo “tudo bem, isso resolve-se”. Quando soube que tinha sido selecionada para o Santander fiquei super feliz - e desde o início sempre foi super normal.

 

Nunca senti barreira nenhuma e quando havia alguma dificuldade era ultrapassada logo. Sempre tive colegas que me ajudavam na hora das refeições - porque eu não como sozinha – e até me convidavam e perguntavam “como é que se dá?”. Sempre, desde o início, desde que vim para o Santander.

 

Entretanto o Santander arranjou uma pessoa para ajudar, porque já há mais pessoas com necessidades especiais. O que é estranho, às vezes mete medo. Mas a nível de barreiras ou de me sentir excluída... isso nunca.

 

Lembro-me muito bem do primeiro dia de trabalho no Santander. Eu já tinha tentado abrir conta no banco e, na altura eu não assinava - o meu Cartão de Cidadão dizia “não pode assinar” - e nenhum banco aceitava uma conta só minha. Tinha sempre de ter outra pessoa na conta. O Santander foi o primeiro banco em que a impressão digital era a minha assinatura. Foi o Santander o meu primeiro banco, com uma conta só minha, e foi nesse dia, foi no primeiro dia de trabalho.

 

Ultrapassar barreiras e derrubar preconceitos

Um dos desafios das pessoas com deficiência motora passa por derrubar preconceitos, derrubar ideias feitas relacionadas com as capacidades de trabalho das pessoas com deficiência. Não é nada contra mim ou contra as pessoas que têm uma deficiência. O ser humano é assim – o que é estranho faz confusão.

 

Se eu me aceitar é muito mais fácil as outras pessoas aceitarem-me. Portanto, se eu levar a minha doença e a minha limitação com leveza, é mais fácil os outros também a levarem.

 

Lembro-me que, nos primeiros dias eu ia à casa de banho só para me ver ao espelho. Não era para mais nada, era só para me ver ao espelho. E a porta da casa de banho está fechada. Lembro-me que chegava ao pé da porta da casa de banho e olhava para quem estivesse ali sentado para pedir que me abrisse a porta. E as pessoas ficavam com medo de que eu fosse pedir ajuda para ir à casa de banho. Sei que não é por maldade, mas as pessoas estranham.

 

A partir do momento em que eu levo as coisas de forma natural, as pessoas também o começam a fazer. Depois disso, eu ainda estava a chegar à porta da casa de banho e já me perguntavam se queria que abrissem a porta. Fui desmistificando algumas coisas que podiam fazer confusão às pessoas e hoje em dia já não sinto isso.

 

Um passo em direção à independência

É muito engraçado dizer que o trabalho no Santander deu-me aquilo que era, se calhar, impensável ter: a independência. Apesar de eu estar sempre dependente de terceiros, tenho a minha independência financeira. Neste momento já vivo sozinha com o meu namorado. É graças ao facto de ter um trabalho que posso pagar as contas, a água, a luz, a casa... como uma pessoa normal.

 

A palavra-chave é, sem dúvida, desmistificação. Nem é o preconceito, é mesmo a desmistificação. Todas as doenças e todas as deficiências têm as suas limitações, mas é a abertura das empresas para tentarem perceber se aquela pessoa é capaz de cumprir aquela função, se a empresa está preparada e para arranjar os meios para aquela pessoa desempenhar a função.

 

O mundo perfeito há de chegar: ainda temos um longo caminho pela frente, mas não quer dizer que não seja possível.

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Sobre o podcast
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“Mudar o Mundo” é o novo podcast do Santander sobre iniciativas sustentáveis que transformam a nossa sociedade.

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